domingo, 30 de março de 2008

Medo da Chuva

domingo, 30 de março de 2008
De repente medo....
Eu, que pensei ter perdido o meu medo , o meu medo, o meu medo da chuva, tive a surpresa desagradável de encontrá-lo frente a frente no meu espelho.
Como é horrível viciar - se no poder de controlar a pórpria vida, como é péssimo saber sempre o que vai vir depois que o sol nascer; Como a gente se acostuma, e se torna até dependente de saber -se à salvo...
Não tinha essa noção, pois sabia já que, quando eu jurei meu amor, eu estava traindo a mim mesma...eu já descobri que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez, uma vez, mas o alarde, o estardalhaço de felicidade que chega ao menor soar de sinos dentro de nós, traz de volta esse medo da chuva.
Aquela chuva que molha o rosto, cai gelada pela pele e nos encolhe transformando - nos em criança indefesa.
Perder o chão pode nos fazer voar, pode nos fazer sonhar, mas não ter onde pisar, dá medo da chuva....da chuva que já caiu tanto dos olhos e gelou o coração.
Estou com medo. Não quero que doa. Já tinha aberto mão de ter essa oportunidade, exatamente pra não correr o risco de sangrar.....
Mas o acaso que brinca com a gente, e faz tudo parecer "sem querer", que não nos deixa escolher a hora, o lugar e o porque, está rindo de mim e sorrindo pra mim.
Eu tenho medo sim, mas eu prometi que, quando os sapatos apertassem e, começassem a machucar meus pés, eu os tiraria, pra jamais parar de dançar!!!!!
Obrigada, acaso; Obrigada, vida.....por mais uma chance de viver e aprender.

(texto com algumas frases ingenuamente furtadas de "Medo da Chuva" - Raul Seixas)

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