O cara que todo mundo chama de idiota e que está em paz com sua consciência, ou o cara que é idiota de verdade e não enxerga por causa do orgulho que o cega?
Muitas situações tem me mostrado essa pergunta nesses últimos dias e, a cada vez que ela piscava na minha consciência, eu sorria e a raiva ía logo embora.
Hoje, numa conversa com uma amiga me vi dando conselhos, dizendo palavras doces que nem eu mesma tenho tido a sabedoria de aplicar.
No trajeto pra casa, cada pedaço dessa conversa fazia ainda mais sentido.
Quantas não são as vezes em que, diante de uma situação, inflamados pela cólera não pensamos "Esse cara só pode estar me fazendo de idiota!", ou "Você acha que eu sou idiota?"?
Dominados pela emoção da raiva, a ofensa que fere o ego, só somos capazes de pensar numa forma de mostrar ao infeliz que não, não somos idiotas..."você vai ver só com quem está mexendo!".
Sonora gargalhada...
Hoje percebi que eu realmente estava vestindo uma fantasia boba que não me serve.
Num momento uma pessoa mal educada, que não sabe argumentar me alfineta, me xinga, e perde a compostura...Raiva, ódio mortal...sonora gargalhada! Só depois entendi que, nem sempre a verdade agrada os ouvidos das pessoas. Ainda que possa ser o melhor pra nós, a verdade que nos contraria, incomoda.
Num ímpeto de raiva, rebusquei o meu melhor Português e redigi uma resposta altiva, arrogante e, que decerto destruiria aquela pessoa...mas, apaguei.
Apaguei porque a razão e a lucidez simplesmente disseram: deixa, se tal pessoa quer ir pelo caminho que você já sabe ser o errado, deixe que ela mesma descubra o que você descobriu andando por ali.
Se a tal dona fulana do post passado,por exemplo, sentiu - se tão lesada...deixa! Não cometerei novos erros apenas para agredí-la e revidar esse tipo de violência silenciosa tão comum nas relações interpessoais.
Desde criança fui aquela boba, a idiota que vez ou outra ouvia xingamentos, que era alvo de chacotas exatamente daquelas outras crianças que queriam ser quem eu sou.
Extendi minhas mãos a quem eu amei e quis mesmo ajudar. Em troca, a traição, maledicência e a perda de alguns amigos. O que eu fiz? Nada...deixei o tempo passar.
Sem a mesma emoção de antes, pude entender que perdi alguém que traía, que me maldizia, que não amava o próximo...e, essa pessoa, perdeu alguém que a amava, e simplesmente lhe queria bem. Quem perdeu mais? Quem é, de fato idiota?
Fazer para o outro aquilo que não faria a si mesmo e achar que esse é o certo...Quanto equívoco há nessa sentença?
Nessa atual fase da minha vida, percebi que, ao meu redor algumas pessoas são de fato ignorantes (no sentido de ignorarem coisas simples como delicadeza, gentileza, humildade, sinceridade, caridade) e, quão diferente delas seria eu, se devolvesse a violência que me dedicam?
A elas, meu amor, minha bandeira branca e compreensão...Compreendo que agem em acordo com aquilo que lhes foi ensinado.
Eu aprendi a amar...a ser gentil,a ouvir, a não julgar, também a aceitar que erramos, até porque não é sempre que ponho em prática meu aprendizado (pra dizer a verdade, praticar é infinitamente mais difícil que aprender), sendo obrigada a pedir que as pessoas me desculpem por isso.
E daí que o mundo ache que sou idiota por não comprar briga, por não revidar ofensas ou qualquer tipo de violência?
Importa, de fato, que eu me sinto sábia, pois ainda que eu revidasse, nenhum prêmio ganharia. Importa que eu durmo em paz pois acredito na simples teoria da causa e consequência.
Se você faz mal a mim e, por não receber qualquer tipo de réplica, me considera idiota, ok, não há problemas.
Se me ofende, esperando minha atenção em forma de ofensas...lamento, não sou assim.
Um dia, eu, você, todos nós, entenderemos o verdadeiro significado dessas histórias!
Enquanto isso, me deleito com as tantas outras pessoas deliciosamente interessantes que me rodeiam...
quinta-feira, 16 de julho de 2009
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