O sol dava as caras por volta das 14h do domingo, depois de dias de chuva ininterrupta.
Eu devia ter sorrido, devia ter sentido uma alegria, mas o gosto amargo de uma ressaca me remeteu sensações e pensamentos nublados.
Eu nunca tive inimizades! Nunca tive pessoas em meu caminho que pudessem dizer "Eu conheço, mas não gosto da Ana Paula!".
Algumas dezenas de pessoas já entortaram seus narizes para mim, é claro, mas não contabilizo pois sequer tiveram a chance de me conhecer. Há como dar credibilidade a uma opinião de quem não conhece determinado assunto?
Pois é...eu, de fato, só considero como inimizade o desconforto que se forma entre duas pessoas que se conhecem, tiveram um bom (qualidade e/ou quantidade!) tempo de convivência e, apesar de um aparente esforço em prol da harmonia, o desconforto persistiu.
E, naquele momento em que o sol tocava o meu rosto, percebi que nos últimos 2 anos conquistei alguns desafetos.
Fiquei chateada comigo mesma, me questionando onde estavam minha delicadeza, minha educação, e minha humildade. A ressaca corroía meu estômago, eu jamais havia me visto assim, como alguém que pudesse inspirar inimizade em outrem.
Por uns instantes, contabilizei erros, excessos, atitudes desnecessárias. E, aquilo ficou em mim, por ter sido interrompida antes que eu pudesse ponderar também os meus acertos.
A tarde desenhou no céu um cenário de paz, um silêncio tranquilo em resposta a toda aquela chuva gelada que caíra nos dias anteriores.
Logo depois, a noite veio serena, com pressa de acabar com o domingo.
Era mais de meia - noite e, a melancolia de ter um desafeto declarado me encontrou novamente.
Refleti, e à medida que os minutos e os pensamentos corriam, uma onda de paz, de alívio percorria minhas veias.
Um insight me fez ver tudo com mais clareza.
O exato momento no qual eu me tornei uma pessoa passível de inimizades, foi também, o momento no qual decidi que respeitar a minha verdade, a minha vontade, viria sempre em primeiro lugar.
Foi no dia que aprendi a dizer "NÃO" que me tornei alvo desprezível para os que simplesmente não sabem ouvir essa palavra, que me tornei plenamente passível de desafeto por parte dos que não tem capacidade de entender o significado da palavra "RESPEITO".
Daquele dia em diante, conquistei 1 grande desafeto, desfiz um vínculo com alguém que erroneamente chamava de amigo e, um monte de opiniões negativas de pessoas que não me conheciam (esses últimos me provocam um riso discreto).
Há alguns meses, tenho tentado reverter uma falta de empatia com uma pessoa que talvez faça parte da minha convivência pra sempre.
De fato, não posso ser hipócrita e dizer que eu tinha um grande afeto. Eu apenas achava que seria ótimo para todos se esse afeto florescece.
Evitei pré julgamentos, maledicência e até mesmo contato muito intenso até que aquele desconforto inicial sumisse.
Fiz o que estava ao meu alcance, mas não deu!
Ela se tornou minha segunda grande inimizade, lamentavelmente.
Acusações infundadas, grosseria, certa hipocrisia, falta de humildade e também de respeito me fizeram dizer "NÃO" em definitivo para ela.
Fico muito chateada com isso tudo, detesto me sentir assim.
Meu consolo é perceber a imensa gama de semelhanças entre estes dois desafetos.
Com certeza tenho minha parcela de culpa em ambas as situações, e, jamais atribuiria rótulos de certo ou errado para essas pessoas ou para mim.
Lá pelas 3:30h simplesmente concluí que pessoas inconstantes, que não assumem as palavras que desferem, ou que tem um lapso de humildade sempre serão passíveis da minha inimizade.
Percebi que pessoas que apontam demais os defeitos dos outros sem tolerá-los jamais conquistarão meu respeito.
É parte de mim.
Atire a primeira pedra quem nunca apontou o defeito do outro! Isso é humano, não é legal, mas é humano. Somos falhos....
Porém, aquele que, diante do primeiro e talvez único tropeço do outro é capaz de dizer "tudo bem, mas jamais serei seu amigo";
Eu não consigo lidar com quem diz que não julga, mas, é capaz de dizer "no começo, logo que te conheci, não gostava de você!". Talvez seja uma burrice minha, mas, perder seu tempo escolhendo se gosta ou não de uma pessoa antes de conhecê-la não é o mesmo que julgar???? Não é hostil dizer a alguém de quem se gosta que nem sempre foi assim?
Sei lá...a minha essência não recebe muito bem essa situação e, mais uma vez, optei por respeitá-la. Assim, adormeci tranquila.
Minha consciência está em paz.
Há ainda uma melancolia devido ás cenas presenciadas e, ao carinho que tenho pelos demais envolvidos...
O tempo é, e sempre vai ser, um excelente remédio!
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
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Um comentário:
A maioria dos meus bons amigos de hoje, falaram que no começo me achavam um saco... julgaram e pagaram pra ver... acho que deu certo, né?
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