Parte I
Parte II
Parte III
Parte IV
Era uma quarta - feira fria de outono. Véspera do aniversário do Vinícius, 30 anos! Uma data pra celebrar, afinal, marcava uma nova fase, um momento livre de certos traumas deixados pelo relacionamento anterior, era a comemoração de novos projetos pessoais e profissionais muito promissores.
Fiz questão de planejar cada detalhe para que esse dia fosse especial. Ele saíria do trabalho depois da meia noite, e, assim sendo, seriam as primeiras horas do seu aniversário! Era o momento perfeito para fazer uma loucurinha, para mostrar a ele meu carinho e o tanto que o considerava especial.
Ele não sabia ao certo o que iria acontecer, estava apreensivo pois achava que seu horário de sair era tarde demais pra me fazer encontrá-lo. Não queria sua princesinha dirigindo sozinha pela cidade à 1h da manhã por causa dele.
Mas, de princesinha, não tenho absolutamente nada, nem o nome!!! E assim, fiz meu plano acontecer.
Comprei um vinho, um bolinho pequenininho e uma vela linda do Santos (eu sou bem humorada, e achei que isso simbolizaria meu respeito, afinal, todos sabem que sou sãopaulina doente!).
Pouco mais de 1h da madrugada de quarta para quinta, estacionei meu carro em frente ao prédio do trabalho dele, e o esperei por alguns segundos (ele estava preocupadíssimo por eu estar na rua, sozinha àquela hora).
Ele surgiu lindo, mais lindo do que da última vez (quer me enganar, né? Tenho certeza que passou pelo menos 20 min no banheiro do trabalho trocando de roupa, passando perfume, escovando os dentes e penteando o cabelo...ainda bem, afinal, eu mereço!). Eu estava toda casualmente linda (truque fatal de mulher! Gasta horas se arrumando para estar impecável, porém parecendo que se arrumou em 15 min, sem nenhuma mega produção), e não demorou um minuto inteiro pra que eu recebesse o elogio.
Parei com ele num posto de gasolina movimentado o suficiente para ser seguro, quieto o suficiente para ter privacidade e, impessoal o suficiente para sugerir que estávamos alí apenas "de passagem" (pois é, eu arquitetei a estratégia como se eu fosse da CIA).
Desliguei o carro, e, enquanto ele fitava o que eu fazia com os olhos fixos e extremamente curiosos, eu coloquei um CD gravado especialmente para aquele momento, lhe entreguei uma cópia e disse que aquilo era pra que ele pudesse lembrar desse momento que marcava o início de uma fase mágica em sua vida.
Peguei o vinho, as duas taças, o saca - rolhas e pedi que ele abrisse.
Comecei a gargalhar quando percebi que ele estava nervoso a ponto de tomar uma surra de uma inerte rolha. Delicadamente, tomei o vinho e o saca - rolhas de suas mãos, e abri. Fiz um brinde com ele, festejando a chegada de seus 30 anos, e desejando as melhores coisas possíveis.
Seus olhos estavam fazendo um esforço equilibrista tremendo pra não derramarem uma lágrima.
Ouvi dele uma declaração linda de agradecimento e do tanto que fazia sentido estar comigo naquele momento, e, de que não havia lugar no mundo em que ele preferisse estar, blablablá (a partir disso não ouvi mais nada)...QUÊ???? COMO ASSIM, BROTHER? VC TÁ DIZENDO QUE NÃO PREFERIA ESTAR NUM LUGAR MAIS CONFORTÁVEL E PRIVADO COMIGO???? AI, AI, AI...ISSO VAI DAR MERDA!
Peguei o bolo, e, com a vela arranquei o riso mais gostoso daquela noite.
Velinha apagada, vinho em processo de consumo, beijinho pra cá, beijinho pra lá, e, finalmente o brother teve a coragem de dizer que queria sair dali comigo (eu sei que eu poderia ter tomado a iniciativa, que eu sou mulher bem resolvida e blablablá, mas poxa, pra ele eu sou princesinha, além do mais, eu estava bem a fim de me sentir como tal pelo menos uma vez na vida). Um pouco menos princesinha, tirei a chave do contato, entreguei em suas mãos e disse: É seu aniversário, hoje, você pode tudo.
Ele dirigiu por quase uma hora!
Antes de alguém começar a tirar sarro, digo que achei o máximo! Primeiro porque isso provava mesmo que ele não fazia isso há um bom tempo (pô, o cara era casado, e, estava separado ha 4 meses!), segundo porque ele estava com um receio enorme de que eu não tivesse entendido muito bem a vontade por ele relatada ("rélou" gato, enquanto você passou os últimos 6 anos casadinho, eu passei tomando na cabeça, descobrindo que homens como você são a coisa mais rara do mercado! Sei muito bem pra onde você quer ir...e, digo mais...eu premeditei tudinho!).
Na terceira vez que respondi: sim, tenho certeza de que quero ir pro mesmo lugar que você, ele finalmente encostou o carro num lugarzinho bonitinho e bastante confortável (para uma escolha randomizada diria que nos demos bem).
Poupo esse blog de detalhes, porque aí já seria demais né???
Mas, enfim...foi catastrófico! Ca - tas - tró - fi - co!!!!
Calma, calma, não é que tenha sido ruim, ou que não tenha havido uma compatibilidade...em termos técnicos foi bastante acertado, por assim dizer.
A catástrofe em questão foi no sentido da entrega, da intimidade. Naquele momento, eu queria ser burra, insensível, ou simplesmente inexperiente.
Se assim fosse, eu simplesmente não teria percebido, sentido, tido a nítida sensação de que, foi ali que ele descobriu que ainda era dela.
Saí dali um pouco calada, fragilizada embora ele estivesse todo carinhoso e feliz. Me agradeceu pela noite mais especial dos últimos tempos e, nos despedimos. Não era difícil ter a noite mais especial dos últimos tempos, levando em consideração o inferno que viveu recentemente! Como escrevi há alguns parágrafos, sabia que isso ía dar merda!!!
Desabei em lágrimas...Aos poucos fui me acalmando, porque, afinal de contas, não havia NADA de concreto que pudesse ser motivo para isso.
Apelei para a minha praticidade:
1 - Primeiro Jogo!!!! ------ Vide teoria
2 - Primeira mulher diferente em vários anos!!!!
3 - Pode ser simplesmente que não haja a compatibilidade mágica que existe no beijo!
4 - Alta expectativa devido a tudo que temos vivido.
Devido aos fatores citados e, talvez a mais um ou outro que eu não me lembre agora, me acalmei. Por ser brasileira, não desistir nunca, e acreditar na esperança por menor que ela seja, resolvi deixar o veredicto em aberto e arquivar o processo por falta de provas.
Quem sabe, não foi tudo uma questão de TPM, ou de se tratar de uma data absolutamente introspectiva para ele, não é?
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
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Um comentário:
Peraí...como assim? Estava tudo maravilhoso...não pode ser! Estou de cara...hehehe
Mal posso ver o próximo capítulo.
beijãooo
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