Eu não sou muito fã de comentar a respeito desses casos hediondos que aparecem nas páginas policiais, mas esse, em especial me chocou.
Mais do que o caso Nardoni ou o da Rua Cuba, esse caso mexeu comigo por uma "sutileza" que a cada dia mais me assusta e me faz repensar em valores e princípios.
Um crime passional é sempre chocante, mas não se espera paixão, loucura, desequilíbrio assim em duas crianças. Isso alerta para o fato de que as coisas de gente grande, estão cada vez mais comuns entre a gente nem tão grande assim.
Não foi o surto de um rapaz bom, que tinha dois empregos, era honesto e querido pelos amigos que me chocou. Nem tampouco a ação equivocada da polícia de permitir a volta de uma das reféns ao cárcere.
O mais grave para mim foi a revelação de uma transformação preocupante no quadro familiar de todos nós.
As meninas estão virando mulheres antes do tempo.
Meninas quase crianças, aos 11 ou 12 anos já se vestem como mulheres, se maqueiam como mulheres, querem ter seios, marquinhas de biquine, piercings, barriga , corpo inteiro e atitude para atrair o sexo oposto. Querem amadurecer e dizem - se prontas para o amor, para o sexo.
Quem me conhece, bem sabe que passo longe do pudor, que sou liberal e mente aberta. Acredito que cada um deva fazer o que bem entender, desde que seja capaz de arcar com cada uma das consequências.
E, é aí o meu choque....meu Deus, uma criança de 12 anos começa a namorar o carinha de 19, ficam juntos por 3 anos, num namoro sério como se fossem adultos, como se tivessem estrutura emocional e psicológica pra lidar com a carga de uma convivência a dois. Sem contar a fase hormonal em que se encontram, que faz com que tudo pareça intenso demais, que qualquer dor seja o fim do mundo e qualquer amor seja para sempre.
Onde estavam os pais dessa menininha? Onde anda com a cabeça a mãe dela que permite que a menina acelere os ponteiros do reloginho que existe dentro dela?
Aí, alguém grita: mas não dá pra permitir ou não...Não dá pra impedir!
Não dá???
CLARO QUE DÁ...eu explico!
Aos 7 aninhos, a menininha quer usar maquiagem igual à mamãe....Aos 10 quer usar uma calça jeans justa, mas tão justa que mal deixa a menina respirar. Depois, vem o piercing, os namorados.
Mas, quem é que paga? Quem é que permite? Quem é que estimula a arrumar um namoradinho de brincadeira quando a criança entra na escolinha?
Quem é que ensina o que pode e o que não pode? Quem ensina o significado da palavra 'limite'?
Claro que, se for deixar pra cortar quando chegar aos 12 - 15 anos aí não vai rolar mesmo né?
A outra vítima do sequestro, voltou pro cárcere! Ok...a polícia pode ter errado, acertado, ela foi imprevisível, sei lá....Pera, como é que é? A mãe, depois de ter sua filha por 2 dias sob a mira de um calibre 32, em punho de um jovem completamente descontrolado, permite que a menina (criança, lembra?) de 15 anos realize a vontade de voltar a cena do crime, e ainda a leve até lá?????
Obviamente a menina não estava em condições de pensar nada...depois do trauma, todo mundo perde o rumo, e vez ou outra toma atitudes impensadas. É por isso que ficamos em observação, é por isso que a menina tem um responsável (nesse caso mais irresponável que ela própria) legal.
Quando parei pra pensar nesses detalhes percebi que não é uma particularidade deste caso. As crianças dominam os pais. Estes arrumam subterfúgios múltiplos para se eximirem da responsabilidade.
As meninas pensam que são mulheres, agem como verdadeiras vagabundas, e sofrem como crianças. Os meninos têm sua autoestima estilhaçada, sendo obrigados a buscar autoafirmação na violência e nas drogas.
E os pais? Fecham os olhos, dizem que trabalham para garantir o futuro dessas crianças, mas no fundo estão perdidos, não sabem como foi que isso aconteceu.
Aqueles pais que peitam o problema, que seguram seus filhos numa educação que eu chamo de ADEQUADA (não existe bom ou ruim, mas qual é? Uma menina de 12 anos não tá pronta pro sexo! ), acabam sofrendo muito também, pois, na escola, no bairro, os amiguinhos todos acabam discriminando os mais "caretas". E aí, vem o adolescente, que tem tudo pra crescer feliz, mas, por conta dessa deturpação dos princípios e valores, das responsabilidades, cresce infeliz, cheio de traumas. Meninas se achando feias, gordas de mais, magras demais, e meninos se achando fracos demais, medrosos demais, insignificantes demais.
Nessa hora eu pergunto....será mesmo que dá pra arriscar colocar uma criança nesse mundo? E se eu errar como erraram esses pais?
Não sei se todo mundo pensa assim....mas a violência é um mal que existe desde que o mundo é mundo e, sinceramente, não sei se isso irá mudar, mas, essa inversão de valores essa "adultização" das crianças além do limite físico é algo recente e me provoca arrepio e uma sensação péssima de fim dos tempos.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
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3 comentários:
Bom eu concordo com o texto acima, hj os adolencentes estão evoluindo muito + cedo, eu na idade de Eloá, brincava de boneca e eu era feliz. Indiretamente é culpa dos pais, por acelerar a vida dessas crianças/adolecente... :(
Muito bom seu comentário, Ana. Inclusive, este foi um lado da notícia que eu acho que as mídia deveria ter trazido para discussão pública.
Afinal, como vc disse, sem querer ser puritano nem nada...é um pouco demais uma menina de 12 anos namorar com um garoto de 19 anos (apesar da maioria ter miolo mole com esta idade, legalmente já é um adulto).
Ninguém disse que é fácil criar filhos. Ainda mais com o mundo como está, como vc observou.
Proibir um namoro com esta diferença de idade com certeza vai gerar esperneio, cara fechada, choro e revolta. Mas passa. Com o tempo a gente compreende nossos pais e vê que eles estavam certos em um monte de coisa.
Elaine ---- Na idade da Eloá eu já não brincava tanto de boneca, mas, também não estava por aí, me achando mulher. Meus pais sempre cuidaram para que eu me tornasse independente, sem tampouco queimar etapas. Complicado mesmo! Obrigada pela visita!
Daniel ---- não é questão de moral, ou puritanismo meeesmo! É uma questão física, de desenvolvimento cognitivo mesmo.
O sensacionalismo virou circo já! A mãe da menina é uma celebrity nessa altura do campeonato. Ao invés de alertar as outras mães, ao invés de pedir justiça, ela perdoou o rapaz, e fez algumas declarações públicas dignas de Thalia em novela mexicana.
Gostaria de ver os formadores de opinião falarem mais no assunto também, viu?
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