Dia desses, minha "boadrasta" me surpreendeu com o seguinte comentário:
"Paula, estava aqui conversando com uma amiga minha... Achamos que você devia ficar grávida!"
Do outro lado do msn eu não sabia se gargalhava da piada, ou se dizia ao meu pai que sua esposa não estava batendo muito bem das ideias.
Ela insistiu: "Eu sei que você não é casada ainda, mas a gente quer um bebezinho na família. Todos ficariam felizes, e todo mundo ama o Thiago (o suposto candidato a pai, mais conhecido como o careca, meu mino)!".
A essa altura eu já achei que ela estava surtada e, resolvi perguntar coisas práticas do tipo: quem paga as fraldas? Vou me mudar com meu filho e o pai dele pra um quarto na sua casa?
E, demonstrando sanidade, ela disse: "Eu sei de tudo isso, mas é que seria muito legal! E já tá na hora!"
OBS: ela teve meu irmão aos 37 anos, portanto, segundo o timming dela, eu ainda tenho 6 pra poder ter uma casa, um marido e um salário digno de mãe de família. O mais próximo dessa condição que estou, é ter um namorado que possivelmente virará marido. Mas veja...possibilidade!
Enfim, aquele comentário non sense (tá, a mulherada de 30+ que namora e não tem filhos sabe que é tão comum ouvir esse tipo de coisa que faz parecer que a non sense sou eu por ter achado o comentário absurdo...) ficou na minha cabeça.
Naquela mesma noite saímos eu, namorado, boadrasta, pai e meu irmão pra devorar um japa em comemoração ao meu aniversário e ao dia dos pais.
Em meio à conversa divertida, fiquei observando meu irmão.
Ele tem 7 anos, é educado, doce, divertido e bem inteligente...mas...no way!
A cada guioza que ele erquia com o hashi, eu me afastava com medo de o bolinho virar uma bomba no potinho de shoyu. A voz alta e estridente, aquela agitação de moleque que tem formiga na cadeira.
É uma criança linda, saudável, e, reitero, educada! Mas no way.
Ficou de papo com o shushiman, fez amizade com os garçons, coisa de criança que simplesmente me irrita! Como assim? Não dá pra sentar a bunda na cadeira e, sei lá, desenhar no guardanapo? Te empresto meu celular! Nele dá pra desenhar, tirar foto, e tem joguinho também.
Mas não, claro que não...o esquema era ir desbravando os mistérios do lugar e, voltar à mesa, alucinado, gritando ora pra mim, ora pra mãe as novidades descobertas.
Já em casa pensei: não, isso não é pra mim! Não há criatura no mundo que mereça uma mãe megera e impaciente como eu!
No dia seguinte, prestei mais atenção na minha priminha de 6 anos que, por causa da gripe suína, ainda está de férias e, passa as tardes no escritório da minha tia, no andar de cima.
A avidez natural por atenção, a vontade de me imitar, questionar cada piscada que meus olhos dão é lindo, é fofo, mas atrapalha e também me irrita...fazer o quê?
Fui almoçar com a Helia, que trabalha comigo e, também é 30+ sem filhos.
Entre uma garfada e outra ela me pergunta: "Você se imagina tendo um filho?"
Mas que diabos, tô gorda, não tô grávida!
Não me imagino, por várias razões.
Citei as crianças, citei os impecílhos e, ela, solidária me diz: É, eu também não. É uma lacuna na minha vida, mas sinto que eu não quero!
Aí, eu me choquei...foi a primeira vez que fui obrigada a pensar se eu quero ou não, ponto, sem o "agora" na sequência.
Não dá, não consigo dizer que eu não quero ser mãe!
Então, comecei a pensar no processo...na gravidez em si.
** Isso foi antes de ler o comentário num outro post meu, feito pela minha querida amiga Ieda, gravidíssima lá em Portugal***
Um insight me fez entender porque só as mães são felizes! Me fez entender que paciência é essa que uma mãe consegue ter diante daquela infinidade de "por quês?".
Tudo começa na gravidez.
Se alguém acha que TPM é fácil de aturar porque só dura 5 dias, tente pensar em 37 a 40 SE-MA-NAS de TPM. E, não é qualquer TPM não!
Se as taxas hormonais são vertiginosas na gravidez, e a progesterona endoidece o ser, trata - se de uma TPM super power, com ganho real de peso, inchaço, unhas quebradas e cabelos frágeis de brinde. Tá a fim?
De quebra, o futuro papai é exposto full time à ira dessa mulher, que cresce à medida em que o Universo teima em dizer que ela está linda (e está, mas a coitada, entorpecida pelos hormônios vê extamente o oposto) e, que a fase é maravilhosa.
Para as mais "zen", que acham que será fácil, eu aviso: melhor não desdenhar, pois pode ser que você ainda leve 3 meses de muito enjôo e mal estar.
Já perto do fim, quando o pai parece anestesiado de tantos bofetões, batidas de porta e xingamentos, a mãe, que se dá por vencida e acredita que isso tudo deva valer à pena, senão as mulheres não teriam jamais o segundo filho, começa a se perguntar: Meu Deus, como isso vai sair de mim????
Se não fossem os ultrassons, a imagem 3D dos exames modernos, aquele pezinho, o coraçãozinho batendo numa frequência insana, o dedinho na boca, os chutes, com certeza não daria pra aguentar.
Pois bem, chega o bebê...
A mãe, em frangalhos, exausta e, ainda inchada (é uma sacanagem todo o peso ganho com a gravidez não sumir no momento do parto!) não pode descansar. Experimenta a magia da mamentação, sem quase sentir nada, tamanho o seu cansaço.
Aquele pai, que até agora só foi xingado, privado, tratado pior que o cachorro, ainda é obrigado a assistir aquele elo mágico entre mãe e bebê, do qual ele parece não fazer parte alguma. Entra na fila pra pegar o próprio filho nos braços! Resta a ele, fotografar....
O casal vai pra casa e pensa que poderá repetir "enfim sós!" como no casamento... Piada da Mãe Natureza! Aqueles pobres humanos passarão os próximos 4 meses acordando a cada 2 ou 3 horas (alguns muito sortudos conseguem intervalos de 5 ou 6 horas na madrugada a partir do 3º mês) ao som de berros esfomiados, cagados ou mijados.
Mas, o encanto dos traços daquela criaturinha, uns pequenos e míseros segundos de gracinha, de riso fazem com que 2 adultos (e o resto da família) virem patetas babões.
Aí vem a fase de engatinhar, dos dentinhos, da papinha.
Aquele nenezinho começa a passar perto de quinas de mesas, tomadas...dá um tapa de brincadeira no focinho do cachorro!!! Lá vão pai e mãe correndo atrás, simplesmente protegendo.
O encanto permanece nas gracinhas, no rostinho, no jeito que "puxou" de um ou de outro. Distraídos por todo esse encanto, não percebem o treinamento militar e desumano que passaram nos últimos 21 meses (9 da gravidez + o 1º ano do bebê).
Na festinha, sem perceberem recebem suas medalhas de honra ao mérito e, são condencorados com a patente de "super pais"....
Depois de passar por absolutamente tudo isso sem sequer lembrar das vezes em que reclamaram, não se incomodar com uma criança que não para quieta, ou que fala alto demais, ou que toca a flauta doce tudo errado...que desiste da apresentação que faria na escola de última hora, que pinta a parede porque a folha de papel acabou, que é simplesmente criança, saudável, carinhosa, esperta e espontânea me parece simples demais.
É, eu quero sim ter filhos!
Entendi que a gravidez é o treinamento natural pro primeiro aninho e, que a partir dali, as lições vem aos poucos; Que amar aquela criaturinha é a coisa mais simples do mundo!!!!
Acho que, jamais tive tanta certeza! EU QUERO SIM TER FILHOS!
Mas...continuo com o "NÃO AGORA", por motivos exclusivamente financeiros.
Enquanto junto um pouco de dinheiro, a ideia irá amadurecer, o tempo do relógio biológico irá chegar pra mim e para o futuro papai...
E, quando assim for, o "Não agora" vai virar um "talvez" que irá comemorar muito no dia em que puder dizer "estou grávida!".
Parabéns Ieda, Daniel, Bruno duplamente (pelo filho e sobrinho) e todos os meus amigos que estão na fase do treinamento militar!
Boa sorte e muita saúde!!!
PS: Sonhei com sapos essa noite! Os antigos árabes tinham os sapos como símbolo da fecundidade e gravidez.....
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
As Crianças
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Pensando em:
Contos da minha vida,
Eu comigo,
Fatos da vida real,
Filosofias da vida,
Sonhos de Consumo
Assinar:
Postar comentários (Atom)

6 comentários:
A Aninha vai ter bebê!!!
:op
Olhammm, só digo uma coisa: tenho medo do meu relógio biológico. Porque geralmente eles tocam quando a gente está sem grana, se sentindo um pano de chão. Se o meu tocar, vai ser uma briga minha filha, pode escrever!
Beijinhos!
Fê: Tomara que, qdo a hora chegar eu ainda tenha tempo e saúde pra ter mesmo um bebê!
Mel, se o relógio tocar mesmo, a única briga vai ser pelo nome viu???? rsrsrsrs
Beijos
hahahaha...adorei o post! Foi exatamente isso tudo que pensei quando fiquei grávida! Mas também nunca tive dúvidas, eu queria ser mãe! E não queria ser a mãe-avó...queria ser mãe mesmooo! Apesar da minha pouquíssima paciência. A fase com certeza não é das melhores...vivemos uma baita crise e estamos muuuito longe das pessoas que amamos! Mas era a hora! E aqui estou...grávidaaaa
Concordo com a sua "boadrasta", por que não começar a amadurecer a idéia? hehehehe
Boa sorte!
beijos
Olha, posso parecer mto insensível e tudo mais, mas é que... não nasci pra isso.
E parece, sei lá, errado uma mulher dizer "não nasci pra ser mãe".
Por outro lado, não sei tb para o que eu nasci, o que torna tudo ainda mais triste e errado. mas sério: não gosto de criança.
Esse é meu maior problema. Pode ser a mais fofa do mundo. Aliás, acho que das mais fofas que eu menos gosto.
Ah, o email: aninha.smiley@gmail.com
Postar um comentário