Quando eu era adolescente adorava tentar adivinhar como seria o carinha que iria levar o troféu "O homem da minha vida" anos (muitos) mais tarde.
Tinha certeza absoluta que ele seria mais alto do que eu, podia jurar que seria moreno (ou que, ao menos loiro não seria) além de uma série de outros itens que agradariam até o mais chato dos sogros.
Não sei se eram ideais impostos pela criação que eu tive ou se eram indícios de que eu já estava cansando de carregar o mundo nas costas, mas o fato é que adorava me imaginar deitada em seu colo enquando ele deslizava suas mãos pelo meu cabelo.
Gostava de pensar na sensação de proteção, deitada numa cama de conchinha, enquanto o som da TV lá longe, impedia que eu dormisse.
A culpa deve ser minha mesmo porque nunca tive um namorado que passasse pontualmente às X horas em casa pra me pegar, com um ou dois roteiros já programados e ainda um plano B no caso de eu não gostar do primeiro.
Sempre, sempre fui eu quem passei o dia pensando no que a gente poderia fazer para comemorar o aniversário de namoro.
A idéia de pulso firme, diretriz, frequentemente me remete a um homem mais velho, mais vivido e, acho que por isso, jamais considerei a idéia de namorar um homem mais novo.
Sei lá, repudio a idéia de ser mais uma vez a dona da decisão, o cérebro, o "homem".
Reconheço que tenho culpa....mulher forte física e emocionalmente, imponente, decidida, independente...quem é que vai querer cuidar de uma mulher assim?
Quem é que vai pegar no colo uma destemida deusa das guerras????
"Ensinar o Padre Nosso ao Vigário"...
Mas eu não sei todas as preces, e, não tenho todas as respostas...
Sou gente, de carne (muita carne) e osso...mulher de sangue nas veias, medos, inseguranças e também fragilidades.
Não sou apenas força, não sou deusa, e detesto guerra! Sou preguiçosa inclusive!!!!
Estou exausta....juro...muitas batalhas e aí quero o meu colo, o afago dos cabelos e o som da TV que me faz dormir.
A culpa nem dele é...é minha mesmo, que gastei todo estoque de paciência nas situações de peso excessivo sobre as costas desde menina.
Não tem briga, não é desentendimento...é silêncio de amor, respeito mesmo.
Que culpa ele tem de querer ser namorado???? Os valores trocados são mesmo os meus, que estou aprendendo a ser filha, depois de 30 anos sendo mãe dos meus pais....
Foi esse pensamento que me fez entender que o homem que me afagava os cabelos, ou que me punha nos braços enquanto o som da Tv me fazia dormir, não ostentava o troféu de "o homem da minha vida", e, sim, preenchia sincera e simplesmente os papéis de "pai" e "mãe".
Como dói abrir esse espaço que não deveria estar vazio!
A raiva se multiplica e explode quando todos, amigos, irmãos, namorado, gato, cachorro e pensamentos tentam serenamente me fazer um carinho porque nenhum deles cabe nesse vazio.
Meu Deus, pai...mãe...estou debaixo, à frente e também ao lado dos seus narizes!!!!!
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Um comentário:
Pensávamos exatamente a mesma coisa, sabia?rs!
Beijocas,
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