sábado, 8 de novembro de 2008

Desabafo *

sábado, 8 de novembro de 2008
Eu ía bem que contar um causo dos mais engraçados, sobre um tiozão gatíssimo que perdeu a linha comigo numa agência de banco. Me senti a gostosona, já que estava despojada, de sandalinha baixa, vestidinho bem simplinho e cabelo preso por causa do calor.
Mas aí o tempo fechou mais uma vez por aqui, eu me estressei, explodi e, de alguma forma preciso talvez escrever porque as lágrimas não funcionam mais como alívio de tanta pressão.
Não dá muito pra reclamar porque assumo ter feito escolhas erradas.
Escolhi mesmo anular os meus desejos, sucumbir à insegurança porque me parecia bastante nobre abrir mão de mim para ajudar meu pai e minha mãe.
E, então fui me emaranhando de tal forma que pra sair, só se deixasse um belo naco do meu corpo nessa rede farpada.
A convivência já é difícil, mas quando o outro se acostuma com a sua maleabilidade, com seu esforço pra agradar, vira prisão.
A tal rede foi ficando mais complexa, envolvendo mais elementos e começou a me fazer sangrar.
Sair ou ficar já não fazia diferença na dor física que eu iria sentir. Mas o caso é que já não tenho mais força pra ficar. E também não tenho mais força pra pensar numa estratégia que me faça conseguir sair.
Com o corpo coberto de chagas, penso apenas em dormir.
Meu Deus, como eu fui errar tanto assim?
Fiquei doente, me curei e não consigo sair daqui.
Tenho suplicado a ajuda nos diversos lugares, mas no fundo, sei que sou eu que não consigo enxergar as mãos que me são estendidas e, exatamente aí que dói.
Como eu conserto isso?
Qual é o meu talento?
Pra que é que eu sirvo?
Se gritar não resolve, chorar não clareia a minha visão e, já mais calma o desespero acena querendo se achegar, para onde é que eu devo correr?
O colo do meu herói está disponível pra mim, só que ele não é mais o meu herói! Aliás, ele nunca foi tão forte e nem foi capaz de me fazer tão bem assim ainda que essa fosse sua maior vontade. Seu amor me confortava e isso sim me faz uma falta danada.
O seio materno nunca foi um alicerce, apesar do amor infinito.
É tão difícil chorar do alto do meu castelo, rodeada por regalias e conforto. Me sinto fútil, garotinha mimada.
Me sinto desumana, completamente errada ao lamentar as consequências das minhas escolhas tão erradas. Fui eu que escolhi! Não aceito a falha do meu caráter, a fraqueza por sucumbir diante das consequências.
Tenho mais 30 pela frente pelo menos, e, de certa forma na masmorra do drama decreto meu óbito?
Vergonha dessa imagem, esse semblante triste, dramático e mal ajambrado no espelho.
Apago a luz pra fugir dessa imagem.
Não é o Mito da Caverna de Platão não. É o cansaço mesmo...
A cegueira de não ter visto um palmo a frente do meu nariz lá atrás, quando me julguei esperta pelos caminhos que tomei, trouxe a surpresa, a queixa da linha dessa chegada. Não quero mais esse caminho!
Não aceito mais a falta da minha paz, do meu sorriso lindo no meu rosto, de um coração pulsando no peito cheio de amor, cheio de vida!
Não quero reler pra não ver a falta de nexo das minhas palavras, mas foi bom escrever....o rosto secou.
Sobrou apenas aquela sensação de quando eu era criança e passava o dia inteirinho na piscina. No fim do dia, doía o peito, eu estava cansada e feliz, e queria apenas um abraço quentinho, gostoso pra sonhar em paz. Estou assim, quase feliz por decretar aqui o fim da linha equivocada
Que saudade da época em que o mais chato era acordar cedo e ir à escola! Saudade da época em que eu chorava porque o menino da carteira da direita nem olhava pra mim (ele não era o mais popular, mas era lindo, e era também muito divertido...por onde será que ele anda?) e, essa era minha maior dor!
Saudade do meu salário ser uma nota de boletim, sempre alta comprovando meu empenho. Saudade das quadras, que me faziam poderosa, sempre tão segura, tão capitã, tão bem sucedida. Saudades de quando eu era admirada desse jeito, onde minhas atitudes deixavam adultos boquiabertos, minhas idéias prenunciavam um futuro brilhante e, nas quadras eu era senhora de todos os olhares.
Isso se perdeu ha tanto tempo que se hoje conto a alguém que um dia fui atleta das boas, a testa se franze, a sobrancelha ergue num "não me diga!" desconfiado.
Onde foi que eu perdi a sede de sonhar, de conquistar o mundo e finalmente ser feliz?
Que medo insano de estar deixando a vida passar sem fazer dela meu grande aprendizado, minha grande diversão...
Acho melhor parar, senão vou voltar a chorar.

Um comentário:

Ju Calvelo disse...

Ana, o pior é agente saber, q TUDO só depende de nós mesmos(e na maioria das vezes, agent se sente fraco pra ir em frente)...TUDO é por nossa conta, nosso risco! Mas uma coisa é certa, TUDO passa!Dias melhores virão! Dias melhores pra sempre?Talvez!
Bjokas!

 
Pensamentos fugitivos © 2008. Design by Pocket