quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Alguém me ensina a fazer pulseirinha artesanal?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
O post vai ser longo e cheio de reclamações, choramingos e narrações.
Não é um texto inteligente e muito menos bem sacado.
Não é nem de longe um dos meus textos razoáveis.
Enfim....
Eu andei bem sem vontade e, depois, sem tempo de escrever aqui.
Não tava mais a fim de contar como a vida tem me judiado, nem de falar sobre os mesmos problemas de sempre.
Se isso já é chato demais pra mim, imagino pra quem me lê ou me escuta.
Por um outro lado, preciso muito escrever, organizar as ideias, os fatos, e tudo o mais.
Então, era uma vez...
Lá no meu passado de cirurgiã dentista de clínica popular, eu tinha um desejo íntimo. Era mais um protesto em forma de projeto do que um desejo em si. Ficava inconformada com as "fulaninha" de sorriso baleado (juro, não tinha UMA que não tinha uma cariezinha num dos dentes da frente, ou um quebradinho, a falta de um zagueiro, ou, quem sabe um centro-avante) juntando os caraminguás e torrando 600 mangos pra alisar o pixaim em plena febre das escovas definitivas e progressivas.
Por 100 paus divididos em várias vezes, dava pra dar um jeito nos sorrisos e deixar as bocas minimamente saudáveis. Mas não....as amigas juntavam tudo que era moeda, espremiam o salário, faziam bico pra, lindas e banguelas, torrarem sua grana no salão de cabeleireiros.
Eu decidi que um dia deixaria de ser a doutora e teria um salão pra chamar de meu então, iria finalmente encher os bolsos de dinheiro às custas da vaidade alheia ao invés de ficar tendo que convencer neguinho a cuidar da própria saúde bucal (percebe o absurdo???).
Muita água rolou debaixo da ponte até que a oportunidade apareceu: Minha mãe com uma graninha de herança guardada, desesperada por uma fonte de renda; E eu, de saco cheio do meu salário baixo, do meu excesso de stress e da falta de tesão no meu trabalho.
Não foi difícil fazê-la achar que seria um bom negócio e, então partimos à caça oportunidades.
Não foi tão simples assim. Encontramos salões que não cabiam no nosso bolso e, também alguns que não pareciam valer à pena.
Quando encontramos o ideal, percebi que estava todo enrolado, cheio de história e incongruências.
Esperamos quase um ano pra que esse salão se desenrolasse.
Apesar de o contrato ter sido feito do jeitinho que eu queria, de tudo estar como eu considerava apropriado, passei dias sonhando com essa música (em especial o verso "que façam bom proveito da grana que roubaram porque eu trabalho e outro dinheiro eu vou ganhar")...tinha algo de errado. Entrava no local e não o sentia como MEU. Tinha algo que não podia identificar ainda, tirando a minha paz, o meu sossego.
Trabalhei que nem escrava, tanto pra aprender a lidar com funcionários, quanto pra achar fornecedores bons, baratos, pra não deixar o nível cair e também pra aprender a lidar com um ramo de atividade totalmente inédito pra mim. Foram 10 dias nonstop, trabalhando no mínimo 12 horas diárias, fazendo de um tudo, desde a administração até a colocação do lixo na rua pra ser coletado.
Tem ideia do que seja substituir um antigo chefe amado por todos os funcionários? Do que é lidar com gente de educação e instrução limitadas e egos colossais?
Não digo que fui humilhada porque não há nada de indigno no que eu tive que fazer, mas, com toda a certeza eu soube ser humilde e aceitei na boa quebrar o galho de servente ao mesmo tempo em que exercia meu cargo de dona, de "patroa".
E, 13 dias depois, a negociação acabou rescindida.
De fato, queriam me dar um golpe e, tudo aquilo que estava enrolado, todo o lixo foi revelado por debaixo do tapete.
É claro que não foi uma rescisão amigável. Já viu golpista aceitar que perdeu e não conseguiu extorquie nem um centavo de suas vítimas?
Éramos 3 partes, e eu fui a única a manter minha palavra. A parte B cansou - se de esperar que a C (golpista) cumprisse a dela e jogou a merda no ventilador.
Com direito a delegacia, pressão e terrorismo que, em certa altura ainda vai respingar em mim, óbvio, a parte B bateu no peito e rescindiu o contrato!
O saldo disso tudo?
Foi DO CARALHO descobrir que sou capaz de pegar uma bomba nas minhas mãos e dar conta dela. Ao final dos 13 dias, sou extremamente querida pelos meus, agora ex - funcionários; sou admirada e respeitada por todo mundo ali, especialmente pelos que não botavam fé.
E, o mais animal foi diante do espelho....eu, que tinha (e tenho) medo de crescer, me vi responsável, estressada, adulta e totalmente dona da situação.
Por esse lado, é triste que não tenha dado certo e, se esse fosse o saldo final, eu poderia pegar o dinheirinho e investir num outro salão qualquer.
MAS, teve também o lado negro da força, as surpresas desagradáveis que nunca imaginei que teria.
Eu trabalhava com o meu pai e reclamava demais, por ser exigida e muitas vezes atrapalhada demais por ele na minha função.
Minha mãe? Mil vezes pior....acabei meio que escrava, mãe dela, totalmente responsável por ela e pela direção do nosso negócio.
Eu e meu pai remamos pro mesmo lado, apesar de muitas vezes discutirmos a rota e de, às vezes darmos remadas um na cabeça do outro. Com minha mãe, fui a condutora da canoa, enquanto ela repousava sob a sombrinha, na melhor pose da dondoca.
Não se trata de caráter, de bondade, nem crueldade! Trata - se apenas de uma responsabilidade que não me cabe e que não quero pra mim.
Não sou obrigada a ser súdita, a sustentar os caprichos da minha mãe e ainda ter que contornar suas limitações.
Minha obrigação de filha não está em ensinar - lhe a trabalhar em equipe, e sim, em não deixar que lhe falte o que comer ou onde dormir.
Em meio a toda briga de B com C, que deve respingar em nós a qualquer momento, as únicas perguntas que se repetem na boca de mamãe são "onde farei as unhas e cuidarei do cabelo?" e "quando receberei minha parte do faturamento?".
O faturamento? Bom, não mexi! Estou aguardando porque muito provavelmente ele irá direto pra conta de um advogado que impeça que eu seja acusada por qualquer perda ou dano da parte C, a golpista.
Enfim, aprendi que não devemos julgar as pessoas; que dinheiro e nível social não compram caráter (a parte B, que não tem dinheiro nem estudo, foi de uma honestidade impressionante!); que é natural ter medo do desconhecido, mas que minha intuição é foda pra caramba então, quando ela falar, é bom a razão calar a boca.
Aprendi que eu POSSO, que eu sou capaz. E, que sou estressada e nervosa demais.
Nervoso em excesso emagrece mesmo!
Concluí que não quero e nem vou ser sócia da minha mãe e que, tudo o que eu fizer por ela será de graça pra que eu não me estresse.
Fiquei bem triste por isso!
Agora...como confusão pouca é bobagem, ao voltar pra empresa, descubro que minha secretária recebeu uma proposta bacana em outra empresa e resolveu ir!
Fiquei feliz por ela, e muito tensa por mim.
Ela é meus dois braços e também minhas duas pernas. Em alguns muitos momentos ela é também meu par de olhos e meu cérebro. Sabe quando você pensa "sem fulana não sou nada"? Pois é...Helinha é essa pessoa na minha vida!
Sei que vem aí um Tsunami daqueles porque estou passando agora pelo terremoto.
Daí que, ao invés de me perguntar porque é que ando dando tanta cabeçada desde o início de 2010 (tá é desde bem antes, mas é que 2010 tem sido bem traumático!), só faço agradecer a Deus....
Depois de todo esse terremoto, diante de toda a dificuldade que eu ainda vou enfrentar, tudo faz seu sentido!
Se não tivesse tido o salão, como é que eu me respeitaria, me admiraria e acreditaria na minha capacidade de superar problemas e aprender? E, se ainda tivesse salão, como é que conseguiria me virar em duas e absorver todo esse trabalho extra que vai surgir agora na empresa?
Se já estava impossível levar a empresa e o salão juntos, levar a empresa e o salão juntos sem a Hélia seria o atalho perfeito pro hospital (sem exagero).
Não, definitivamente não serei como ela, assim como não fui como o antigo patrão das funcionárias do salão. Mas, preciso botar fé em mim, acreditar que farei meu melhor e, que do jeito que tiver que ser, tudo dará certo!
Minha intuição diz que vai mesmo dar td certo, que depois de uma longa tempestade que ainda mal começou, o sol vai voltar lindo e brilhante!
No mais, EU ESCOLHI assim! Eu escolhi que farei o meu melhor...que devo chorar, espernear e gritar algumas vezes, mas daqui a um tempo eu me adapto, e tudo ficará bem!
2010 está decretado oficialmente o ano das viradas profissionais!
Não sei onde vou parar, mas pela primeira vez sinto que, de fato algo está se movendo adiante nesse setor da minha vida!
E, se tudo der errado, eu viro hippie e vou vender pulseirinha em Trindade ou São Tomé!!!!!!

4 comentários:

DESASSOSSEGADA disse...

Querida so tenho que lhe desejar sorte pois coragem vi que vc tem de sobra...

Vai dar tudo certo vc vai ver...

E 2010 lhe vai lhe trazer muitas coisas boas.

Bjos

Cilene disse...

Nosso so de ler o seu post ja me deu um super animo,
boa sorte, tenho sertesa que com toda essa sua garra tudo vai dar certo.
Nao desista nunca!!!

Diário Virtual disse...

feliz por ela e tensa por mim, hahahah, essa foi boa amiga!

guria q saudade daqui!!

e tenho certeza que 2010 vai ser um ao excelente pra nós!!

bjo grande

Ana disse...

Não sei de onde vcs tiram tanto otimismo, mas beleza...risos...Vou optar por confiar cegamente em vcs!
beijos e obrigada pela força and paciência!

 
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