Quando vi o trailler desse filme ha 2 anos, bateu uma vontade de assistir. Mas, tinha certeza de que não era um filme pra mim.
Enredo que poderia ser considerado um draminha estilo "Sweet November" por muitos, mas não pra mim. Sabia que era melhor ficar longe.
Se, já naquela época era assim, imagina depois de ter vivido o que vivi nesses 2 anos que se passaram...
Mas ontem, o sono não vinha e as teclas do controle remoto se chocavam contra meus dedos até a TV parar num canal onde o tal filme tinha acabado de começar.
MALDITA HORA!
Eu TINHA que ter desligado, ido dormir, mas...a curiosidade, o gosto pelo testar limites me fez assistir.
Não vou discutir se é mórbido ou não, se é bom ou ruim. Pouco importa!
*** Convenhamos...se não fosse isso aqui, eu estava internada!
Todo filme tem, ou pelo menos deveria ter, uma mensagem a passar pra quem o assiste.
Essas mensagens geralmente são complexas e, dotadas de tantos aspectos como são, provocam sensações diferentes em cada um que vê o filme.
Pois bem, parece - me óbvio que esse filme trata da sensação de perda.
Mostra ainda como algumas pessoas lidam com os diversos tipos de perda que podemos encarar.
Fala de arrependimento, e de dar valor às pequenas coisas e às grandes também. Mostra que somos sozinhos porque ainda que com ajuda, são as nossas pernas que tem de nos reerguer.
Eu chorei...me acabei, urrei durante metade do filme e, continuei por 3h depois até adormecer.
Dei valor a tudo que eu tenho, é verdade. Às pessoas que ainda estão vivas perto de mim, à casa onde moro, à saude, à vida, às minhas conquistas e a quem eu sou.
Não chorei por se tratar de um filme triste, aliás, nunca choro por causa da história....
Chorei porque senti a perda.
Quando perdemos algo importante, antes da resignação, é preciso viver o luto. E, eu nunca vivi o luto das minhas perdas! Não tive tempo...os fatos atropelaram o tempo e eu TIVE que me resignar.
Não subestimo as perdas alheias e nem dou valor demais às minhas, mas...eu simplesmente me toquei que não tinha tido tempo de chorar.
Não chorei a perda da minha segurança, nem dos amores que tinham tudo pra dar certo e não deram. Não havia chorado ainda a perda de nenhuma das oportunidades que me levariam a um lugar mais feliz do que o ponto em que me encontro agora.
Não chorei a perda das partes do meu corpo e da minha saúde como deveria ter chorado antes.
Foram essas lágrimas que caíram ali.
A lembrança de dores que se perdem normalmente com o tempo, explodiram todinhas na minha "fuça".
Chorei todos os pedaços de vida que perdi. Senti mais uma vez cada uma das dores que já haviam passado por mim.
E, ninguém fica bem depois disso!
Poxa, um desafio, um contratempo vem após o outro, intercalado por momentos felizes. Sofremos, mas em nenhum momento deveríamos reviver todas essas dores.
Mas eu revivi.
Ok, perdi algumas chances, um monte de pessoas e um pedaço imenso da minha saúde.
Ganhei novas pessoas, novos amores, outras chances, recomecei. Venci batalhas e recuperei minha vida...mas antes disso tudo acontecer, perdi.
É bizarro demais reviver as dores, lágrimas e angústias das perdas que já superamos!!!!
Por isso esse filme foi bizarro demais para mim (10 vezes mais do que seria se eu o tivesse assistido ha 2 anos atrás, quando foi lançado aqui no Brasil).
Impossível, ao menos para mim, acordar e não questionar se não estou perdendo algo agorinha mesmo, nesse momento, que vá me fazer chorar daqui a algum tempo.
Terrível pensar que posso estar aproveitando muito pouco de uma felicidade branda, sutil e confortável que só se mostrará imprescindível quando acabar.
Verdadeira neurose, entende?
Medo, pânico, pavor de sentir o chão se abrir de novo.
Para pessoas que sentem - se vitoriosas, mas que entendem o valor de cada gota de suor derramao em busca de suas conquistas nos diversos setores da vida, esse filme é uma afronta. É uma tortura sem fim....
Sem a menor dúvida, o pior bom filme que já assisti na vida!
Posso agora estar equilibrada, de pé; Consciente de que foi apenas um filme, mas juro que a sensação é de "dia seguinte ao pior dia da minha vida".
Não, eu não precisava definitivamente de um chacoalhão pra que pudesse olhar para as coisas mais simples e agradecer por estarem ali. Essa lição eu já tinha aprendido...então, acordei mais um dia, agradecendo por tudo, como faço ha quase 3 anos, mas ainda triste, chateada, porque realmente não precisava dessa surra!
Hoje eu prometo dormir cedo!
quinta-feira, 28 de maio de 2009
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4 comentários:
Achei o filme terrível...
Eu sei bem o que é isso, as vezes tenho e choro de saudades de mim mesma. Vai entender...
PS: não vi e nem sei qual é o filme.
Gostei bastante deste filme, Ana. Para mim ele trata bastante da questão de aprender como perder uma pessoa...que é algo de que não podemos escapar nessa vida. Por outro lado, mostra que as vezes o mais importante é entarmos nos reencontrar.
Beijos
Daniel, não questiono o filme, sabe? Mas, tive que lidar com as perdas que já tinha superado, e, isso não me fez bem. Estava meio sensível, e chorar de medo de coisas que já passaram, já superei é muito bizarro e, completamente desnecessário. Por isso peguei raivinha. Mas, claro, o filme é lindo!
Beijos a todos
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