terça-feira, 15 de setembro de 2009

Como dirigir um carro em São Paulo/SP

terça-feira, 15 de setembro de 2009
Continuando o assunto do post de ontem, resolvi expor um obscuro aspecto da sorte de ter um carro aqui em Sampa. Esse aspecto é sórdido e desconhecido pela imensa maioria que não tem um "possante" pra chamar de seu.
Não tenho a intenção de vitimizar os motoristas (não seria hipócrita a esse ponto) e, muito menos desconsiderar que os pedestres são mais afetados pela falta de educação no trânsito do que os próprios motoristas bem educados...
Então, retomando: você foi lá, comprou seu carro, pagou imposto, documento e seguro obrigatório....Habilitações (sua e do veículo) e seguro (contra danos financeiros, contratado particularmente) em dia, é hora de cair no asfalto!
Lembre - se!!!! Há pelo menos um dia na semana que sua circulação fica restrita entre as 7 e 10h e, depois, das 17 às 20h. Se você esquecer, é possível levar mais de uma multa pela mesma infração (eu levei, recorri, e perdi!)....
Primeira providência prática para curtir a liberdade sobre 4 rodas é encher o tanque!
E, já no primeiro estágio você começa a ter problemas. O preço da gasolina "de marca" (postos com bandeiras mais renomadas como BR, Shell, Ipiranga e Esso) é exorbitante e, nos dias de hoje não garante mais a qualidade do produto. Daí você fica entre a cruz e a espada. Ou você paga o olho da cara por um litro de gasolina "batizada" num posto supostamente confiável pela bandeira que ostenta; ou então, você opta por ir num outro posto, cujo preço menor te garante uma "poupança" pra quando tiver que arcar com a manutenção do motor. Sim, porque gasolina adulterada faz mal ao motor e, fatalmente você arcará com as consequências!
Tomada a decisão, é hora de dar o seu "rolê". Ruas esburacadas nem entram na lista de problemas porque isso engloba desde a qualidade do asfalto produzido pela empresa que venceu a licitação pública, até a falta de educação dos motoristas que sobrecarregam suas caminhonetas, e dos de ônibus e caminhões que andam por ruas que não tem porte para recebê - los.
E lá vamos nós, roda amassada, pneu furado, vida útil do danado reduzida graças a uma gama de infrações que não são nossas.
A sinalização aqui de Sampa é da era Maluf, o "tiozinho" que rouba mas faz! Quer dizer...no mínimo carece de uma atualização, afinal, o trânsito cresceu nesses anos todos e os governos, cada qual da sua maneira porca (é, porca sim, senão teria dado jeito!) foi dando seus pulos pra minimizar o problema. Resolvê-lo é hoje quase utópico!
E, então, com o crescimento do trânsito, vem a parte mais patética da história.
Você está com pressa? Ok, então, você tem o direito de burlar a lei que é pra todos, oras...Trate de costurar (pular de faixa em faixa sem sinalizar ou ter a segurança mínima necessária), buzinar, ultrapassar pela direita, andar na contra mão pra conseguir ganhar míseros 5 minutinhos.
Eu, que sou educada, não contente em prestar atenção na sinalização que me conduz em segurança, tenho, obrigatoriamente que prestar atenção se o meu vizinho de calotas está andando na linha também. É, o trânsito te obriga a quebrar a regra da boa educação de não prestar atenção nas atitudes do coleguinha e, focar - se mais em realizar as suas com esmero. Aqui, olhar o próprio rabo e não errar, é pouco! É preciso estar pronto pro erro alheio também!
Uma sinalização "remendada" contribui e muito pra que o índice desses erros aumente.
E, como se já não fosse aventura suficiente sair num trânsito de gente estressada, intolerante, atrasada e mal educada, a Lei ainda nos deu como cerejinha do bolo, a classe dos "vidaloka". Segundo o Código de Trânsito, motocicletas PODEM andar entre um carro e outro!
Eu acho isso o máximo....é a antítese, a quebra da lei da inércia! Afinal se uma faixa é o espaço destinado a um carro e, a outra faixa tem seu limite representado por uma pequena linha tracejada, 3 (1 moto e 2 carros) corpos podem ocupar o lugar do espaço que deveria ter apenas 2! Não é inacreditável?
Mais louco ainda, é a sensação de poder que a Lei dá aos motoboys. Bom senso? Non ecxiste!
Se pode andar entre uma faixa e outra, mas não cabe, azar do seu retrovisor! Se você quer mudar de faixa, ligue sua seta 3km antes, porque eles andam em bando e, é preciso aproveitar a rara oportunidade que eles nos dão. Do contrário, meu amigo, você se verá rodeado por E.T.s de capacete que simplesmente não estão nem aí pra quem tem de fato razão.
Não generalizo porque conheço ao menos 1 motoboy que cumpre a Lei (do Respeito e do Bom senso antes mesmo de cumprir a de Trânsito) e que, por isso nunca sofreu um acidente em 15 anos de profissão. Mas, pra esse 1, já vi muito mais de 100 fazendo merda que põe em risco a vida deles e a minha também (porque vai você tirar satisfação pra ver).
Como toda "festa", há sempre um momento auge e um "inferninho".
O auge é chamado de horário de pico, ou hora do rush! Hora...rs...antes fosse uma única hora, mas nem é. Sexta - feira, por exemplo, o rush vai das 7 da manhã às 22h (sem brincadeira!).
É nessa hora que mais tenho raiva de ter gasto o dinheiro num carro e não numa casa vizinha ao escritório.
A galera esmagada feito sardinha no transporte público te faz achar que você fez bom uso do seu dinheiro, mas aí, vem o fulano que se aproveita do transito, enfia o carão no seu insulfilm, enxerga sua bolsa, e, em 10 seg, estoura seu vidro, leva sua bolsa sem que você tenha sequer condições de andar 3 metros. Aí, ele e os amiguinhos dele, fazem a festa...pegam a sua e mais quantas bolsas puderem carregar.
Nessa hora, companheiro, você reza! E, timidamente inveja o fulano ali do ônibus, porque ali, o esmagamento é tanto que, até nego puxar arma pra assaltar alguém, já levou uma dedada no fiofó dada pelo cara que está atrás dele.
Por causa desse caos, mudamos a sede da empresa para mais perto das nossas casas e, com isso, teria apenas 1 ponto como esse pra enfrentar. A fim de evitá-lo, gasto feliz alguns litros de combustível no caminho mais longo, só pra não ter que passar por lá.
Eu chamo essa parte de auge, porque todo ano a gente paga uma fortuna do tal IPVA que vai 50% pro Estado e 50% pro Município e, quando a gente mais precisa, nenhum dos dois faz nada!
Eu já cheguei a ver amarelinho do CET (Controle de Engenharia de Tráfego) digno de ser linxado, pois aplicava multas nos carros que furavam o farol vermelho em virtude de um "arrastão" na Berrini (uma das avenidas com mais prédios comerciais de São Paulo). Nego fugindo de ladrão tomando multa e, a autoridade nem aí pra chamar a Polícia....
Após essa batalha toda, chega - se no trabalho de manhã e, em casa de noite. É aí que vamos encarar o "inferninho" que citei há pouco.

Uma das coisas legais de se ter um carro, é a liberdade de ir e vir e, com isso poder se divertir com amigos nos fins - de - semana, seja lá onde quer que vá rolar a diversão.
E, então, você sai sorridente com a caranga pra sua baladinha.
Mais trânsito! Ok, não tão caótico quanto o do dia - a - dia, então você chega até a dizer: "Como é gostoso dirigir assim!".
Chega no lugar, e vai parar o carro.
Estacionamento nas regiões mais badaladas chegam a 30 reais! Isso quando não é um evento mais selecionado, estilo Show, Jogo da seleção, Teatro onde os ingressos, por seu preço, acabam elitizando o público.
Bom, se é elite, bora enfiar a faca!
Onde vou parar o carro?
Se der sorte, tem 1 das seguintes opções (é, tem situação que nenhuma das 3 mesmo!):
- Para no estacionamento. Ele pode estar a até 200m (quem sabe ainda mais) do local e você pode ser obrigado a deixar a sua chave na mão deles (pra que eles consigam fazer caber ainda mais carros). Se essa é sua opção, cheque seu estepe na entrada e na saída e, nunca deixe pertences pessoais dentro do veículo. Saudade do tempo em que roubavam CDs...hoje a onda é levar macaco, estepe, triângulo e tudo o que estiver no seu porta - malas.
- Para no Valet Parking. É um pouco mais caro que o estacionamento, mas, você não precisa andar 200m. Você entrega seu carro na mão de um carinha que sequer sabe se é habilitado, pra que ele pare "com seguro" em algum lugar secreto que eu jamais descobri onde fica. Já vi manobrista moleque, na rua de trás da balada, exibindo carrão de cliente pra mais um monte de moleque. O risco de ter o estepe e outras cositas más roubados permanece.
- Chega cedo e para na rua mesmo, afinal você paga imposto não é mesmo? Bom, dependendo do horário, capaz de você enfrentar a "Zona Azul" (em regiões mais muvucadas da cidade, além de pagar imposto pra usar a rua, vc paga para estacionar junto á sarjeta!!!). Mas, o mais legal mesmo é o famoso flanelinha. Ele hoje não tem idade e, às vezes é "ela" também. É uma pessoa que aproveita da sua necessidade de estacionar o possante pra levar um troco. Nesse caso, em tese, ele vai tomar conta do seu carro, mas, se resolverem roubá-lo, com toda certeza, neguinho não vai chamar a polícia. Se você acha injusto pagar para estacionar num lugar que é público só porque neguinho dominou o pico, cuidado! Seu carro pode aparecer riscado, com som roubado ou com pneus no chão. Aqui, a dica é parar sempre perto de uma guarita de prédio, esvaziar o carro, ser simpático com o flanelinha e prometer que vai deixar uma graninha boa com ele na volta. Certifique - se de ficar mais tempo do que a maioria. Com sorte, ele já terá ido embora, do contrário, terá que pagar a promessa. Eles andam em bando e, pra querer te "saquear" vai faltar pouco.

Por incrível que possa parecer, existem lugares em São Paulo que conseguem não ter nenhuma dessas 3 opções disponíveis. Mais incrível ainda, é achar um barzinho, um restaurante, um lugarzinho legal, no qual você possa parar o carro na rua, sem medo e, sem ter que pagar a chantagem de um espertinho.
Você entra e vai curtir sua balada, seja ela qual for.
Divirta - se ao máximo, pois é preciso valer à pena!
Hora de ir pra casa....
Ruas vazias, e, mais perigo.
Motoristas embriagados, e mesmo assustados (é, temos mais medo da violência do que de acidente) "roletam" (atravessam inadequadamente e, em alta velocidade) os faróis vermelhos pela cidade; A criminalidade aproveita que você caminha relaxado em direção ao seu carro e te leva pra sacar uma graninha no caixa 24h; A parte corrupta da polícia para a playboyzada a fim de ganhar o "extra" do fim - de - semana.
Você chega em casa e, agradece a Deus por estar tudo bem.
Aí eu me pergunto...
As pessoas usam transporte público e sofrem muito a sobrecarga do mesmo diariamente. Incomparável o sofrimento, mas, será que pelo preço que pagamos pra ter um carro em dia com tudo o que nos é imposto não nos sujeitaríamos também? Será que não vale mais à pena encarar ônibus e metrô?
Nos finais de semana, andar de táxi pode sair mais barato e, com certeza mais seguro.
E, a conclusão que eu chego é que vale á pena morar perto do trabalho, ir a pé, e ter uma scooter pro final de semana, afinal, não requer seguro, não paga estacionamento (toda balada tem um lugarzinho onde você coloca sua moto, quase sempre de graça, na porta do local e com chaves no seu bolso!), não pega trânsito, corre menos risco de assalto (primeiro porque dar fuga é mais fácil, segundo porque onde há um motoqueiro em apuros, há um enxame de "vidaloka" buzinando, chegando pro socorro), gasta menos imposto, menos combustível, polui menos e ainda tem a Lei de Trânsito (juntamente com a liga dos motoboys) do seu lado.
Vou conversar sério com meus amigos motoqueiros....Vai ver, eles também tem um lado obscuro pra retratar que eu ainda não conheça!!!! Se for apenas relacionado aos dias de chuva, eu tô dentro!!!!

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