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segunda-feira, 21 de junho de 2010

É TEEEEEEEEEEETRAAAAA!

segunda-feira, 21 de junho de 2010
Quem acompanha minhas alucinações por aqui já sabe um pouco dessa história e, quem me conhece já não aguenta mais saber, mas, eu sou repetitiva, fazer o quê?
Desde novinha, fui criada de uma maneira conflitante com meus impulsos, minhas vontades.
Por volta dos 15 anos, queria trabalhar em loja de shopping pra ganhar uma graninha só minha, ou então, na locadora da rua de casa. Era o trampo dos meus sonhos. Passar a tarde inteira assistindo filmes, lançamentos, atendendo um ou outro cliente, inclusive com certo tempo pro dever de casa.
Cheguei a fazer uma entrevista com o moço da Locadora, mas aí, meu pai vetou.
Meu pai é um cara bacana, liberal pra caramba, cabeça boa. Seu defeito é o orgulho!
Ele veio de família bem pobre, trabalhou em 2 subempregos pra bancar faculdade e tal. Maior orgulho da vida dele, os filhos não PRECISAREM trabalhar pra pagar os estudos.
E, aí eu digo que ele errou!
Errou porque, pra um adolescente, é muito importante aprender o valor do trabalho, a responsabilidade, entender e se interessar por um mercado no qual está prestes a competir.
Acho uma lição imprescindível que não tive.
Não é questão de precisar financeiramente, e sim, de precisar para a formação de caráter, para formação do "adulto", sabe?
Obviamente, na época eu não sabia isso e, bem, não vejo absurdo ou algo incomum, o adolescente se conformar com a ideia de só estudar e ganhar sua mesadinha só na vida mansa.
É muito mais fácil aceitar o mais cômodo do que batalhar pra fazer o que se quer quando isso implica perder suas regalias.
A gente (eu, pelo menos) trabalha para ganhar dinheiro e, com ele poder ter a vida que achar mais adequada e feliz. Se você pode ganhar esse mesmo dinheiro sem ter que trabalhar... É como nego dizer que continuaria trabalhando caso ganhasse na mega sena! Lamento...hipocrisia pura!
*Trabalho voluntário nem entra na discussão porque, é ÓBVIO que ninguém o realiza com qualquer tipo de fim lucrativo.
Continuando...
Se, naquela época eu soubesse o que eu sei hoje, teria insistido sim.
Se o erro do meu pai foi facilitar as coisas pra mim a ponto de eu perder essa valiosa lição, o meu erro, foi não ter a humildade suficiente pra ver que eu era uma cabaça, totalmente inexperiente e não estava pronta pra escolher uma faculdade.
Meu pai me deu a liberdade de fazer o que eu bem entendesse e, nessa fase, eu deveria ter dito: QUERO TRABALHAR!
Eu disse que faria faculdade, fiz o curso errado (não que eu odeie, mas a somatória de não gostar muito e não valer à pena financeiramente é o suficiente pra considerar minha escolha um fracasso), me formei e fui trabalhar.
Andei, corri, me arrastei como se estivesse numa esteira mecânica, saca? Você faz o esforço, dita a velocidade, tudo depende de você, só que você simplesmente não sai do lugar.
Num determinado momento, meu pai precisou do meu nome e, eu, com toda a experiência em atos acomodados que havia aprendido, corri pra baixo da asa dele sob o pretexto de ver a empresa de perto. De cuidar do meu CPF.
De fato, foi uma escolha inteligente, porque, na minha ausência, a tragédia teria se abatido no segundo ano já talvez. Segurei o quanto eu pude, mas a quem eu queria enganar?
Claro que fui trabalhar na empresa por comodismo, por ser mais fácil e pra não ter a responsa! Eu já imaginava que não conseguiria endireitar a cabeça do meu pai e evitar que ele cometesse os mesmos erros administrativos de sempre, mas, era bem cômodo fingir que eu tinha esperanças.
Seis ou sete anos se passaram e a bomba estourou. Não cabem aqui os motivos que nos levaram a chegar nessa situação extrema na empresa. O intuito é contar a história que é só minha e, nessa história, esse momento de quebra (ou quase, porque não quebrou, mas também não está de pé) da empresa me trouxe finalmente a consciência da minha realidade.
Daí que, quando você dá de frente com o espelho e a imagem da sua vida, você saca cada uma das suas cagadas e sente um gosto amargo, cruel de "eu devia e podia ter feito diferente!".
Chorei, desesperei, fiquei com muita raiva e vergonha de mim.
Entendi que negligenciei minha vida, que "mamei nas tetas" que me apareceram na frente, sem jamais me preocupar em construir meu futuro. Eu sou o porquinho que fez a casa de palha para ter mais tempo pra me divertir e viver a vida.
Aos poucos, entendi que nada do que eu fizesse agora poderia mudar o que já foi. Era hora de tentar fazer, antes tarde do que nunca, o esforço, o trabalho que eu nunca fiz.
(Não é que eu nunca tenha trabalhado ou me esforçado. Me refiro aqui às dificuldades de trabalhar, estudar e bancar a si mesmo tudo ao mesmo tempo como a maioria dos estudantes brasileiros)
Comecei - e continuo - a procurar emprego, fazer planos para entrar numa nova faculdade e, tentar chegar a algum lugar.
Até agora isso não deu em absolutamente nada. A rejeição nas entrevistas te joga pra baixo e me faz ter a certeza de que eu não sirvo pra nada.
Diante daquela mesma imagem no espelho que me fez chorar, é muito, muito difícil acreditar que eu seja capaz de sair desse buraco, de ser alguém algum dia.
Autoconfiança? Não trabalhamos...
A série de fracassos leva ao desespero - e se eu nunca mais conseguir nada?
Nem a fé de que as coisas são como elas devem ser me fazia companhia.
Tenho uma amiga que insistia que eu prestasse um concurso público. Não ri na cara dela porque ela poderia não entender e sentir - se ofendida, sabe?
Mas, eu sempre soube que é impossível, que é pra poucos e chega a ser mais tenso do que vestibular. Imagine...eu, indisciplinada, preguiçosa e incapaz como a imagem do espelho, tendo a petulância de me inscrever num concurso público.
Ela me ofereceu umas apostilas emprestadas e, eu, sem graça, resolvi aceitar.
Nessa fase, todo o furacão era bem recente, então eu estava totalmente fora do eixo e, seria bem providencial dizer que eu iria estudar pra dar uma fugida da realidade, pra não ter que encarar que a vida lá fora era muito feia e estava me apavorando demais.
E, aí, ironia do destino....a preguiça, a indisciplina e a incapacidade de sair atrás de um recomeço, de um emprego, virou força e disciplina pra estudar.
Fui ficando feliz comigo porque em alguns dias, cheguei a estudar 6 horas! Cara, nem na época de faculdade eu estudei tanto!
A semana da prova chegou. Era um mix de sensações. O dever cumprido por ter conseguido ter a disciplina de estudar, a coerência e noção de realidade de que aquilo não era o suficiente, o nervoso por estar prestes a fazer uma prova que mostraria a todo mundo que não sou inteligente como todos pensam e esperam. Ali, era o momento final, a prova dos nove de que eu sou apenas uma mulher medíocre, mediana.
Faz entrevista daqui, entrevista dali, passa o mês e chega o dia de publicarem o resultado no Diário Oficial...
Acordei com um mal estar terrível, medo, uma vontade de não ver esse resultado. Uma briga interna entre "não pensa negativo porque tudo o que a gente pensa, a gente atrai pra nossa vida!" e "porra, não viaja, não se enche de esperança porque você sabe que não foi bem o suficiente pra passar!".
Abri logo o link do resultado. Corria os olhos pelas páginas, olhando uma a uma as cidades que não eram a minha.
A barriga gelada, o pânico na goela já e, quando chegou na fatídica página, tudo embaralhou. Juro, acho que cheguei a quase desmaiar!
Daí, meu nome brilhou.
Estava ali...nome, sobrenome, inteirinho.
Eram 21300 inscritos e apenas 867 foram aprovados. Eu fiquei em 346º lugar.
Li, reli, li mais uma vez e gritei. Gritei com dor, com desespero, com o choro rolando e uma das emoções mais incríveis que já senti.
Gritei pra que eu ouvisse, porque eu nunca acreditei.
E chorei, chorei e gritei baixinho porque ninguém mais pode entender o tamanho daqui pra mim.
Não, eu não sou um completo fracasso, não sou medíocre, e não vou depender financeiramente de alguém pro resto da vida. Não vou ser estorvo, motivo de pena, de vergonha. Eu juro, isso era muito palpável já para mim.
Já me via nessa situação, já pensava em como eu teria que me virar.
Eu estava convencida de que perdi essa vida, essa chance e que só na próxima é que eu poderia construir minha vida com tijolos de trabalho.
E eu tava ali, naquela lista, cheia de esperança, emocionada.
Muito mais do que um emprego futuro (ainda preciso ser chamada, passar nos exames e entregar a documentação necessária. Sim, eu ainda tenho medo), isso era a esperança, era o sonho de ainda poder ser alguém.
E, pra quem quiser ter uma ideia do que eu senti, do tamanho que era esse grito entalado na garganta e, do quão patética eu fiquei gritando, é só dar uma olhada nesse vídeo e, deleitar - se com nosso "querido" Galvão!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

No Divã

quarta-feira, 12 de maio de 2010
A melancolia dessa quarta - feira me fez querer falar um pouco mais de passado, de rejeição, das entranhas das minhas fraquezas. Me fez ter a tendência suicida de escancarar as piores verdades.
Não tive uma infância ruim; Pelo contrário, analisando friamente, sempre morei em casa própria, tive estudo particular, brinquedos e nunca passei nem frio e nem fome. Não abusaram sexualmente de mim e nem assisti a cenas sórdidas de sexo ou violência.
Mas, sabe, pensar que uma criança pobre vá crescer, impreterivelmente cheia de problemas é tão imbecil quanto achar que os ricos tem vidas perfeitas.
Mais uma vez, a vida mostrava sua ironia...
Há pouco tempo, quando vivi o Câncer, ouvi muita gente dizer que me admirava, e que era uma situação hercúlea sem sequer saber do que se tratava.
Bom, eu, particularmente, acredito que cada um lida e sofre os problemas de uma maneira, além do mais o próprio conceito de PROBLEMA é pessoal e totalmente intransferível.
É, eu sofri um câncer e vos falo...foi tranquilo. Foi ruim, dolorido, demorado, mas passei com honra ao mérito. Não estava ali meu calcanhar de Aquiles.
Hoje, desempregada a míseros 2 meses, desesperada, vejo o que realmente é o meu inferno. Não sei lidar com isso e, pasmem, em 2 meses de desemprego, já sofri bem mais do que em 1 ano de tratamento de câncer.
Na minha infância, tb sinto essa "ironia" da vida, pois como disse, não tive grandes traumas, pelo contrário, tive uma vida que, vista pela janela era até bem divertida. Mas, problemas "simples" como estar acima do peso, ter uma mãe ausente e competitiva, ou como estar desempregada é que são os verdadeiros holocaustos para mim.
Quando as pessoas conhecem a minha família, a princípio não conseguem entender a minha carência, a minha reclamação, afinal, todo mundo é tão legal...
Mas eu nunca tive MÃE! Minha mãe biológica vive comigo até hoje, mas ela jamais foi mãe de criação, sabe? A mãe que ensina, que repreende, que dá apoio, colo, carinho, que manda usar o guarda-chuva e que, com olhar orgulhoso te vê crescer.
Quem é órfão tem ideia do que estou falando, mas não tive a oportunidade de ter sequer as esmolas de carinho, a solidariedade e o afeto de quem se compadecia do meu orfanato porque mamãe estava logo ali, sempre a alguns metros de mim.
Não só sempre fui invisível para ela, como fui alvo de competição.
Sabe a irmã mais velha que morre de ciúmes da mais nova?
Aos 2 anos, lembro quando eu tinha pesadelos, corria pro quarto da minha mãe que imitava monstros e saía perambulando, tirando sarro do medo que eu sentia.
Chorava baixinho e esperava todo mundo dormir para sonhar um mundo em que pudesse correr pros seus braços e você me proteger.
Meu pai, do contrário, sempre foi o meu herói, o meu paizão. Esteve ali, pra me apoiar com seu ar todo desajeitado.
Meu pai nunca teve muito tato pra lidar comigo, mas me deu o que eu mais precisava, amor.
Toda criança chega para a mãe querendo colo, proteção, carinho quando sofre qualquer tipo de ameaça em sociedade. É o famoso "vou contar tudo pra minha mãe!" (porque supostamente, ela irá tomar alguma atitude em minha defesa). Pois também eu corria. Minha mãe ria da minha cara, me mandava deixar de ser besta, brigava comigo e dizia o quanto eu era idiota.
Lembro que eu fazia de um tudo pra ser aceita. Naquela época, já achava que, se alguém não queria brincar comigo era porque eu não era boa o bastante. Se minha mãe não me dava colo e dizia ter me achado na lata do lixo (era de brincadeira, mas, eu acho que, aos 6 - 8 anos é difícil aceitar e entender isso como tal), dizia que eu era tonta e que tudo o que eu fazia direito não era mais que minha obrigação, é porque eu REALMENTE não era boa o bastante.
Quando era adolescente, minha mãe resolveu que era a hora de descontar em mim a rigidez que o pai dela teve com ela;
"Mãe, posso ir na casa de fulana?"
"Não!"
"Por quê?"
"Por que não!"
E, tambem tinha a clássica demonstração de poder...ela tinha necessidade absoluta de provar - se maior do que eu, mais importante hierarquicamente falando.
Eu praticava esportes, e ela era dona de casa. Meu pai pagava o carro dela para que ela me levasse à escola, ao treino, para que ela cuidasse da casa e também saísse para se divertir. Quando faltavam 5 minutinhos para sairmos para o meu treino, ou para os jogos de campeonato ela teimava em dizer que não ia. Fim. Não ia porque não queria e ponto final.
Eu chorava, soluçava e, a essa hora não adiantava querer pegar ônibus, carona ou ligar pro meu pai. Já não dava tempo. Restava - me tirar o uniforme do time e deitar na cama e chorar. Nem bem escorriam as primeiras lágrimas no travesseiro, ela aparecia, fanfarrona na porta do quarto "Você não está pronta?!".
Parecia que havia uma necessidade quase que cruel de sentir - se dona das minhas emoções, de controlar o que eu sentia.
Vieram os namorados, os estudos, os traumas e briguinhas de escola e NUNCA, mas NUNCA minha mãe me disse: "filha, nem sempre vamos acertar; Deus nos dá vitórias e também derrotas para que póssamos crescer. Você sempre pode tentar de novo!"
O que eu ouvia? VOCÊ NUNCA VAI CONSEGUIR HAHAHAHA!
Minha mãe não me ensinou que é normal tropeçar, que não é possível acertar e ganhar todas. Ela deu a entender que a cada derrota, tropeço, erro eu me torno pior, mais frágil, mais inferior.
Quando estava no segundo ano de faculdade eu sabia que não queria ser dentista, mas se parasse ali, eu daria razão a ela, eu realmente provaria que eu não consegui e, levada por uma imaturidade, segui em frente.
Os namorados, o sexo, os medos, a crise por ser gorda nunca foram muito conversados com o meu pai também. Ele era aquela presença ali, onde eu sempre encontraria um abraço, aquela pessoa que também achava que eu não ia conseguir mas não por não ser capaz, mas por ser ainda uma criança (meu pai me trata como adolescente até hoje!).
Quando me formei, me vi livre da minha mãe...e, foi aí que me vi perder meu pai. O casamento deles, por causa da personalidade mimada da minha mãe, havia acabado e, ele não havia conseguido se separar como deveria.
Conheceu outra pessoa e, achando que devia esconder isso de mim, se afastou. Foram longos 4, 5 quiçá 6 anos de distanciamento, nós três morando sob o mesmo teto, cada um num quarto.
E, então eu descobri que meu pai tinha outra família. Morri um pouco por dentro pois o meu melhor amigo não havia confiado em mim, pois eu havia sido privada de viver o nascimento do meu irmãozinho, porque ele sequer sabia quem eu era.
De repente, eu resolvi crescer, resolvi que não ia mais precisar de ninguém porque amá-los sem me sentir amada havia me machucado demais.
A vida veio, riu da minha cara e eu me vi careca, em meio à quimioterapia no mesmo mês em que meu pai finalmente saíra de casa.
A essa altura, vovó já morava com a gente e era para a minha mãe, a MÃE que eu queria ter tido quando criança.
Elas viviam um Universo paralelo e, enquanto eu amargava enjôos, dores e encarava o tratamento de frente, elas viviam sua rotina tranquilamente. Assisti minha avó cuidar da minha mãe como se eu não existisse pois, pobrezinha, ela tinha uma filha com câncer!
Minha mãe agia como se eu tivesse morrido, como se eu não estivesse ali. Fazia um circo, um teatro pra ir ao médico comigo, mas, nos dias das consultas, ela sempre esquecia e eu acabava indo sozinha. Fui eu sozinha quem brigou com o convênio para que eu pudesse fazer meu tratamento. Todo mundo sabia, e, se esquivava, seguia cada qual o seu caminho, a sua rotina.
E agora, bom...agora estou aqui, inútil como ela (que brinca o dia inteiro no Facebook e vive às custas da pensão da minha avó de 93 anos), dependente como ela, simplesmente lembrando que não, "VOCÊ NUNCA VAI CONSEGUIR HAHAHAHA!".
Obviamente sou carente e não sou amorosa com ela. Também obviamente, ela não tem a menor ideia do motivo pelo qual eu seja assim. Nunca a ensinaram que pessoas erram, e que devemos ser humildes.
Tento não culpá-la e até consigo. O que eu não consigo é não sentir falta, é aceitar que não tenho o colo, a MÃE quando eu preciso, porque ela está ali, a míseros 5 ou 6 passos de mim. O que não consigo é entender como não se manifesta nela o amor incondicional, instintivo que toda mãe tem por sua cria.
Chorei hoje o dia inteirinho, e ela fingiu que não viu. A empregada anunciou, e ela fingiu que não ouviu.
Talvez tudo isso explique porque preciso tanto trabalhar, me sentir útil e dependente apenas de mim. Tenho pavor de depender de quem não parece me enxergar, sabe?
Talvez, isso tudo explique meu desespero em conseguir um emprego, e, minha dor imensurável cada vez que dá errado e, que eu tenho que lidar com a rejeição. Então eu encaro as palavras dela do quanto não sirvo pra nada, sou idiota, inútil ou não vou conseguir.
Eu não sou uma pessoa burra, mas sou uma pessoa com muita dificuldade de lidar com meus erros. Não consigo aceitá-los como naturais, lembrando que todo mundo erra. Eu SEMPRE acho que meus erros são mais burros, mais justificáveis pela incapacidade e incompetência do que qualquer outra coisa. Eu nunca sou boa o bastante. Se consegui algo, nunca foi pelo meu esforço, sempre foi porque alguém deve ter me ajudado.
Quando eu cresci e me livrei da necessidade de colo de mãe, a vida veio e me colocou um relacionamento que deu muito errado pra que eu precisasse dela, mas ela não esteve lá e eu chorei sozinha; Me deu um câncer para que eu precisasse dela, e ela também não esteve lá e eu lutei sozinha. Agora, me deu o desemprego, e, eu novamente preciso dela...e...adivinhem? Ela não está aqui.
O que tudo isso quer dizer?
O que é que eu tenho que aprender com tanta lágrima, com tanta solidão e rejeição? Eu faço o meu melhor, superei tudo sozinha até hoje, por que diabos preciso continuar nessa lição?
Eu não quero, eu não aguento mais esperar por um carinho, um colo, um abraço que mesmo eu pedindo, nunca vem. Por favor, me deixa seguir em frente com a minha vida?
Eu só queria voltar a ser eu mesma e lembrar de como é sorrir e ser feliz....

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

As Crianças

quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Dia desses, minha "boadrasta" me surpreendeu com o seguinte comentário:
"Paula, estava aqui conversando com uma amiga minha... Achamos que você devia ficar grávida!"
Do outro lado do msn eu não sabia se gargalhava da piada, ou se dizia ao meu pai que sua esposa não estava batendo muito bem das ideias.
Ela insistiu: "Eu sei que você não é casada ainda, mas a gente quer um bebezinho na família. Todos ficariam felizes, e todo mundo ama o Thiago (o suposto candidato a pai, mais conhecido como o careca, meu mino)!".
A essa altura eu já achei que ela estava surtada e, resolvi perguntar coisas práticas do tipo: quem paga as fraldas? Vou me mudar com meu filho e o pai dele pra um quarto na sua casa?
E, demonstrando sanidade, ela disse: "Eu sei de tudo isso, mas é que seria muito legal! E já tá na hora!"
OBS: ela teve meu irmão aos 37 anos, portanto, segundo o timming dela, eu ainda tenho 6 pra poder ter uma casa, um marido e um salário digno de mãe de família. O mais próximo dessa condição que estou, é ter um namorado que possivelmente virará marido. Mas veja...possibilidade!
Enfim, aquele comentário non sense (tá, a mulherada de 30+ que namora e não tem filhos sabe que é tão comum ouvir esse tipo de coisa que faz parecer que a non sense sou eu por ter achado o comentário absurdo...) ficou na minha cabeça.
Naquela mesma noite saímos eu, namorado, boadrasta, pai e meu irmão pra devorar um japa em comemoração ao meu aniversário e ao dia dos pais.
Em meio à conversa divertida, fiquei observando meu irmão.
Ele tem 7 anos, é educado, doce, divertido e bem inteligente...mas...no way!
A cada guioza que ele erquia com o hashi, eu me afastava com medo de o bolinho virar uma bomba no potinho de shoyu. A voz alta e estridente, aquela agitação de moleque que tem formiga na cadeira.
É uma criança linda, saudável, e, reitero, educada! Mas no way.
Ficou de papo com o shushiman, fez amizade com os garçons, coisa de criança que simplesmente me irrita! Como assim? Não dá pra sentar a bunda na cadeira e, sei lá, desenhar no guardanapo? Te empresto meu celular! Nele dá pra desenhar, tirar foto, e tem joguinho também.
Mas não, claro que não...o esquema era ir desbravando os mistérios do lugar e, voltar à mesa, alucinado, gritando ora pra mim, ora pra mãe as novidades descobertas.
Já em casa pensei: não, isso não é pra mim! Não há criatura no mundo que mereça uma mãe megera e impaciente como eu!
No dia seguinte, prestei mais atenção na minha priminha de 6 anos que, por causa da gripe suína, ainda está de férias e, passa as tardes no escritório da minha tia, no andar de cima.
A avidez natural por atenção, a vontade de me imitar, questionar cada piscada que meus olhos dão é lindo, é fofo, mas atrapalha e também me irrita...fazer o quê?
Fui almoçar com a Helia, que trabalha comigo e, também é 30+ sem filhos.
Entre uma garfada e outra ela me pergunta: "Você se imagina tendo um filho?"
Mas que diabos, tô gorda, não tô grávida!
Não me imagino, por várias razões.
Citei as crianças, citei os impecílhos e, ela, solidária me diz: É, eu também não. É uma lacuna na minha vida, mas sinto que eu não quero!
Aí, eu me choquei...foi a primeira vez que fui obrigada a pensar se eu quero ou não, ponto, sem o "agora" na sequência.
Não dá, não consigo dizer que eu não quero ser mãe!
Então, comecei a pensar no processo...na gravidez em si.
** Isso foi antes de ler o comentário num outro post meu, feito pela minha querida amiga Ieda, gravidíssima lá em Portugal***
Um insight me fez entender porque só as mães são felizes! Me fez entender que paciência é essa que uma mãe consegue ter diante daquela infinidade de "por quês?".
Tudo começa na gravidez.
Se alguém acha que TPM é fácil de aturar porque só dura 5 dias, tente pensar em 37 a 40 SE-MA-NAS de TPM. E, não é qualquer TPM não!
Se as taxas hormonais são vertiginosas na gravidez, e a progesterona endoidece o ser, trata - se de uma TPM super power, com ganho real de peso, inchaço, unhas quebradas e cabelos frágeis de brinde. Tá a fim?
De quebra, o futuro papai é exposto full time à ira dessa mulher, que cresce à medida em que o Universo teima em dizer que ela está linda (e está, mas a coitada, entorpecida pelos hormônios vê extamente o oposto) e, que a fase é maravilhosa.
Para as mais "zen", que acham que será fácil, eu aviso: melhor não desdenhar, pois pode ser que você ainda leve 3 meses de muito enjôo e mal estar.
Já perto do fim, quando o pai parece anestesiado de tantos bofetões, batidas de porta e xingamentos, a mãe, que se dá por vencida e acredita que isso tudo deva valer à pena, senão as mulheres não teriam jamais o segundo filho, começa a se perguntar: Meu Deus, como isso vai sair de mim????
Se não fossem os ultrassons, a imagem 3D dos exames modernos, aquele pezinho, o coraçãozinho batendo numa frequência insana, o dedinho na boca, os chutes, com certeza não daria pra aguentar.
Pois bem, chega o bebê...
A mãe, em frangalhos, exausta e, ainda inchada (é uma sacanagem todo o peso ganho com a gravidez não sumir no momento do parto!) não pode descansar. Experimenta a magia da mamentação, sem quase sentir nada, tamanho o seu cansaço.
Aquele pai, que até agora só foi xingado, privado, tratado pior que o cachorro, ainda é obrigado a assistir aquele elo mágico entre mãe e bebê, do qual ele parece não fazer parte alguma. Entra na fila pra pegar o próprio filho nos braços! Resta a ele, fotografar....
O casal vai pra casa e pensa que poderá repetir "enfim sós!" como no casamento... Piada da Mãe Natureza! Aqueles pobres humanos passarão os próximos 4 meses acordando a cada 2 ou 3 horas (alguns muito sortudos conseguem intervalos de 5 ou 6 horas na madrugada a partir do 3º mês) ao som de berros esfomiados, cagados ou mijados.
Mas, o encanto dos traços daquela criaturinha, uns pequenos e míseros segundos de gracinha, de riso fazem com que 2 adultos (e o resto da família) virem patetas babões.
Aí vem a fase de engatinhar, dos dentinhos, da papinha.
Aquele nenezinho começa a passar perto de quinas de mesas, tomadas...dá um tapa de brincadeira no focinho do cachorro!!! Lá vão pai e mãe correndo atrás, simplesmente protegendo.
O encanto permanece nas gracinhas, no rostinho, no jeito que "puxou" de um ou de outro. Distraídos por todo esse encanto, não percebem o treinamento militar e desumano que passaram nos últimos 21 meses (9 da gravidez + o 1º ano do bebê).
Na festinha, sem perceberem recebem suas medalhas de honra ao mérito e, são condencorados com a patente de "super pais"....
Depois de passar por absolutamente tudo isso sem sequer lembrar das vezes em que reclamaram, não se incomodar com uma criança que não para quieta, ou que fala alto demais, ou que toca a flauta doce tudo errado...que desiste da apresentação que faria na escola de última hora, que pinta a parede porque a folha de papel acabou, que é simplesmente criança, saudável, carinhosa, esperta e espontânea me parece simples demais.
É, eu quero sim ter filhos!
Entendi que a gravidez é o treinamento natural pro primeiro aninho e, que a partir dali, as lições vem aos poucos; Que amar aquela criaturinha é a coisa mais simples do mundo!!!!
Acho que, jamais tive tanta certeza! EU QUERO SIM TER FILHOS!
Mas...continuo com o "NÃO AGORA", por motivos exclusivamente financeiros.
Enquanto junto um pouco de dinheiro, a ideia irá amadurecer, o tempo do relógio biológico irá chegar pra mim e para o futuro papai...
E, quando assim for, o "Não agora" vai virar um "talvez" que irá comemorar muito no dia em que puder dizer "estou grávida!".
Parabéns Ieda, Daniel, Bruno duplamente (pelo filho e sobrinho) e todos os meus amigos que estão na fase do treinamento militar!
Boa sorte e muita saúde!!!

PS: Sonhei com sapos essa noite! Os antigos árabes tinham os sapos como símbolo da fecundidade e gravidez.....

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Mini Makeover

sexta-feira, 24 de abril de 2009
O Extreme Makeover é um reality show produzido pela Endemol e mais uma outra produtora de TV, no qual primeiro pessoas, depois casas inteiras são completamente transformadas...pra melhor, é claro.
Há um segmento do programa que dá pequenas transformações como um plus. A essas transformações, deu - se o nome de "Mini Makeovers".
Fiz uma delas no meu quarto.
Há um tempo remoto e feliz eu morei sozinha. Por motivo de força maior (que na época parecia tão lindo!) acabei voltando para a casa dos meus pais. Como achei que seria e queria que isso fosse efêmero, "acampei" na suíte que era até então, o escritório.
Dois anos se passaram, muitas coisas mudaram e, eu finalmente aceitei que não era lá tão efêmero assim. Não, não quero sair do conforto desse apartamento sem que seja comprando o meu próprio canto, custe o tempo que custar!
Pensando assim, resgatei meus cacarecos do guarda móveis como contei aqui, e tratei de dar um jeitinho no meu quarto.
Reformei um rack pra combinar com o quarto, ganhei um puff da minha irmã linda (obrigada Aninha linda!) e, arrumei tudo com a maior alegria. Gastei cerca de 80 reais com detalhes (material pra reformar o rack, um edredom e o enchimento do puf) e um tantinho de criatividade.
Amei o resultado.
Emocional, psicológica, estética e funcionalmente falando, ficou perfeito!!!!
Algumas fotinhos pra constar...





sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Portabilidade

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Essa é pros paulistanos...
Chega a São Paulo nessa segunda - feira, a tão esperada por mim, Portabilidade. Alguns já sabem o que é, outros ouviram a respeito mas não entenderam e, os mais perdidos, ignoram por completo.
Trata - se do cumprimento de uma nova regra criada pela Anatel ano passado (que já vigora em um montão de cidades, mas só chega aqui em Sampa na segunda), através da qual, os usuários da telefonia móvel são donos de seus números, podendo assim, trocar de operadora sem ter que adquirir novo número.
Tá...e daí?
E daí que o Brasil tem 71 celulares a cada 100 habitantes (tem noção do que isso significa?). Em Brasília, numa rodinha de 4 pessoas, existem 6 celulares!
Sendo São Paulo a cidade mais populosa do país, e também a maior concentração dos negócios e finanças, com toda certeza isso vai gerar um tremendo rebuliço nas operadoras do serviço.
Como raramente acontece, quem ganha é a carta (plagiando SS), somos nozes (plagiando alguém que não me lembro quem) ou seja, o povão...nós!
Vejo um futuro próximo no qual as 4 operadoras de telefonia celular da região (Sampa é a cidade mais populosa do país, mas, agora soma o resto dos 11 - DDD que pega São Paulo, São Bernardo, São Caetano, Santo André, Itapevi, Dieadema, Guarulhos, Itu, e mais um monte de cidades que não são tão pequenas assim) vão ter que se virar nos 30 pra não falirem.
Aquela que se propuser a reduzir ao máximo seu lucro inicial, distribuindo telefone legal pra tudo que é consumidor, garantindo ligações gratuitas para celulares de mesma operadora, enchendo inclusive os clientes pré - pagos (maioria) de mimos, vai abocanhar a maior fatia do mercado. De posse dessa "bitela" de clientes, o lucro é garantido e o abatimento da concorrência também....
Vale lembrar que a migração deve acontecer em bandos.
Por exemplo: se a operadora X garantir ligações for free entre seus usuários, vou eu, papai, mamãe, namorado, cunhado, cunhada, tio, primo, tia para a tal operadora....e, quem não for, que pegue seu celular velhinho e compre um chip pré pago da X.
Estava inclusive conversando sobre isso hoje com meu querido, amadíssimo, fofo, lindo amigo FERNANDO (piada interna)...estamos ansiosos pela chegada da segunda - feira, visto que ele acaba de trazer um brinquedinho show de bola de NY e está louco para usufruir de toda sua tecnologia, enquanto euzinha, apenas quero um brinquedinho novo (não precisa ser tão cheio de aplicativos assim!) e ligações for free pro namorado....
Se tiver alguém que more aqui e tenha boas dicas das promoções, reduções de tarifas, e outras consequências da briga de foices, vou adorar saber!!!!

UPDATE:
A portabilidade chegou, foi notícia nos jornais, telejornais e na internet, mas de concreto mesmo...NADA! As operadoras falam em algumas promoções que garantem ligações gratuitas e aparelhos com super descontos, mas, na realidade, todas essas promoções já existiam, e, nas letras miúdas, nos asteriscos e regulamentos, fica nítido que ainda não houve mudança.
Investiram no marketing fazendo com que o consumidor acredite que será recebido como rei na loja. Dizem que você pode testar a operadora e se não gostar, não precisa assumir compromisso (a-ham, mas o que é que essa tal operadora me oferece pra que eu simplesmente queira experimentá-la?). Deram nova roupagem à tudo o que já existia, nos fazendo crer que se trata de alguma supervantagem inédita.
É, eu morri de raiva!!!! Continuo tendo x mil minutos pra falar com os números que pertencem à minha operadora, mas APENAS DEPOIS DE TORRAR OS MINUTOS DA MINHA FRANQUIA...
Ganho novos celulares ultramodernos, SE assinar os planos enormes, caros, com fidelização e, SEM direito a ligar pra telefones de mesma operadora de graça.
Queria saber que vantagem Maria levou com a portabilidade? Depende muito da Maria em questão....
Como eu sou brasileira e não desisto nunca, vou esperar mais um pouquinho e ver se as operadoras se tocam, antes que a gente mude tudo pra Nextel.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

TEMPO, COBIÇA...

terça-feira, 25 de novembro de 2008
Desde quando o tempo resolveu correr mais que eu?
Eu que sou a esbaforida, que quero tudo pra ontem, pra já, pra logo...
Está difícil demais sequer organizar as idéias.... Tipo refrigerante desgovernado que sai rolando no chão do supermercado!!!!
Saudades do blog, de escrever, de ler os meus favoritos e os meus comentários tão especiais...
Não me abandoneeeeem...risos
Tenho uma consultinha básica com meu médico logo mais, e, aí eu vou pra casa TENTAR atualizar minha leitura, e esvaziar um pouco a cabeça....
Until then, vou sugerir 2 presentinhos pra alguém me dar.
Não que eu ache que alguém que leia esse blog deva me dar mais algum presente além da preciosa atenção, mas sabe como é...se o pensamento foge, a gente prende e registra por aqui.
São 2 coisinhas bobas...caras demais, lindas demais!
Uma delas é um iluminador da ARTDECO (eu sei que eu uso muito pouca maquiagem e, só capricho nos fins - de- semana, mas essa eu queroooo...é uma coisa muito Diva, e, é edição limitada! Poxa, tudo que é limitado é VIP...quero ser VIP!!!!!! - FERNANDOOOOO TRAZ PRA MIM??????????? VC ACHA NA FARMÁCIA LÁ EM NY...EU JURO!!!!!!!!!!!!)
ARTDECO GLAM STARS HIGHLIGHTER


A segunda é um perfuminho báaasico. Novo, pro verão, pra não ser TÃO notada nos lugares (assim, só chama a atenção de quem merece!).
Experimentei e, achei o máximo...na minha pele durou 12h, resistiu até ao banho (daí ele quase sumiu, mas estava lá...ao fundo).
Tem um cheirinho de flores frescas, de "acabei de sair de um banho especial". Amei!
AZZARO - NOW WOMEN


Agora, olha que tudo a propaganda... O vidro do masculino encaixa perfeito no vidro do feminino, que nem o abraço da foto...Ui...feliz ano novo!!!!!!!!!!

Ai se eu pudesse, meu dinheiro desse, e meu cartão de crédito me quisesse.....
 
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