Mostrando postagens com marcador Contos da minha vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contos da minha vida. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Conselho de uma grávida aos pais...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Como eu disse antes, queria escrever sobre um monte de assuntos, mas acho que, na hora de postar rola uma greve de neurônios e as ideias acabam todas desconexas.
Já que é assim, então vamos lá....esse será mais um post meio sem pé nem cabeça!!!

Desde o dia em que descobri que debtro de mim havia o serzinho que viria a se tornar o maior amor, o maior presente da minha vida, eu nunca mais fiquei triste! Sério...nada de melancolia, mimimi ou "como eu sofro!". As coisas feias tornaram - se ínfimas!
Em compensação, se a melancolia sumiu, a vibe tsunami veio com força. Impressionante como fiquei brava (mais, muito mais do que eu JÁ era!).
Brava a ponto de chorar com algumas coisas, sabe? Mesmo sem ser para tanto, mesmo sabendo que estou "overreacting" (nunca achei um termo em Português que traduzisse bem essa palavra...alguém?), o sutro é inevitável! Hormônios...
Tenho me estressado muito! Em especial com a minha mãe (o que não é nenhuma novidade) e om o Thiago (pra quem não sabe, pai dessa coisinha rica que cresce dentro de mim).
Meu Deus...seria cômico se não fosse tão trágico perceber que nós, mulheres ficamos grávidas assim que descobrimos, enquanto eles, os pais só percebem a gravidez ironicamente quando ela deixa de existir.
E aí que, pensando em amenizar a raiva das gravidinhas e salvar as peles de caras como o meu namorado que, apesar de parceiros maravilhosos dão altas mancadas e levam incríveis patadas sem sequer imaginarem porque.
Os caras são esculachados e experimentam a ira de suas parceiras de uma maneira tão intensa que, a quem vê de fora, so resta mesmo dar risada.
E, eles não sabem o que fazer, então rezam, imploram pra que o bebê chegue logo e acabe com o espírito "Mike Tyson" de suas esposas.
Aí vão umas considerações a serem memorizadas por todo pai, seja ele de 1º ou 10º viagem:
Lindão, apesar de ser necessário mijar num potinho ou levar uma picadinha no laboratório pra que a gente descubra que está esperando seu herdeiro, sabiba que nós ficamos grávidas no momento em que seu girininho superpower encontra nosso óvulo, ok?
Ou seja...quando o exame dá positivo a gente não COMEÇA a sentir porra nenhuma...a gente simplesmente passa a ENTENDER o que vinha rolando nos últimos tempos. Que tal brincar de gincana com sua mulher e lembrar junto com ela de tudo o que aconteceu de diferente (e, pq não, meio bizarro) ultimamente? Quem sabe aí, você descobre que mau humor, preguiça, sono e choro à toa NÃO SÃO "PSICOLÓGICOS"????
VOCÊ TAMBÉM ESTÁ GRÁVIDO!!!
Não é porque o baby não está na sua barriga e nem chuta seu estômago que vc não está grávido.
Sabe aquele pensamento de que homem tem o direito de se despedir da solteirice? Pois é, aqui não cabe...não existe despedida de "sem filhos". Você simplesmente acorda um dia, sua mulher faz o exame e pronto, você JÁ É PAI. A criança tá ali, protegida por uma barriga (seria muito mais fácil se lá ficasse pra sempre!!!), ela já existe e já tem um papai...perdeu, playboy!!!
Entãaaaao, se sua mulher não pode mais fazer noitadas, encher a cara de cachaça ou dar um tapinha naquele baseadinho por causa do SEU FILHO, nada absolutamente mais justo que VOCÊ, O PAI, TAMBÉM NÃO POSSA!!!!
"Ah! Mas se eu fizer, o bebê não sofrerá nenhuma consequência, nenhum dano" vc virá me dizer...
Ledo engano, queridão!
Brother, te aturar bêbado, fedendo a cigarro e/ou muito louco é motivo muito mais que suficiente para despertar o instinto assassino da fêmea prenha. Você não tá ligado...tirar a gente do conforto, do gostosinho pra aturar descoordenação, falar alto, perto demais e cuspindo (TODO bêbado ou semi - bêbado faz isso...eu juro! Vocês bem sabem o qto sou chegada, mas desde que parei fui obrigada a admitir que qualquer pessoa, qualquer mesmo, que beba mais de 3 copinhos já ganha certa dose de inconveniência de brinde. Sad, but true!!!) é pedir pra morrer! E aí que você não vai querer que seu filho fique sem pai, ou, na melhor das hipóteses, sofra o estresse emocional junto com a mãe dele POR SUA CAUSA, vai?
Isso, sem contar que você possa estar aguçando a vontade da sua esposa (fica aí sem fazer uma parada que você adora e, sente - se à mesa com alguém que o está fazendo com o máximo de prazer possível. Adicione hormônios e tente imaginar a combinação final explosiva). Se isso acontecer, te amaldiçoo! Que seu filho ou filha nasça inchado pra caralho, com olho vermelho, beeeem cara de cachaceiro! Porque é simplesmente desumano fazer uma grávida passar vontade de algo que ela não pode e nem deve fazer.
Entonces, camaradinha....pare de fumar! Não beba excessivamente e não use drogas (especialmente se sua parceira costumava o acompanhar em um ou mais desses hábitos)!!!
O olfato e o paladar ficam extremamente aguçados na gravidez, então, não é pentelhação, é que o cigarro incomoda pra caralho meeesmo! E outra...pense que, ao nascer, seu bebê não terá ainda o pulmão inteiro formado...avalia o estrago de ser fumante passivo nessas condições. Sem contar que seu filho vai acabar chamando qualquer cinzeiro de "papai" né?
Sobre beber....Aqui, a questão tange a responsabilidade.
Largar um carro na mão de uma mulher grávida é sempre meio complicado (vai que seu filho dá uma puta bica e, num reflexo, ela se assusta e tal), mas até aí, se você estiver ok, será um excelente copiloto e tudo certo.
Agora...se você for um copiloto bêbado, merece mais uma vez ser amaldiçoado.
Você não faz ideia da saudade que dá daquele estagiozinho alegre, leve, feliz e super relaxado que só a bebida ou uma excelente massagem podem te proporcionar.
Aí, você vai lá, causa inveja, enche o saco, fala demais e larga o volante na mão da sua mulher. Mancada, velho...só te digo isso!
O mais próximo que uma grávida chega da sensação causada por 3 tacinhas de vinho, é com uma barra de chocolate, uma excelente massagem (DE GRAÇA, É CLARO) nas pernas, nas costas e nos pés (sem necessariamente envolver sexo na sequência, faz favor) e o consequente direito a uma deliciosa noite de sono.
Se você estiver disposto a proporcionar isso à sua mulher (massagem, deixá-la dormir em paz e tal), negocie! Eu toparia fácil! Aturo o Thiago bêbado tranquilamente em troca de 1 horinha de massagem bem feitinha.
Por sinal, se ele entendesse o valor dessa negociação, metade do meu stress desapareceria!

- e mais delicado talvez - MONEY HONEY!
Assuntinho tenso...só de pensar, meio que já subo as paredes de raiva.
Não, darling, sua mulher não tem sempre razão!!! Também não é nenhuma assumidade no assunto maternidade, MAS, com certeza ABSOLUTA, a partir daquele mágico "positivo" que ela recebeu em algum lugar, ela começou a gastar horas todo santo dia em pesquisa.
Pesquisa preço, pesquisa lista, pergunta a TODAS as mulheres que conhece qual é a opinião detas sobre determinados assuntos...pesadela mãe, tia, sogra, prima e, engole tudo o que é conteúdo da internet sobre o assunto. Enquanto isso, você toma uma com seus "trutas", todo babão, em comemoração ao "mini you" que está pintando por aí.
Percebe onde isso vai dar????
Ela se mata pesquisando, devorando tudo, fazendo sua melhor lição de casa pra tentar ser uma mãe ao menos decente, enquanto você deixa rolar, troca uma ideia aqui e outra ali no máximo, fantasiando e, chega com sua linda carinha lavada, perguntando se ela "tem certeza" daquilo.
Malandro...a gente não tem certeza de porra nenhuma, mas já esgotou as fontes e ACHA que deve seguir com a maioria segundo estatísticas...aí vem você, devolvido do Espaço, questionar alguma coisa?????
Pra você meu conselho, amigão!
Ou você faz como sua mulher, e se especializa pelo menos na teoria sobre o assunto, troca conhecimento com ela a respeito e simplesmente desencana do futebol, ou...você olha pra ela como se ela fosse PHD no assunto, não questiona e, se tiver curiosidade, apenas peça a ela pra te explicar. Ela vai adorar despejar o "conhecimento" adquirido.
O fato é que a gente se apavora! É responsa demais ter uma vidinha sob nossa custódia né? Então, deixa a gente achar que fez tudo o que tinha a nosso alcance tá? Deixa a gente se iludir achando que a teoria serve pra alguma coisa, porque olha...toda mãe sabe bem que só se aprende a ser mãe sendo!
Se puder, dê a ela algum presente - uma jóia cai bem - afinal, parceiro, ela está ali, gerando a vida do ser que está prestes a te ensinar a tradução do que é AMOR de verdade.
Já que você não pode, sequer dividir essa função com ela, lembre - se de demonstrar o quanto você agradece por ter se safado dessa responsa.
Em resumo...você não vai ser pai, camarada...VOCÊ JÁ É PAI!!!!
Não espere nem mais um segundo para agir como tal porque senão, é batata, ela se sentirá sobrecarregada e apavorada com a ideia de ser mãe sozinha.
E o mais importante: COMEMORE!
A vida realmente passa a fazer todo o sentido quando se tem um filho.
Seja feliz com sua nova família!!!!


** Se você conseguir se lembrar disso, tenho CERTEZA que os próximos 7 ou 8 meses serão de plena alegria!!!!

sábado, 23 de outubro de 2010

Sinal de Fumaça

sábado, 23 de outubro de 2010
Faz séculos que não venho aqui...mas, não é falta de assunto, muito menos de vontade. Falta tempo mesmo.

Preciso falar do meu trabalho, do meu futuro trabalho, de dicas para os PAIS serem menos odiados pelas mães dos seus filhos durante a gravidez (sério, gente, BOM SENSO!), e quero fazer uma reflexão sobre o quanto minha vida mudou nos últimos 7 meses...Malandro...2010 É a minha caixa de Pandora...Mudou absolutamente tudo! Só faltou eu ficar loira!

Mas não vai ser agora que vou escrever sobre td isso pq né?

Tá puxado!

Só para fingir que escrevi algo útil, vou deixar uma foto que traduz o amor e a felicidade que estou vivendo...

Volto logo!

domingo, 22 de agosto de 2010

O ilustre desconhecido

domingo, 22 de agosto de 2010
À primeira vista, aquele escuro que é o desconhecido causa curiosidade, causa uma euforia louca. A ideia de mudar, de algo diferente, de quebra da rotina dá aquele friozinho na barriga delícia.
Mas aí, a razão toma as rédeas da brincadeira, e vem o medo. Medo não...pavor, pânico.
E é aí que eu me encontro.
Meu quarto é um mar de caixas. A sala parece um depósito e está quase tudo pronto pra nossa mudança.
Foram 21 anos, 3 meses e 2 dias nesse apartamento.
Cada pedacinho daqui tem uma participação na minha vida e, tudo isso vai ficar pra trás.
Dessa vez eu não sou mais criança, não dependo dos meus pais e a mudança não vai acontecer sem que eu precise me preocupar.
Dessa vez também, eu não vou sair sozinha de casa, podendo correr pra cá a qualquer momento sentindo o cheiro da proteção que a infância me traz.
É muito louco pensar que vou sair daqui, começar uma nova vida, num lugar novo, sendo um personagem completamente novo.
Agora eu sou MÃE.
Ao mesmo tempo em que fico eufórica, fico apavorada de saber que tenho que me adaptar e rápido a uma casa nova, a uma vida nova, a muitas novas responsabilidades.
Não é como planejei.
Achei que não teria um filho antes de me casar. Jamais imaginei criar meu bebê dentro do meu quarto num apartamento com minha mãe e avó. Claro que meu namorado deve morar o máximo possível com a gente - essa é a ideia - mas, ainda assim, não é como planejei.
Enfim...levando em conta a minha história - alô Televisa, vendo meu roteiro - chegou a hora de aprender a confiar, a não planejar tanto nem surtar quando as coisas fugirem ao meu ilusório controle.
Pois é...em alguns dias estarei numa casa nova, em pouquíssimos meses terei minha filha no colo e a responsabilidade de ensiná-la tudo o que eu sei e de protegê-la da maldade do mundo.
Pânico, com certeza....mas feliz, MUITO feliz...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pink Stripes

quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Era mais uma madrugada de sexta para sábado, eu e o namorado voltando da balada de quase toda sexta - feira.
Paramos naquela Temakeria nova, fizemos gracinha, amizade com o garçom.
Na saída, vi as luzes da farmácia, e fui lá...comprei logo o trocinho pra tirar aquela paranóia da cabeça.
Logo pela manhã, acordei na ressaca, louca pra fazer xixi. Vi a caixinha ali, prontinha pra usar...E então....
2 pauzinhos rosas. Que porra significam 2 pauzinhos rosas???? Perdi o chão, levei as mãos à cabeça e acordei o namorado.
"Thiago, caralho, e agora???"
Andei de um lado pro outro e, como se não conseguisse acreditar, liguei pro meu pai: pai, vc será avô!
Parecia um sonho, daqueles lotados de sarcasmo.
Não quero ser mãe agora...não tenho onde morar, não tenho marido, e, nem sequer passei na experiência do trabalho ainda.
Porra, os médicos me garantiram que eu teria que fazer tratamento pra engravidar, e eu não me lembro de camisinha estourada ou qualquer tipo de vacilo. Como assim, grávida????
Fui fazer o exame de sangue já no mesmo dia....
Não, eu não estava imaginando coisas...de fato, meus pais serão avós e meu namorado vai ser pai.
Chorei por uns 7 dias seguidos. Dormi pouco, me desesperei mesmo.
Primeiro: e se eu for mandada embora e não pudermos pagar o leite, as fraldas, o convênio dessa criança?
E se, eu for igual à minha mãe e não sentir aquele amor imensurável pelo meu filho quando ele chegar?
E se a família do meu namorado achar absurdo ele ser pai aos 26 anos?
Que timming, hein, vida? Que ironia....
Aos poucos Deus foi mostrando o caminho, foi acalmando meu coração ansioso...As famílias foram se apaixonando e eu, entendendo que o Thiago tem razão: "linda, sentir esse medo é natural, mas a gente se ama, vai dar tudo certo".
E é...ele tem mesmo razão.
Faz 11 dias que descobri que um coraçãozinho bate na minha barriga (e, cara, ouví-lo é simplesmente surreal, porque, para mim, foi tão natural, tão normal, que parecia que essa vidinha morava ali já há uns 32 anos!) e, meu mundo, meu cenário mudou por completo.
Agora que começo a pensar somente em nós; É impossível não acordar sorrindo, não me sentir completa e radiante por saber que nunca mais estarei sozinha, por saber que meu coração baterá lotado de amor pro resto da minha vida.
Eu não sei nem por onde começar, é verdade - e preciso aprender bem rápido pois já passo dos 3,5 meses de gestação - mas, de alguma forma, eu me aquietei, eu confiei e sei que cedo ou tarde, as respostas, o caminho estará aí, diante dos meus pés.
Não serei uma mãe perfeita! Como todas as outras, cometerei erros, mas tenho certeza de que nunca, nunquinha faltará amor a essa criança.
Seja bem vinda Letícia ou Leonardo...
façam suas apostas!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Coerência, cadê?

segunda-feira, 12 de julho de 2010
Não vou ficar repetindo fatos desagradáveis que já narrei aqui porque nem eu mais tenho paciência de lembrar deles.
Digamos que, há dois anos eu decidi me afastar de uma grande amiga. A amizade andava pesada, intensa demais, só que de um modo negativo. Não estava rolando respeito. Por isso resolvi dar uma AFASTADA.
A ideia não era deletar, excluir essa pessoa da minha vida, e sim, dar um tempo simplesmente. Mas, curiosamente, pra ela não foi assim. Msn, e-mail, orkut, telefone...em tudo o que ela poderia, me deletou.
Até aí, direito dela, certo?
A merda toda começou quando os amigos em comum foram soltando suas histórias, quando fui descobrindo que a meta era queimar meu filme da maneira mais irreversível possível com o maior número de pessoas que ela pudesse, inclusive as que ela pouco conhecia e que faziam parte do meu Universo.
A partir daí, achei doença. Não concebo a ideia de neguinho te tratar como rei e, tramar o golpe de estado quando vc vira as costas.
Vou te contar que até mentir pra mãe de amigo meu ela mentiu.
Minha conduta diante disso é bem simples!
Me afasto, ignoro a existência da pessoa e espero que ela me esqueça também.
Obviamente que meu sangue não é de barata, então, durante um tempo é capaz que eu fique irritada, cheia de vontade de falar um monte de merda pra pessoa.
Mas, como diz a Patrícia no blog dela: "Nego te encontra e fala "opa tudo bom? saudades" e te dá um abraço. Sendo que nego sabe o que fez e se não souber, pior, dentro daquilo tudo que eu acho. A pessoa tem obrigação de saber. Não vem com esse papo de "aconteceu alguma coisa? o que eu te fiz?", sabe."

Aí, sabadão, saio felizona com o namorado e um amigo dele. O bar fecha e a gente resolve ir pra um outro bar, tomar a saideira.
Lá na mesa, os 3 empolgados, rindo, e, quando olho pro lado, vejo a tal amiga vindo em minha direção.
Num primeiro momento pensei que ela estivesse indo em direção a outra mesa, mas não...ela chegou, braços abertos, sorrindo com os olhos, como se NADA NUNCA tivesse acontecido.
Como se ela jamais tivesse feito qualquer coisa contra mim; Como se ela me adorasse muito e fizesse, sei lá...2 meses e não 2 ANOS que a gente não trocava uma palavra.
Perguntou dos meus pais, quis saber do meu trabalho (provavelmente pra me contar do dela, afinal, ela deve ter achado que eu continuava com a minha vidinha sem futuro e tal e, nesse momento MUITO orgulho do meu trabalho atual).
Tenho certeza de que ficou muito claro o quanto eu estava achando a presença dela ali absurda.
Porra, vc vai lá, fode com a minha vida pelas minhas costas e ainda se faz a vítima, queima meu filme até com quem não me conhece e surge querendo me dar um abraço sincero (JURO que, nos olhos dela, havia carinho, sinceridade)? Eu não tinha te visto e nem a veria, brother...
É cara de pau, memória fraca ou desvio de conduta (tipo doença mesmo)?????
Fala sério...
Que fique claro a quem possa interessar:
Não, eu não tenho mais nada contra você, e não me interessam seus motivos. PASSOU, ficou láaaa atrás.
No hoje não cabe falar, revirar nem tentar resolver o assunto.
Simplesmente desejo que vc seja feliz, que colha os frutos das suas atitudes bem longe de mim, ok?
Sucesso, gata e, se me encontrar novamente na rua, tenha a dignidade de fingir que não me viu, pq embora eu não a tenha visto, se o tivesse, com certeza fingiria que não vi!
***muah***

Inferno Astral?

Esse mundo anda completamente fora de prumo.
É final de Copa do Mundo entre times que não tem estrelinhas na camisa, é polvo bancando Nostradamus e acertando todas as previsões, nego matando a mãe do próprio filho e dando o corpo pra pobres cachorros comerem. Sem contar gente que é traída, grava vídeo e joga na internet a fim de ser world web corna.

E, em meio a tanta maluquice, tanto apocalipse, EU ARRUMEI UM EMPREGO.
Daí, que não soube dizer se era o presságio do meu inferno ou a bóia salva - vidas me dando mais uma chance pra nadar.
Fiz uma entrevista numa segunda - feira e, 3 horas depois estava eu fazendo exame admissional pra começar a trabalhar na terça, em plena semana de feriado.
Já fiz hora extra, já fiquei maluca, já saí mais tarde que a chefe, mas ó...TÔ ADORANDO!

É estranho, uma sensação maravilhosa, como se fosse meu 1º emprego. Só que não é!
Já tive muita responsabilidade trabalhando como dentista, e, de fato, trabalhando na área administrativa, eu nunca tinha tido essa sensação de andar sobre minhas pernas. Não tenho certeza, mas, provavelmente eu não achava que eu era capaz (ah vá? Jura que eu duvidava da minha capacidade?).
De qualquer forma, estou super sendo capaz, e já ganhei umas estrelinhas da chefe (saudade da pré escola!).
Pouco importa minha função, a realidade é que finalmente a nuvem negra saiu da minha cabeça. GRAÇAS A DEUS.
É isso...devia ao blog uma notícia boa...e, para mim, está de bom tamanho.
Ganho mal, mas adoro o que faço...tá bom assim?

PS: Quando os problemas maiores somem, os pequenos parecem nem existir, e, daí, me peguei com medo de essa fase "de paz" acabar logo. Tô traumatizada?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Girls do cry!

sexta-feira, 25 de junho de 2010
Ainda em meio ao vazio, à deprê sem motivo plausível, muita, mas muita coisa mesmo veio à cabeça.
Momentos - chave da minha vida, nos quais eu poderia ter tomado outro caminho. Onde eu estaria agora e tal...
E, sempre que essa nostalgia bizarra (sim, porque, convenhamos, que caralhos adianta pensar em "como seria se" se é impossível voltar no tempo e descobrir? Se tudo não passa de uma especulação que serve apenas pra te jogar ainda mais pra baixo?) rola, vem á minha memória uma fase da minha vida que não foi propriamente feliz, na qual eu sofri no melhor estilo "Maria do Bairro". Essa fase talvez seja tão importante por ser precursora direta de quem eu me tornei, e, principalmente por ter sido a fase na qual eu me senti mais VIVA de fato. Ali, chorando, rindo por pouca bosta, lutando por uma esmola de carinho, eu me sentia viva, pulsando...e, sentia cada corte, cada porrada que aquele circo dava no meu corpo.
Ao fundo uma novela, uma cena qualquer, provavelmente de amor, e toca uma musiquinha velha conhecida, numa versãozinha bem mela cueca, que, só fez aumentar a melancolia.
Na realidade, se fosse melancólico de verdade, estilo Smiths eu acho que teria me jogado da janela.
Enfim, dei um google pra ler a letra inteira...nunca tinha prestado atenção.
E aí, mermão, tomo três tapinhas na cara..."get over it, Ana Paula! A vida é assim e fim!"
Tempo nenhum volta atrás. Não importa se você descobre o que aconteceu de errado e a fórmula mágica pra fazer tudo de novo, só que dando certo dessa vez. O tempo simplesmente não volta atrás.
Divido aqui letra, tradução e versão romantiquinha!
Enjoy it!



Boys Don't Cry
The Cure
Composição: Michael Dempsey / Robert Smith / Lol Tolhurst

I would say I'm sorry
If I thought that it would change your mind
But I know that this time
I have said too much, been too unkind

I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try to laugh about it
Hiding the tears in my eyes
'Cause boys don't cry
Boys don't cry

I would break down at your feet
And beg forgiveness, plead with you
But I know that it's too late
And now there's nothing I can do

So I try to laugh about it
Cover it all up with lies
I try to laugh about it
Hiding the tears in my eyes
'Cause boys don't cry

I would tell you that I loved you
If I thought that you would stay
But I know that it's no use
That you've already gone away

Misjudged your limits
Pushed you too far
Took you for granted
I thought that you needed me more



Now I would do most anything
To get you back by my side
But I just keep on laughing
Hiding the tears in my eyes
'Cause boys don't cry
Boys don't cry
Boys don't cry


Garotos Não Choram
Eu diria que estou arrependido
Se achasse que isto faria você mudar de idéia
Mas eu sei que desta vez
Eu falei demais, fui indelicado demais

Eu tento rir disso tudo
Cobrindo com mentiras
Eu tento rir disso tudo
Escondendo as lágrimas em meus olhos
Pois garotos não choram
Garotos não choram

Eu me desmancharia aos seus pés
Mendigaria seu perdão, imploraria a você
Mas eu sei que é tarde demais
E agora não há nada que eu possa fazer

Por isso eu tento rir disso tudo
Cobrindo com mentiras
Eu tento rir disso tudo
Escondendo as lágrimas em meus olhos
Pois garotos não choram

Eu diria a você que te amava
Se achasse que você ficaria
Mas eu sei que é inútil
E você foi embora


Julguei mal o seu limite
Fiz você ir longe demais
Te subestimei, não te dei valor
Pensei que você precisasse mais de mim

Agora eu faria qualquer coisa
Para ter você de volta ao meu lado
Mas eu só fico rindo
Escondendo as lágrimas em meus olhos
Pois garotos não choram garotos
Garotos não choram
Garotos não choram

segunda-feira, 21 de junho de 2010

É TEEEEEEEEEEETRAAAAA!

segunda-feira, 21 de junho de 2010
Quem acompanha minhas alucinações por aqui já sabe um pouco dessa história e, quem me conhece já não aguenta mais saber, mas, eu sou repetitiva, fazer o quê?
Desde novinha, fui criada de uma maneira conflitante com meus impulsos, minhas vontades.
Por volta dos 15 anos, queria trabalhar em loja de shopping pra ganhar uma graninha só minha, ou então, na locadora da rua de casa. Era o trampo dos meus sonhos. Passar a tarde inteira assistindo filmes, lançamentos, atendendo um ou outro cliente, inclusive com certo tempo pro dever de casa.
Cheguei a fazer uma entrevista com o moço da Locadora, mas aí, meu pai vetou.
Meu pai é um cara bacana, liberal pra caramba, cabeça boa. Seu defeito é o orgulho!
Ele veio de família bem pobre, trabalhou em 2 subempregos pra bancar faculdade e tal. Maior orgulho da vida dele, os filhos não PRECISAREM trabalhar pra pagar os estudos.
E, aí eu digo que ele errou!
Errou porque, pra um adolescente, é muito importante aprender o valor do trabalho, a responsabilidade, entender e se interessar por um mercado no qual está prestes a competir.
Acho uma lição imprescindível que não tive.
Não é questão de precisar financeiramente, e sim, de precisar para a formação de caráter, para formação do "adulto", sabe?
Obviamente, na época eu não sabia isso e, bem, não vejo absurdo ou algo incomum, o adolescente se conformar com a ideia de só estudar e ganhar sua mesadinha só na vida mansa.
É muito mais fácil aceitar o mais cômodo do que batalhar pra fazer o que se quer quando isso implica perder suas regalias.
A gente (eu, pelo menos) trabalha para ganhar dinheiro e, com ele poder ter a vida que achar mais adequada e feliz. Se você pode ganhar esse mesmo dinheiro sem ter que trabalhar... É como nego dizer que continuaria trabalhando caso ganhasse na mega sena! Lamento...hipocrisia pura!
*Trabalho voluntário nem entra na discussão porque, é ÓBVIO que ninguém o realiza com qualquer tipo de fim lucrativo.
Continuando...
Se, naquela época eu soubesse o que eu sei hoje, teria insistido sim.
Se o erro do meu pai foi facilitar as coisas pra mim a ponto de eu perder essa valiosa lição, o meu erro, foi não ter a humildade suficiente pra ver que eu era uma cabaça, totalmente inexperiente e não estava pronta pra escolher uma faculdade.
Meu pai me deu a liberdade de fazer o que eu bem entendesse e, nessa fase, eu deveria ter dito: QUERO TRABALHAR!
Eu disse que faria faculdade, fiz o curso errado (não que eu odeie, mas a somatória de não gostar muito e não valer à pena financeiramente é o suficiente pra considerar minha escolha um fracasso), me formei e fui trabalhar.
Andei, corri, me arrastei como se estivesse numa esteira mecânica, saca? Você faz o esforço, dita a velocidade, tudo depende de você, só que você simplesmente não sai do lugar.
Num determinado momento, meu pai precisou do meu nome e, eu, com toda a experiência em atos acomodados que havia aprendido, corri pra baixo da asa dele sob o pretexto de ver a empresa de perto. De cuidar do meu CPF.
De fato, foi uma escolha inteligente, porque, na minha ausência, a tragédia teria se abatido no segundo ano já talvez. Segurei o quanto eu pude, mas a quem eu queria enganar?
Claro que fui trabalhar na empresa por comodismo, por ser mais fácil e pra não ter a responsa! Eu já imaginava que não conseguiria endireitar a cabeça do meu pai e evitar que ele cometesse os mesmos erros administrativos de sempre, mas, era bem cômodo fingir que eu tinha esperanças.
Seis ou sete anos se passaram e a bomba estourou. Não cabem aqui os motivos que nos levaram a chegar nessa situação extrema na empresa. O intuito é contar a história que é só minha e, nessa história, esse momento de quebra (ou quase, porque não quebrou, mas também não está de pé) da empresa me trouxe finalmente a consciência da minha realidade.
Daí que, quando você dá de frente com o espelho e a imagem da sua vida, você saca cada uma das suas cagadas e sente um gosto amargo, cruel de "eu devia e podia ter feito diferente!".
Chorei, desesperei, fiquei com muita raiva e vergonha de mim.
Entendi que negligenciei minha vida, que "mamei nas tetas" que me apareceram na frente, sem jamais me preocupar em construir meu futuro. Eu sou o porquinho que fez a casa de palha para ter mais tempo pra me divertir e viver a vida.
Aos poucos, entendi que nada do que eu fizesse agora poderia mudar o que já foi. Era hora de tentar fazer, antes tarde do que nunca, o esforço, o trabalho que eu nunca fiz.
(Não é que eu nunca tenha trabalhado ou me esforçado. Me refiro aqui às dificuldades de trabalhar, estudar e bancar a si mesmo tudo ao mesmo tempo como a maioria dos estudantes brasileiros)
Comecei - e continuo - a procurar emprego, fazer planos para entrar numa nova faculdade e, tentar chegar a algum lugar.
Até agora isso não deu em absolutamente nada. A rejeição nas entrevistas te joga pra baixo e me faz ter a certeza de que eu não sirvo pra nada.
Diante daquela mesma imagem no espelho que me fez chorar, é muito, muito difícil acreditar que eu seja capaz de sair desse buraco, de ser alguém algum dia.
Autoconfiança? Não trabalhamos...
A série de fracassos leva ao desespero - e se eu nunca mais conseguir nada?
Nem a fé de que as coisas são como elas devem ser me fazia companhia.
Tenho uma amiga que insistia que eu prestasse um concurso público. Não ri na cara dela porque ela poderia não entender e sentir - se ofendida, sabe?
Mas, eu sempre soube que é impossível, que é pra poucos e chega a ser mais tenso do que vestibular. Imagine...eu, indisciplinada, preguiçosa e incapaz como a imagem do espelho, tendo a petulância de me inscrever num concurso público.
Ela me ofereceu umas apostilas emprestadas e, eu, sem graça, resolvi aceitar.
Nessa fase, todo o furacão era bem recente, então eu estava totalmente fora do eixo e, seria bem providencial dizer que eu iria estudar pra dar uma fugida da realidade, pra não ter que encarar que a vida lá fora era muito feia e estava me apavorando demais.
E, aí, ironia do destino....a preguiça, a indisciplina e a incapacidade de sair atrás de um recomeço, de um emprego, virou força e disciplina pra estudar.
Fui ficando feliz comigo porque em alguns dias, cheguei a estudar 6 horas! Cara, nem na época de faculdade eu estudei tanto!
A semana da prova chegou. Era um mix de sensações. O dever cumprido por ter conseguido ter a disciplina de estudar, a coerência e noção de realidade de que aquilo não era o suficiente, o nervoso por estar prestes a fazer uma prova que mostraria a todo mundo que não sou inteligente como todos pensam e esperam. Ali, era o momento final, a prova dos nove de que eu sou apenas uma mulher medíocre, mediana.
Faz entrevista daqui, entrevista dali, passa o mês e chega o dia de publicarem o resultado no Diário Oficial...
Acordei com um mal estar terrível, medo, uma vontade de não ver esse resultado. Uma briga interna entre "não pensa negativo porque tudo o que a gente pensa, a gente atrai pra nossa vida!" e "porra, não viaja, não se enche de esperança porque você sabe que não foi bem o suficiente pra passar!".
Abri logo o link do resultado. Corria os olhos pelas páginas, olhando uma a uma as cidades que não eram a minha.
A barriga gelada, o pânico na goela já e, quando chegou na fatídica página, tudo embaralhou. Juro, acho que cheguei a quase desmaiar!
Daí, meu nome brilhou.
Estava ali...nome, sobrenome, inteirinho.
Eram 21300 inscritos e apenas 867 foram aprovados. Eu fiquei em 346º lugar.
Li, reli, li mais uma vez e gritei. Gritei com dor, com desespero, com o choro rolando e uma das emoções mais incríveis que já senti.
Gritei pra que eu ouvisse, porque eu nunca acreditei.
E chorei, chorei e gritei baixinho porque ninguém mais pode entender o tamanho daqui pra mim.
Não, eu não sou um completo fracasso, não sou medíocre, e não vou depender financeiramente de alguém pro resto da vida. Não vou ser estorvo, motivo de pena, de vergonha. Eu juro, isso era muito palpável já para mim.
Já me via nessa situação, já pensava em como eu teria que me virar.
Eu estava convencida de que perdi essa vida, essa chance e que só na próxima é que eu poderia construir minha vida com tijolos de trabalho.
E eu tava ali, naquela lista, cheia de esperança, emocionada.
Muito mais do que um emprego futuro (ainda preciso ser chamada, passar nos exames e entregar a documentação necessária. Sim, eu ainda tenho medo), isso era a esperança, era o sonho de ainda poder ser alguém.
E, pra quem quiser ter uma ideia do que eu senti, do tamanho que era esse grito entalado na garganta e, do quão patética eu fiquei gritando, é só dar uma olhada nesse vídeo e, deleitar - se com nosso "querido" Galvão!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

No Divã

quarta-feira, 12 de maio de 2010
A melancolia dessa quarta - feira me fez querer falar um pouco mais de passado, de rejeição, das entranhas das minhas fraquezas. Me fez ter a tendência suicida de escancarar as piores verdades.
Não tive uma infância ruim; Pelo contrário, analisando friamente, sempre morei em casa própria, tive estudo particular, brinquedos e nunca passei nem frio e nem fome. Não abusaram sexualmente de mim e nem assisti a cenas sórdidas de sexo ou violência.
Mas, sabe, pensar que uma criança pobre vá crescer, impreterivelmente cheia de problemas é tão imbecil quanto achar que os ricos tem vidas perfeitas.
Mais uma vez, a vida mostrava sua ironia...
Há pouco tempo, quando vivi o Câncer, ouvi muita gente dizer que me admirava, e que era uma situação hercúlea sem sequer saber do que se tratava.
Bom, eu, particularmente, acredito que cada um lida e sofre os problemas de uma maneira, além do mais o próprio conceito de PROBLEMA é pessoal e totalmente intransferível.
É, eu sofri um câncer e vos falo...foi tranquilo. Foi ruim, dolorido, demorado, mas passei com honra ao mérito. Não estava ali meu calcanhar de Aquiles.
Hoje, desempregada a míseros 2 meses, desesperada, vejo o que realmente é o meu inferno. Não sei lidar com isso e, pasmem, em 2 meses de desemprego, já sofri bem mais do que em 1 ano de tratamento de câncer.
Na minha infância, tb sinto essa "ironia" da vida, pois como disse, não tive grandes traumas, pelo contrário, tive uma vida que, vista pela janela era até bem divertida. Mas, problemas "simples" como estar acima do peso, ter uma mãe ausente e competitiva, ou como estar desempregada é que são os verdadeiros holocaustos para mim.
Quando as pessoas conhecem a minha família, a princípio não conseguem entender a minha carência, a minha reclamação, afinal, todo mundo é tão legal...
Mas eu nunca tive MÃE! Minha mãe biológica vive comigo até hoje, mas ela jamais foi mãe de criação, sabe? A mãe que ensina, que repreende, que dá apoio, colo, carinho, que manda usar o guarda-chuva e que, com olhar orgulhoso te vê crescer.
Quem é órfão tem ideia do que estou falando, mas não tive a oportunidade de ter sequer as esmolas de carinho, a solidariedade e o afeto de quem se compadecia do meu orfanato porque mamãe estava logo ali, sempre a alguns metros de mim.
Não só sempre fui invisível para ela, como fui alvo de competição.
Sabe a irmã mais velha que morre de ciúmes da mais nova?
Aos 2 anos, lembro quando eu tinha pesadelos, corria pro quarto da minha mãe que imitava monstros e saía perambulando, tirando sarro do medo que eu sentia.
Chorava baixinho e esperava todo mundo dormir para sonhar um mundo em que pudesse correr pros seus braços e você me proteger.
Meu pai, do contrário, sempre foi o meu herói, o meu paizão. Esteve ali, pra me apoiar com seu ar todo desajeitado.
Meu pai nunca teve muito tato pra lidar comigo, mas me deu o que eu mais precisava, amor.
Toda criança chega para a mãe querendo colo, proteção, carinho quando sofre qualquer tipo de ameaça em sociedade. É o famoso "vou contar tudo pra minha mãe!" (porque supostamente, ela irá tomar alguma atitude em minha defesa). Pois também eu corria. Minha mãe ria da minha cara, me mandava deixar de ser besta, brigava comigo e dizia o quanto eu era idiota.
Lembro que eu fazia de um tudo pra ser aceita. Naquela época, já achava que, se alguém não queria brincar comigo era porque eu não era boa o bastante. Se minha mãe não me dava colo e dizia ter me achado na lata do lixo (era de brincadeira, mas, eu acho que, aos 6 - 8 anos é difícil aceitar e entender isso como tal), dizia que eu era tonta e que tudo o que eu fazia direito não era mais que minha obrigação, é porque eu REALMENTE não era boa o bastante.
Quando era adolescente, minha mãe resolveu que era a hora de descontar em mim a rigidez que o pai dela teve com ela;
"Mãe, posso ir na casa de fulana?"
"Não!"
"Por quê?"
"Por que não!"
E, tambem tinha a clássica demonstração de poder...ela tinha necessidade absoluta de provar - se maior do que eu, mais importante hierarquicamente falando.
Eu praticava esportes, e ela era dona de casa. Meu pai pagava o carro dela para que ela me levasse à escola, ao treino, para que ela cuidasse da casa e também saísse para se divertir. Quando faltavam 5 minutinhos para sairmos para o meu treino, ou para os jogos de campeonato ela teimava em dizer que não ia. Fim. Não ia porque não queria e ponto final.
Eu chorava, soluçava e, a essa hora não adiantava querer pegar ônibus, carona ou ligar pro meu pai. Já não dava tempo. Restava - me tirar o uniforme do time e deitar na cama e chorar. Nem bem escorriam as primeiras lágrimas no travesseiro, ela aparecia, fanfarrona na porta do quarto "Você não está pronta?!".
Parecia que havia uma necessidade quase que cruel de sentir - se dona das minhas emoções, de controlar o que eu sentia.
Vieram os namorados, os estudos, os traumas e briguinhas de escola e NUNCA, mas NUNCA minha mãe me disse: "filha, nem sempre vamos acertar; Deus nos dá vitórias e também derrotas para que póssamos crescer. Você sempre pode tentar de novo!"
O que eu ouvia? VOCÊ NUNCA VAI CONSEGUIR HAHAHAHA!
Minha mãe não me ensinou que é normal tropeçar, que não é possível acertar e ganhar todas. Ela deu a entender que a cada derrota, tropeço, erro eu me torno pior, mais frágil, mais inferior.
Quando estava no segundo ano de faculdade eu sabia que não queria ser dentista, mas se parasse ali, eu daria razão a ela, eu realmente provaria que eu não consegui e, levada por uma imaturidade, segui em frente.
Os namorados, o sexo, os medos, a crise por ser gorda nunca foram muito conversados com o meu pai também. Ele era aquela presença ali, onde eu sempre encontraria um abraço, aquela pessoa que também achava que eu não ia conseguir mas não por não ser capaz, mas por ser ainda uma criança (meu pai me trata como adolescente até hoje!).
Quando me formei, me vi livre da minha mãe...e, foi aí que me vi perder meu pai. O casamento deles, por causa da personalidade mimada da minha mãe, havia acabado e, ele não havia conseguido se separar como deveria.
Conheceu outra pessoa e, achando que devia esconder isso de mim, se afastou. Foram longos 4, 5 quiçá 6 anos de distanciamento, nós três morando sob o mesmo teto, cada um num quarto.
E, então eu descobri que meu pai tinha outra família. Morri um pouco por dentro pois o meu melhor amigo não havia confiado em mim, pois eu havia sido privada de viver o nascimento do meu irmãozinho, porque ele sequer sabia quem eu era.
De repente, eu resolvi crescer, resolvi que não ia mais precisar de ninguém porque amá-los sem me sentir amada havia me machucado demais.
A vida veio, riu da minha cara e eu me vi careca, em meio à quimioterapia no mesmo mês em que meu pai finalmente saíra de casa.
A essa altura, vovó já morava com a gente e era para a minha mãe, a MÃE que eu queria ter tido quando criança.
Elas viviam um Universo paralelo e, enquanto eu amargava enjôos, dores e encarava o tratamento de frente, elas viviam sua rotina tranquilamente. Assisti minha avó cuidar da minha mãe como se eu não existisse pois, pobrezinha, ela tinha uma filha com câncer!
Minha mãe agia como se eu tivesse morrido, como se eu não estivesse ali. Fazia um circo, um teatro pra ir ao médico comigo, mas, nos dias das consultas, ela sempre esquecia e eu acabava indo sozinha. Fui eu sozinha quem brigou com o convênio para que eu pudesse fazer meu tratamento. Todo mundo sabia, e, se esquivava, seguia cada qual o seu caminho, a sua rotina.
E agora, bom...agora estou aqui, inútil como ela (que brinca o dia inteiro no Facebook e vive às custas da pensão da minha avó de 93 anos), dependente como ela, simplesmente lembrando que não, "VOCÊ NUNCA VAI CONSEGUIR HAHAHAHA!".
Obviamente sou carente e não sou amorosa com ela. Também obviamente, ela não tem a menor ideia do motivo pelo qual eu seja assim. Nunca a ensinaram que pessoas erram, e que devemos ser humildes.
Tento não culpá-la e até consigo. O que eu não consigo é não sentir falta, é aceitar que não tenho o colo, a MÃE quando eu preciso, porque ela está ali, a míseros 5 ou 6 passos de mim. O que não consigo é entender como não se manifesta nela o amor incondicional, instintivo que toda mãe tem por sua cria.
Chorei hoje o dia inteirinho, e ela fingiu que não viu. A empregada anunciou, e ela fingiu que não ouviu.
Talvez tudo isso explique porque preciso tanto trabalhar, me sentir útil e dependente apenas de mim. Tenho pavor de depender de quem não parece me enxergar, sabe?
Talvez, isso tudo explique meu desespero em conseguir um emprego, e, minha dor imensurável cada vez que dá errado e, que eu tenho que lidar com a rejeição. Então eu encaro as palavras dela do quanto não sirvo pra nada, sou idiota, inútil ou não vou conseguir.
Eu não sou uma pessoa burra, mas sou uma pessoa com muita dificuldade de lidar com meus erros. Não consigo aceitá-los como naturais, lembrando que todo mundo erra. Eu SEMPRE acho que meus erros são mais burros, mais justificáveis pela incapacidade e incompetência do que qualquer outra coisa. Eu nunca sou boa o bastante. Se consegui algo, nunca foi pelo meu esforço, sempre foi porque alguém deve ter me ajudado.
Quando eu cresci e me livrei da necessidade de colo de mãe, a vida veio e me colocou um relacionamento que deu muito errado pra que eu precisasse dela, mas ela não esteve lá e eu chorei sozinha; Me deu um câncer para que eu precisasse dela, e ela também não esteve lá e eu lutei sozinha. Agora, me deu o desemprego, e, eu novamente preciso dela...e...adivinhem? Ela não está aqui.
O que tudo isso quer dizer?
O que é que eu tenho que aprender com tanta lágrima, com tanta solidão e rejeição? Eu faço o meu melhor, superei tudo sozinha até hoje, por que diabos preciso continuar nessa lição?
Eu não quero, eu não aguento mais esperar por um carinho, um colo, um abraço que mesmo eu pedindo, nunca vem. Por favor, me deixa seguir em frente com a minha vida?
Eu só queria voltar a ser eu mesma e lembrar de como é sorrir e ser feliz....

Falência

"O que mais desespera, não é o impossível. Mas o possível não alcançado."
Robert Mallet

Li essa frase pela manhã, logo após conferir o gabarito da prova que prestei domingo.
Não acho que fui mal. A prova estava bem difícil, eu não conhecia quase nada da matéria, estudei por pouco mais de 40 dias...Levando em conta tudo isso e meu emocional que chega a estar desequilibrado o suficiente pra chorar à toa (cabe aqui um parênteses: eu ando tão babaca que chorei escrevendo um texto numa entrevista de emprego, conversando com uma psicóloga numa outra, e ontem, ao entrar no colégio que estudei a vida toda), até que está bom...33 pontos de 60 possíveis!
Por mais que a razão repita incessantemente o parágrafo acima, não é assim que eu sinto.
Eu sinto a primeira frase...o desespero de saber que é pouco pra passar e que, é mais uma rejeição.
Eu não sei lidar com a rejeição, com a sensação de não ser boa o bastante pra determinada coisa. Na verdade, em se tratando da vida profissional, trata - se de adequação.
Quando não sou adequada à vaga, me sinto não sendo boa o bastante.
As sensações ruins, a falência, a sensação de incompetência tem crescido demais dentro de mim.
Os Psicólogos diriam que essa instabilidade toda tem a ver com a relação estabelecida entre minha mãe e eu. Se não consegui agradá-la, a eu iria agradar????
É mais ou menos esse o argumento que justifica minha auto estima tão frágil.
Na prática, eu só consigo chorar e me sentir medíocre em tudo.
Escrevo direito, mas nada que se destaque; Sou inteligente, mas nada de mais...é o mínimo para ser considerada normal. Tenho um rosto bonito, mas não o suficiente que compense meu corpo disforme.
Sou uma vencedora, mas não diferente da imensa maioria das pessoas que vencem suas batalhas diárias.
Enfim, sou medíocre! Tenho uma vida medíocre, um futuro provavelmente medíocre e hoje, não tenho sequer, um emprego medíocre.
Fico me questionando pra que sirvo no contexto mundial?
Qual é a diferença de estar nesse momento vivendo aqui nesse planeta, sabe?
Algumas pessoas me acham incrível, inteligente e extremamente capaz, e, elas podem até estar certas, mas os fatos não vão por essa direção.
Me sinto péssima e nem escrever direito mais estou conseguindo.
Não sei o que, muito menos como fazer pra reverter essa situação e me vejo cada vez mais imersa nesse ciclo vicioso terrível.
Sumiu a esperança, aquele brilho dos olhos de quem acredita em Natal, em um momento que faria toda essa medíocridade especial.
Sumiu a esperança de achar que eu sirvo pra algo que ainda desconheça.
Só restou mesmo a vontade...a vontade de acordar e perceber que tudo isso foi um imenso pesadelo, que é véspera de Ano Novo e eu caí no sono esperando 2010 chegar.
Essa vontade também judia, porque se eu não quisesse tanto virar esse jogo, se não quisesse tanto voltar a ser quem eu sou, talvez nem estivesse doendo; Talvez eu estivesse indiferente, trancada no meu quarto, deixando o tempo passar.
Mas eu estou viva, sangue correndo, pulsando nas veias e lágrimas lavando meu rosto o tempo inteiro.
Eu não aguento mais!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Que vibe, fera!

terça-feira, 11 de maio de 2010
Não tenho novidades pra contar...incrível, não?
Mas, tá aí, não acho tão ruim assim...melhor ficar quieta do que sair contando coisa ruim a rodo, né?
Estou sem emprego AINDA; Saio das entrevistas e AINDA choro quando sinto que não rolou - tive a manha de chorar escrevendo uma redação num processo seletivo aí (não, ninguém viu, óbvio); Na empresa a coisa está tensa AINDA; Eu AINDA estou vivendo uma fase "pobre"...enfim, nothing new.

O aniversário do namorado foi legal, o concurso aconteceu mas querem anular, cancelar ou coisa parecida porque 0,2% dos inscritos não souberam ler o Edital e ferraram a vida de 2% dos candidatos (nesse país? Justiça com 2% e os outro 98% concordando? A-ham, vai acreditando!) e o dia das mães foi bem gelado.
Complicado pra mim, eu diria...
Voltei pra casa no final da noite, pensando no quanto sou e sempre fui sozinha.
Triste demais sentir que por mais que eu tenha 1 milhão de amigos incríveis (ok, são no máximo uns 5), 1 namorado maravilhoso (cuja linda família veio de brinde)sempre vou sentir falta de MÃE, saca?
Minha mãe é viva, "tem" saúde e mora no quarto ao lado do meu. Porém, nunca senti aquele quentinho, aquele porto seguro...aquele amor que não cabe dentro do peito e te envolve inteira.
Minha mãe nunca sentiu na pele a preocupação como as outras mães, nunca cuidou da cria a ponto de protegê-la e tal.
Não a culpo...existem "n" fatores que a fizeram assim, mas o ponto é que tudo isso me faz uma falta gigante hoje.
Difícil superar...difícil olhar pra ela, e perceber que ela não sabe se estou sorrindo ou chorando, que ela mal me conhece, que nos amamos como irmãs, cada qual com sua vida!
Enfim, é nessa vibe bacana que comecei a semana...
2010 tá me judiando mesmo!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

É domingo!

sexta-feira, 7 de maio de 2010
Bom, passei aqui rapidinho pra dizer que domingão, em pleno Dia das Mães, vou precisar de uma forcinha de vocês!
Assim que se levantarem da mesa do delicioso almoço, é favor fazerem uma precezinha pra essa pessoa que vos escreve.
É o dia da prova!
A prova que nem sei se mencionei aqui, mas que poderá resolver minha vida financeira para todo o sempre (ó que legal!), e, isso por si só já é motivo de realização não?
Pois é, segunda - feira eu volto pra contar como fui, pra chorar as pitangas pelas rejeições nas entrevistas de emprego e, pra contar como foi o aniversário do namorado (que é amanhã) e, pra falar de amenidades quaisquer.
Beijo, bom fim de semana!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Um dia perfeito

terça-feira, 27 de abril de 2010
Não eram nem 07 horas e meus olhos já estavam estatelados, dominados por pensamentos desconfortáveis que eu deveria evitar.

Nunca tive problemas em acordar cedo, mas, por estar desempregada, tenho me dado ao luxo de acordar por volta das 8 pra iniciar a maratona diária de estudos. Hoje, excepcionalmente, eu não iria estudar pela manhã. Iria até a empresa, resolver meu imposto de renda e dar uma ajuda por lá.
Então, eu poderia ter dormido mais, muito mais.
Não contente em acabar com a fuga que o sono representa pra mim, meu cérebro ainda resolveu me lembrar das complicações, das dívidas, do concurso que chega e do medo que tenho de não passar. Me lembrou - e muito - que estou beirando o desespero e fingindo pra mim mesma estar bem.
Lembrou inclusive, que minha menstruação fingiu que veio semana passada e se fué sem finalizar o serviço. Isso me levou direto pra dois outros pensamentos...uma gravidez agora(sem emprego, sem dinheiro...nada preocupante!), ou a entrada na menopausa precocemente por causa da quimioterapia (o que significaria não estar grávida agora e nem nunca mais na minha vida).
Foi nesse clima delícia que resolvi sair da cama, lavar o rosto e vir cedo pra empresa.
Não deu nem tempo de parar de resmungar e já estava com a cabeça pra fora xingando uma fulana.
Ok, que tem uma fila de carros imensa pra pegar a Av. dos Bandeirantes e, a mulher estava dando uma de espertona, burlando a fila pela contra mão, impedindo que eu, que nada tinha a ver com aquele trânsito terrível, seguisse meu caminho. Ok que a mulher tem um pensamento filhodaputa que me irrita muito de ser mais importante ou levar mais vantagens que as outras pessoas, mas oi...eu, tirar a cabeçona pra fora do vidro e xingar? Não é demais não?
Não...não é...tanto que, duas esquinas pra cima, a cena se repetiu. Dessa vez com um rapaz:
- Ô filho da puta, não tá vendo a fila não? Sai da minha frente que você está na contra - mão.
- É que eu sou espertão!
(Eu devia estar ridícula irritada excessivamente por causa de uma cena que se repete todos os dias milhares de vezes nas nossas vidas. Afinal, onde, nesse Planeta, tem algum lugar em que uns não tentem levar quaisquer tipo de vantagens em cima de outros?)
- Ô espertão filho da puta, vê se depois não reclama no seu trabalho, quando neguinho tentar e conseguir tirar vantagem de você. Vê se não reclama qdo seu coleguinha for mais esperto e te puxar o tapete! Bom dia...
É ou não é inacreditável a maneira como as coisas pequenas te tiram do sério num dia que você acordou "errada"?
Chego na empresa, computador da tilt.
Eu dou meus pulos e faço funcionar. Mas, cadê os meus dados salvos do IRPF? Morreram...
Meu tio os tem guardados num back up em casa, e, fará o imposto pra mim, ufa...mas e o stress?
E o mouse que resolveu não funcionar?
E a pentelha da minha priminha que hoje tá pior que a "Rafaela com a Helena"*??
E ó...nem meio dia ainda!
Conclusão...estou aqui, sem fazer praticamente nada, sem estudar, louca pra ir embora, dormir, sumir, ou fazer algo útil, mas posso?
Nem...meu carro foi dar um rolê sem mim e, tenho que esperar!
Isn´t it ironic? Don´t you think?
Como já dizia Alanis Morissette.
Medo, pânico da segunda metade do dia!!!

* Rafaela e Helena são personagens da Novela Viver a Vida de Manoel Carlos, caso você que está lendo, tenha uma vida mais interessante que a minha e não tenha tempo pra assistir porcaria na TV!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Traição

terça-feira, 13 de abril de 2010
Essa palavra que faz tremer qualquer pessoa, que é o verdadeiro câncer dos relacionamentos tem uma gama muito ampla e variável de significados, não? O que é traição pra você?
Basicamente, meu conceito paira sobre a falta de respeito. Seja ela intencional, premeditada ou não.
Não importa...não se colocou no lugar do outro, traiu.
A diferença entre saber ou fazer como nosso presidente que nunca sabe de nada pra mim não existe! Sério.
Ninguém mente, omite, acoberta ou modifica uma informação por esquecimento, ignorância ou à toa. As pessoas o fazem por, em seus íntimos (conscientes ou não) saberem que aquilo magoaria a alguém ou seria julgado como negativo por outrem. Bom, se você SABE que iria magoar e NÃO se vê errando, você tem por que mentir?
Pois é...E, se você concorda com o alguém ou com o outrem???
Algumas vezes damos passos em falso e, somos levados pela nossa vaidade, insegurança, por nossas maiores vulnerabilidades. Quem nunca se envaideceu com um elogio de um ex que atire a primeira pedra!
É da natureza do ser humano imaginar, criar, PENSAR EM COMO SERIA caso vivesse outra realidade.
Pensar, ok! Afinal, pra saber se está escuro, é preciso imaginar o claro e visualizar uma referência.
Eu sei que determinado trabalho me agrada quando não consigo imaginar outro plausível que me fizesse mais feliz. Com pessoas também assim. Você está feliz com seu namoro, casamento e etc, quando sua imaginação apenas permeia fetiches, fantasias ou situações que você viveria uma única vez e talvez nem contasse a ninguém. Alguns não imaginam nunca, alguns acham que não imaginam mas sonham acordados com celebridades, fotos, imagens sem se darem conta que não passa de uma fantasia. Whatever...imaginar, devanear é nor-mal! Saber que quem amamos também o faz é dolorido, concordo, mas aceite...é nor-mal do ser humano fantasiar.
Já me imaginei muitas vezes em situações inusitadas. Profissionalmente, amorosamente, pessoalmente....Até aí, ok!
Hoje (e já há alguns anos) posso dizer que cheguei ao equilíbrio entre a curiosidade normal e a traição. Tenho consciência exata de quem são as pessoas dignas da minha lealdade. Não, não por serem boas, mas por a terem conquistado.
Partindo desse princípio, por escolha, não traio. 
Não falo em traição homem - mulher apenas não. A traição amorosa tem um universo bastante questionável e, uma série de argumentos sustentáveis se partirmos do princípio que seres humanos são...humanos! E, que, por isso erram!
O meu maior incômodo é a traição entre irmãos, entre pais e filhos, entre amigos...entre pessoas que se declaram leais e sustentam essa máscara ao longo dos anos. O impulso de trair um marido, um namorado é concreto, embora desprezível (eu entendo, enxergo coerência numa traição, mas não concordo com ela, sabe? Sei que ela existe, entendo seu motivo, mas acho que com maturidade e autoconhecimento é bem possível eliminar quaisquer impulsos e motivos), mas, a traição entre amigos, entre família, ou profissional não é por impulso. É mais elaborada, porque um pequeno deslize será facilmente perdoável. Trair amigo, família, quem confia em você numa situação não conjugal requer um pouco mais de trabalho. Você não trai seu chefe que aposta em você quando procura outro emprego. Você trai, quando MENTE, quando OMITE. Quantos dias de mentira há por trás de um caso como esse?
Trabalho, de fato não é um lugar onde a gente faz amigos, onde construimos relações de lealdade. Existe a confiança, mas a ética permite o "primeiro eu, depois você!", é verdade. Mas não comigo...não na minha empresa! Ali era uma empresa familiar e, todo mundo era família.
Eu me dôo mesmo, sou aquela imbecil que sempre, sempre acha devemos confiar até que nos provem o contrário.
Uma vez, uma pessoa me disse: "Ninguém é 100% confiável!". Achei um absurdo, mas ele tinha razão. Se somos humanos, podemos errar, então, somos falhos e, apostar, confiar em quem é passível de falhas sempre envolverá um risco.
Tenho sofrido muito com isso!
Eu, meu pai (e toda a minha família indiretamente), meu futuro fomos traídos.
De uma maneira tão baixa, tão capiciosa e repugnante que fui a nocaute.
Como toda grande traição, são os detalhes, é a sordidez da falta de consciência de quem trai que realmente magoa, destrói.
No meu caso, a traição envolveu prejuízo financeiro, mas, nem de longe esse foi o maior.
Me senti e ainda me sinto a maior das otárias, a imbecil e, principalmente a incompetende. Meu Deus....como eu não percebi? Não desconfiei???
Ninguém é capaz de mentir por tantos anos, todo santo dia, sem deixar sequer um rastro, um indício de que há algo além daquela realidade que você conhece. Caramba, e eu, justo eu que observo tanto as pessoas, banquei "o marido traído". DEBAIXO do meu nariz, e eu não vi.
É muito triste reconhecer que a pessoa nem era tão competente em si na mentira. Eu é que quis tanto acreditar nas inverdades...Eu que me envaideci por uma lealdade despretensiosa, sem ganhar nada em troca (e, que descobri depois de quase 10 anos que não existia).
Não me venham dizer que alguém trai por acaso. Que você vai lá e faz algo debaixo do pano achando que não tem problema algum caso descubram.
A falta de escrúpulos é o que varia de traição pra traição.
Tem aquele tipo de episódio infantil, que denota insegurança, burrice e falta de amor próprio...mas, tem aquele também que denota pura falta (ou ausência até) de caráter.
Uma pessoa tomar emprestado uma assinatura sem que a outra saiba (pra mim isso é roubo, e pra você?) ainda que seja para um fim besta e inofensivo; a tomada de decisões e a opção por correr riscos que envolvam uma série de outras pessoas diretamente e, a omissão de tudo isso é uma falha de caráter muito grande pra mim!
Pior ainda se, independente das consequências, essa pessoa sairia ilesa não?
Pois é...
A pessoa foi lá, assumiu o risco por mim, sem que eu soubesse, rezou MUITO pra que desse tudo certo, só que não deu.
E, agora eu tô aqui....perdi uma chance excelente de recomeçar minha vida graças às consequências dessa traição.
Jamais vou me eximir da culpa. Eu é quem devia ter aberto meus olhos, é quem deveria ter fiscalizado, visto bem de perto.
O MEU erro, eu assumo, e está custando bem caro. Estou desempregada, surtada, ferrada, sem grana e com o nome sujo. Essas são as consequências da minha negligência, do meu querer acreditar, da minha confiança.
Mas essa história tem um lado B.
Meu, Deus, ninguém toma atitudes que não lhe cabem, decisões que não lhe cabem, CIENTE que não lhe cabem, podendo consultar quem RESPONDE por essas decisões assim, ao bel prazer, sem sequer imaginar o risco que está correndo.
Ok, você vai lá, pega meu carro sem saber dirigir e me diz que não está ciente de que pode bater, ser parada pela polícia, se machucar e, de quebra me ferrar?
Ninguém contrai dívidas no nome de alguém sem consultá-lo porque acha desnecessária a consulta. Se você o faz, é óbvio que o faz por saber que aquela pessoa NÃO aceitaria fazer tal dívida.
Enfim...não sei o que vai ser da minha vida daqui pra frente, mas, sem dramas, sei que vou me recuperar em algum momento.
Sei que, de alguma maneira isso tudo me trouxe aprendizado, evolução.
Mas agora, nesse momento, confesso que está difícil querer ser gente. É muito trabalho, muita revolta pra reverter um erro não tão grave assim.
Ok, eu negligenciei um pedaço da minha vida, um setor de um pedaço curto da minha vida. A pessoa mentiu, traiu, omitiu, falsificou documentos e, está lá, com um emprego ainda melhor, feliz da vida e rezando por mim.
Eu não quero nada de ruim pra ninguém, só estou assim porque, não bastasse me ferrar, ainda levei uma porrada pela decepção e não sinto que fiz pra tanto...
Eu acredito mesmo que isso tudo tenha uma razão, que agora não faz sentido mas fará e tal...só que A-GO-RA tá FODA!
É isso....
As usual, mais mimimi!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010
Antigamente eu postava todo dia ou quase...
Gostaria muito de voltar a escrever aqui sempre, de todos os dias deixar registradas as minhas maluquices, mas cansa!
Escrever só coisa ruim, só reclamação, só mimimi cansa!
Não estou a fim de escrever apenas sobre coisas negativas, sobre essa avalanche de notícias ruins que chegou junto com 2010 na minha vida. Tampouco sou do tipo capaz de fazer humor da própria tragédia. Sei lá, sou tão dramática e desesperada que surto e perco a capacidade de tirar sarro de mim mesma.
E é assim...assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade! Não vou dizer que foi ruim, também não foi tão bom assim!!!
Continuo lendo os blogs por aí, twittando feito doida...só dei um tempo porque nem eu mesma aguento mais tanta reclamação.
Mais axé e menos exú, pelo amor de Deus!
Qualquer hora eu volto....Um dia eu hei de ter alguma coisa boa pra contar!

terça-feira, 16 de março de 2010

I need a shrink!

terça-feira, 16 de março de 2010
Faz apenas uma semana que oficialmente não tenho salário. Continuo ajudando na empresa mesmo sem receber um tostão; é até capaz que surja uma luz no fim do túnel para que ela morra e ressurja das cinzas sob outro nome, outra roupa, outro tudo.
Pode ser ainda que, mediante esse processo transitório, ela pague minhas contas e eu possa ficar desempregada em paz. Não vou entrar no mérito das possibilidades porque milagreces acontecem por aí, né?
Fiz muitos contatos esses dias e, entreguei currículos por aí!
Até agora fiz uma entrevista apenas (cujo emprego eu QUERO MUITO) e, apesar de ter ido bem, as chances são remotas.
Tem também um outro contato muito promissor, mas é pra depois de Maio. Quem me conhece sabe que eu não sou de contar com promessas.
A situação é simples: tenho reservas, tenho possibilidades, tenho capacidade, MAS NÃO CONSIGO FICAR BEM!
Como faz? Sério....
O pior que pode acontecer comigo é ficar em casa, fazer umas faxinas na própria casa em que eu moro, em troca de uns caraminguás pra que eu pague ao menos meu plano de saúde.
Teto e comida eu tenho.
Por mais que tudo, todos os meus respaldos se desmoronem, ainda levaria um tempo considerável pra que eu fosse parar na rua ou passasse fome.
Em sendo assim, eu deveria estar focada, trabalhando a paciência que não tenho e a calma porque não soou ainda o red alert.
Pois é...eu DEVERIA!
Mas não estou...estou há dias sem dormir, nem comer, com altas crises de ansiedade e pentelhando todos à minha volta com minha obsessão por um emprego.
Refiz até meu mapa astral pra tentar entender essa paranóia toda (e não é que achei muita coisa coerente?)!
Chorei, me desesperei, pedi ao meu namorado que jurasse que me amaria mesmo que eu nunca mais conseguisse um emprego na vida.
Patético!
E, mesmo sendo racional o suficiente pra entender o qual insano tudo isso soa, eu ainda tenho a pachorra de dizer que não, não preciso de um médico, de um psiquiatra...EU PRECISO MESMO É DE UM EM-PRE-GO!
Torçam pra que isso aconteça o quanto antes, porque tenho certeza que não vou ficar gatinha na camisa de força e que, desequilibrada posso ser um perigo pra sociedade!!!!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Mais um pouco de fé!

sexta-feira, 12 de março de 2010
Não tá fácil, meu povo...
Mas, tenho encontrado vários anjos da guarda disfarçados de pessoas no meu caminho.
Fui atrás da minha fé pra voltar ao equilíbrio e me lembrar que dinheiro é apenas dinheiro nessa vida. Que não há bem maior que o amor, que a saúde, que a consciência tranquila de quem faz tudo o que acha estar a seu alcance.
As crises de ansiedade estão mais espaçadas, eu já voltei a comer, a sorrir e, até estou dormindo um pouco.
Meu coração me pede: aguenta mais um pouquinho...tenha só mais um pinguinho de paciência! Um pouco mais de fé!
Não está sendo fácil mesmo, mas...está sendo libertador.
Aos meus anjos da guarda que vivem nas nuvens e, aos que vivem aqui na Terra misturado às pessoas, meu muito obrigada!

sexta-feira, 5 de março de 2010

The House is Down baby!

sexta-feira, 5 de março de 2010
É isso! Entrei na pior fase que já vivi.
A empresa em que eu trabalhava, que eu não geria, mas pela qual assinava, quebrou.
Dívida de banco, financiamento de carro, dívida fiscal...tudo com a mamãe aqui!
Nesses últimos tempos não dormi, não comi, bebi muito e chorei também.
A ansiedade, o receio, a dúvida do "quebra ou não quebra?" estava me matando.
Ok, quebramos...a casa caiu!  E AGORA?
Agora, meu velho, é recomeçar!
E, por incrível que pareça, estou confiante!
Sou formada em odontologia, mas não exerço de verdade desde o câncer (ano passado ainda andei atendendo um ou outro paciente pra não perder a mão). Tenho experiência em muita coisa e, em nada ao mesmo tempo.
A área administrativa, financeira e movimentação bancária eu manjo bem. Lidar com cliente é comigo mesma!
De resto, sirvo pra tudo se você puder me ensinar. É aquela história...não rola experiência, não rola formação, mas sou cheia da boa intenção! Dã...
Sério...aprendo fácil, lido com de tudo um pouquinho.
Daí, se você puder ou quiser ajudar uma boa alma, deixa seu e-mail nos comentários e eu enviarei um currículo!
A loucura de tudo isso é que, a partir de hoje eu me livro de TO-DAS as escolhas erradas que eu fiz.
Claro, como disse na primeira frase, é a pior fase da minha vida devido ao preço que estou pagando por essas escolhas. MAAAAS, acabou, meu povo.
Não trabalho mais com o meu pai, sob pressão, morrendo de raiva por ver o que está errado, falar e ninguém me ouvir.
Não sou mais improdutiva, ociosa, não me escondo mais atrás da menina que escolheu a faculdade errada e ficou com medo de começar de novo.
Sim, não gosto de Odontologia. Motivos pessoais meus, não vem ao caso.
Claro que, se nem emprego de ascensorista eu conseguir arrumar, capaz que eu me veja obrigada a voltar a clinicar por um tempo.
O ponto é que, agora, finalmente sou livre pra fazer como a grande maioria dos filhos desse nosso Brasil.
Agora, vou trabalhar na primeira chance que eu tiver, pra então começar a crescer e me tornar aquilo que eu quiser ser!
Alguém deve estar pensando aí "ela surtou!", afinal, eu pareço contente! Mas eu estou!!!! E, não surtei não!
Quando se perde tudo, podemos tudo pois não há mais nada a perder!
E, agora vou ali procurar novas chances, novos caminhos, porque, pra eu ser feliz e sair dessa preciso apenas de UMA oportunidade!!!!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Melting

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Longe de mim dizer a Deus ou à Natureza como devem se portar.
Quem sou eu pra criticar Tsunamis, Terremotos e tempestades que alagam nos quatro cantos do mundo? Com certeza, o chefão da repartição, está no controle e tem competência pra fazer o que faz.
O que eu posso, nesse momento, é dizer como me sinto diante desse calor apocalíptico.
Ok, não sou uma pessoa magra, esbelta e, não estou em dia com meu preparo físico.
Stress e os recentes acontecimentos não colaboram. Tem também o volume de trabalho, que é compatível com, pelo menos 1,5 Ana.
Aí vem esse calor abafado, nessa cidade que não venta e que respira poluição...
O Rio é o caldeirão do capeta, eu sei...e, acredito que, a essas horas, Cuiabá esteja vivendo seus dias de cidade natal de Lúcifer, mas, cada uma das pessoas que nasceram e moraram a vida toda nesses lugares devem estar devidamente adaptados.
Meu caso...Nasci e morei a vida toda em sp.
Então, a poluição, a garoa, e o cinza do clima não me incomodam nunca! O barulho, meus ouvidos já quase nem ouvem, sério!
Daí, o chefão lá do departamento climático do Planeta Terra sai de férias e o estagiário começou a brincar como se nós fôssemos Buddy Pokes dele!
De repente, o cara confundiu a selva de pedra que é Sampa com a selva amazônica, não é possível!
Dizem que no Amazonas o clima é quente, e as pessoas sentem - se como legumes cozinhando no vapor! Diz que lá pelas 15h cai uma tempestade que dura no máximo 1 hora e que faz a temperatura ficar agradável!
Nunca estive na região Norte do país, mas lembro de uma parada aprendida na escola, chamada clima tropical equatorial, de floresta ou tropical úmido que predominava na região amazônica e, cujas características são essas aí que citei.
O fato é que o estagiário confundiu as "selvas" e determinou que a cidade mais populosa do país deveria ter o toque de recolher todas as tardes lá pelas 15h (16 ou 17h dependendo da região da cidade), já que esse é o horário do despejo das milhares de toneladas de água ao mesmo tempo sobre a cidade.
Lá na Floresta Tropical, existe terra, solo fofinho, capaz de absorver grandes quantidades de água...e tem os rios também. Aqui, nessa selva de pedra, o calor esquenta o concreto dos prédios, o asfalto das ruas e cozinha a carne dos paulistanos (lá na Amazônia, as árvores fazem ao menos uma sombrinha, e tem a terra que nem quente é)vestidos com suas roupas sociais. Quando cai a água nos bueiros lotados de lixo, faz - se o caos. A cidade foge da chuva e seus efeitos como o diabo foge da cruz!
Refresca, é verdade, mas a possibilidade de transformarmos nossos carros, ônibus, metrôs e trens em gôndolas venezianas quando do acionar de um botão ainda é apenas possibilidade, ficção científica pura e simples. Com isso, o trânsito vira uma visão holográfica do que pode acontecer em 2012 caso os profetas estejam certos.
Enfim, não anda muito fácil ser paulistano acostumado a temperaturas entre 23 a 28ºC no verão, à garoa da manhã e ao ventinho do fim de tarde. Essa realidade de temperaturas na casa dos 30ºC, umidade, vento quente e abafado somado à latente poluição, verdadeiros dilúvios complicando ainda muito mais o trânsito dos horários de pico tem sido bem puxada.
Sei que no Rio a coisa tá quente tb, bem como em muitas outras cidades. Mas, gente, carioca é acostumado ao calor!!!! Carioca corre pro mar pra dar um refresco, saca? Em São Paulo a gente corre tanto, a gente perde tanto tempo no trânsito que não dá nem pra escapar e tomar uma chuveirada no meio do dia.
Ontem mesmo passou na TV uma reportagem de como altas temperaturas influenciam a capacidade de raciocínio e o rendimento das pessoas. Olha, não é por nada não, mas acho que a maior metrópole do país tem perdido MUITA grana desde as férias de São Pedro viu?
Eu, por exemplo...deveria estar trabalhando, mas os números se vestiram de hieroglifos pra que eu não os entendesse, aí, resolvi vir aqui no blog divagar e escrever alguma porcaria pra manter o cérebro ligado.
Quero reiterar pra ficar bem claro: Não critico o sistema do povo lá em cima que comanda a Natureza e as temperaturas do nosso Brasil não....eu estou apenas admitindo a minha fraqueza, a minha involução perante os demais! Afinal, Charles Darwin já havia contado que apenas os fortes sobrevivem!
Por enquanto, me mantenho de pé, mas não sei quanto tempo mais sou capaz de aguentar antes de começar a derreter...literalmente!
Alguém me empresta um ar condicionado aê?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Alguém me ensina a fazer pulseirinha artesanal?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
O post vai ser longo e cheio de reclamações, choramingos e narrações.
Não é um texto inteligente e muito menos bem sacado.
Não é nem de longe um dos meus textos razoáveis.
Enfim....
Eu andei bem sem vontade e, depois, sem tempo de escrever aqui.
Não tava mais a fim de contar como a vida tem me judiado, nem de falar sobre os mesmos problemas de sempre.
Se isso já é chato demais pra mim, imagino pra quem me lê ou me escuta.
Por um outro lado, preciso muito escrever, organizar as ideias, os fatos, e tudo o mais.
Então, era uma vez...
Lá no meu passado de cirurgiã dentista de clínica popular, eu tinha um desejo íntimo. Era mais um protesto em forma de projeto do que um desejo em si. Ficava inconformada com as "fulaninha" de sorriso baleado (juro, não tinha UMA que não tinha uma cariezinha num dos dentes da frente, ou um quebradinho, a falta de um zagueiro, ou, quem sabe um centro-avante) juntando os caraminguás e torrando 600 mangos pra alisar o pixaim em plena febre das escovas definitivas e progressivas.
Por 100 paus divididos em várias vezes, dava pra dar um jeito nos sorrisos e deixar as bocas minimamente saudáveis. Mas não....as amigas juntavam tudo que era moeda, espremiam o salário, faziam bico pra, lindas e banguelas, torrarem sua grana no salão de cabeleireiros.
Eu decidi que um dia deixaria de ser a doutora e teria um salão pra chamar de meu então, iria finalmente encher os bolsos de dinheiro às custas da vaidade alheia ao invés de ficar tendo que convencer neguinho a cuidar da própria saúde bucal (percebe o absurdo???).
Muita água rolou debaixo da ponte até que a oportunidade apareceu: Minha mãe com uma graninha de herança guardada, desesperada por uma fonte de renda; E eu, de saco cheio do meu salário baixo, do meu excesso de stress e da falta de tesão no meu trabalho.
Não foi difícil fazê-la achar que seria um bom negócio e, então partimos à caça oportunidades.
Não foi tão simples assim. Encontramos salões que não cabiam no nosso bolso e, também alguns que não pareciam valer à pena.
Quando encontramos o ideal, percebi que estava todo enrolado, cheio de história e incongruências.
Esperamos quase um ano pra que esse salão se desenrolasse.
Apesar de o contrato ter sido feito do jeitinho que eu queria, de tudo estar como eu considerava apropriado, passei dias sonhando com essa música (em especial o verso "que façam bom proveito da grana que roubaram porque eu trabalho e outro dinheiro eu vou ganhar")...tinha algo de errado. Entrava no local e não o sentia como MEU. Tinha algo que não podia identificar ainda, tirando a minha paz, o meu sossego.
Trabalhei que nem escrava, tanto pra aprender a lidar com funcionários, quanto pra achar fornecedores bons, baratos, pra não deixar o nível cair e também pra aprender a lidar com um ramo de atividade totalmente inédito pra mim. Foram 10 dias nonstop, trabalhando no mínimo 12 horas diárias, fazendo de um tudo, desde a administração até a colocação do lixo na rua pra ser coletado.
Tem ideia do que seja substituir um antigo chefe amado por todos os funcionários? Do que é lidar com gente de educação e instrução limitadas e egos colossais?
Não digo que fui humilhada porque não há nada de indigno no que eu tive que fazer, mas, com toda a certeza eu soube ser humilde e aceitei na boa quebrar o galho de servente ao mesmo tempo em que exercia meu cargo de dona, de "patroa".
E, 13 dias depois, a negociação acabou rescindida.
De fato, queriam me dar um golpe e, tudo aquilo que estava enrolado, todo o lixo foi revelado por debaixo do tapete.
É claro que não foi uma rescisão amigável. Já viu golpista aceitar que perdeu e não conseguiu extorquie nem um centavo de suas vítimas?
Éramos 3 partes, e eu fui a única a manter minha palavra. A parte B cansou - se de esperar que a C (golpista) cumprisse a dela e jogou a merda no ventilador.
Com direito a delegacia, pressão e terrorismo que, em certa altura ainda vai respingar em mim, óbvio, a parte B bateu no peito e rescindiu o contrato!
O saldo disso tudo?
Foi DO CARALHO descobrir que sou capaz de pegar uma bomba nas minhas mãos e dar conta dela. Ao final dos 13 dias, sou extremamente querida pelos meus, agora ex - funcionários; sou admirada e respeitada por todo mundo ali, especialmente pelos que não botavam fé.
E, o mais animal foi diante do espelho....eu, que tinha (e tenho) medo de crescer, me vi responsável, estressada, adulta e totalmente dona da situação.
Por esse lado, é triste que não tenha dado certo e, se esse fosse o saldo final, eu poderia pegar o dinheirinho e investir num outro salão qualquer.
MAS, teve também o lado negro da força, as surpresas desagradáveis que nunca imaginei que teria.
Eu trabalhava com o meu pai e reclamava demais, por ser exigida e muitas vezes atrapalhada demais por ele na minha função.
Minha mãe? Mil vezes pior....acabei meio que escrava, mãe dela, totalmente responsável por ela e pela direção do nosso negócio.
Eu e meu pai remamos pro mesmo lado, apesar de muitas vezes discutirmos a rota e de, às vezes darmos remadas um na cabeça do outro. Com minha mãe, fui a condutora da canoa, enquanto ela repousava sob a sombrinha, na melhor pose da dondoca.
Não se trata de caráter, de bondade, nem crueldade! Trata - se apenas de uma responsabilidade que não me cabe e que não quero pra mim.
Não sou obrigada a ser súdita, a sustentar os caprichos da minha mãe e ainda ter que contornar suas limitações.
Minha obrigação de filha não está em ensinar - lhe a trabalhar em equipe, e sim, em não deixar que lhe falte o que comer ou onde dormir.
Em meio a toda briga de B com C, que deve respingar em nós a qualquer momento, as únicas perguntas que se repetem na boca de mamãe são "onde farei as unhas e cuidarei do cabelo?" e "quando receberei minha parte do faturamento?".
O faturamento? Bom, não mexi! Estou aguardando porque muito provavelmente ele irá direto pra conta de um advogado que impeça que eu seja acusada por qualquer perda ou dano da parte C, a golpista.
Enfim, aprendi que não devemos julgar as pessoas; que dinheiro e nível social não compram caráter (a parte B, que não tem dinheiro nem estudo, foi de uma honestidade impressionante!); que é natural ter medo do desconhecido, mas que minha intuição é foda pra caramba então, quando ela falar, é bom a razão calar a boca.
Aprendi que eu POSSO, que eu sou capaz. E, que sou estressada e nervosa demais.
Nervoso em excesso emagrece mesmo!
Concluí que não quero e nem vou ser sócia da minha mãe e que, tudo o que eu fizer por ela será de graça pra que eu não me estresse.
Fiquei bem triste por isso!
Agora...como confusão pouca é bobagem, ao voltar pra empresa, descubro que minha secretária recebeu uma proposta bacana em outra empresa e resolveu ir!
Fiquei feliz por ela, e muito tensa por mim.
Ela é meus dois braços e também minhas duas pernas. Em alguns muitos momentos ela é também meu par de olhos e meu cérebro. Sabe quando você pensa "sem fulana não sou nada"? Pois é...Helinha é essa pessoa na minha vida!
Sei que vem aí um Tsunami daqueles porque estou passando agora pelo terremoto.
Daí que, ao invés de me perguntar porque é que ando dando tanta cabeçada desde o início de 2010 (tá é desde bem antes, mas é que 2010 tem sido bem traumático!), só faço agradecer a Deus....
Depois de todo esse terremoto, diante de toda a dificuldade que eu ainda vou enfrentar, tudo faz seu sentido!
Se não tivesse tido o salão, como é que eu me respeitaria, me admiraria e acreditaria na minha capacidade de superar problemas e aprender? E, se ainda tivesse salão, como é que conseguiria me virar em duas e absorver todo esse trabalho extra que vai surgir agora na empresa?
Se já estava impossível levar a empresa e o salão juntos, levar a empresa e o salão juntos sem a Hélia seria o atalho perfeito pro hospital (sem exagero).
Não, definitivamente não serei como ela, assim como não fui como o antigo patrão das funcionárias do salão. Mas, preciso botar fé em mim, acreditar que farei meu melhor e, que do jeito que tiver que ser, tudo dará certo!
Minha intuição diz que vai mesmo dar td certo, que depois de uma longa tempestade que ainda mal começou, o sol vai voltar lindo e brilhante!
No mais, EU ESCOLHI assim! Eu escolhi que farei o meu melhor...que devo chorar, espernear e gritar algumas vezes, mas daqui a um tempo eu me adapto, e tudo ficará bem!
2010 está decretado oficialmente o ano das viradas profissionais!
Não sei onde vou parar, mas pela primeira vez sinto que, de fato algo está se movendo adiante nesse setor da minha vida!
E, se tudo der errado, eu viro hippie e vou vender pulseirinha em Trindade ou São Tomé!!!!!!
 
Pensamentos fugitivos © 2008. Design by Pocket