terça-feira, 28 de outubro de 2008

Conto de Fadas Moderno - Parte IX*

terça-feira, 28 de outubro de 2008
Parte I
Parte II
Parte III
Parte IV
Parte V
Parte VI
Parte VII
Parte VIII
Na quarta - feira trabalhei até bem tarde, estava tão exausta e estressada que precisava tomar uma cerveja... Uma só não foi suficiente e, a noite de sono acabou curta demais! Era quinta - feira e, eu não tinha que trabalhar (tinha só algumas coisinhas pendentes que podia fazer em casa mesmo), então dormi, mas dormi gostoso mesmo....
Lá pelas 13h tocou meu celular - eu sabia que tinha mais ou menos marcado com o Vinícius, mas, não fiz questão de ligar, porque estava quase que torcendo pra ele desistir de me ver estragada como eu estava.
A idéia inicial era almoçarmos juntos, mas achei melhor ganhar um pouco mais de tempo para tentar me recompor e, marcamos no bom e velho Fran´s às 14:30h.
Como sempre, pontualíssima, 14:31 eu estava lá. Por ter esse mesmo hábito, achei até que ele já estaria me esperando, mas não foi o caso.
Por um segundo até achei que ele pudesse ter desistido...que idéia, caramba, era apenas um encontro de amigos, AMIGOS, entendeu, Ana Paula?
Arruma o cabelo, retoca o gloss, dá uma olhada no espelho e veja se está td certo...
Menos de 10 minutos depois, o vi ainda na calçada, através daquele mesmo vidro por onde vi a fatídica conversa de telefone mencionada no sexto capítulo.
Meu primeiro impulso foi colocar a mão na boca. Sem brincadeira! Meu coração deu um pulo estilo de gato que achei que iria cuspí-lo no prato da mesa que estava ha uns 30m da minha.
Ele estava MA-RA-VI-LHO-SO!
Juro por Deus...como pode um ser humano (ainda mais homem que não tem como mudar muito o cabelo...ainda mais alguém que estava com o corpo dentro dos padrões já)mudar tanto, mas tanto em míseros 90 dias sem que tenha havido qualquer intervenção cirúrgica?
Eu sempre o achei bonito, mas ali, parecia ter rolado um extreme makeover...Ele estava maravilhoso, manteve tudo o que tinha de bonito, e transformou em lindo aquilo que não chamava mais a atenção.
Uma palavra me veio à mente quando ele parou em frente à mesa para me cumprimentar: "fodeu!"
Com o corpo tremendo (de ressaca, óbvio!) e com aquele meu típico receio (é, aquele degrauzinho do Finnegan´s realmente me traumatizou), levantei, respirei fundo e incorporei a fase Wonder Woman.
Parecia novela, filme, efeito especial de quinta, sabe? Muito em câmera lenta, à medida em que meu corpo se desdobrava pra ficar de pé, meus cabelos balançavam se ajeitando, eu via nos olhos dele um brilho surgir e uma cara de espanto de quem estava vendo a tal extreme makeover acontecendo ali, bem diante de seus olhos.
E aí, a gente se abraçou, tipo "oi, tudo bem?", sendo que já estávamos nos cumprimentando desde a hora em que os olhares se cruzaram.
O corpo não fala, ele grita, e, nossos corpos disseram ali que havia algo de muito esquisito, algo de muito, "Ei? Não pode! Que feio!". O abraço foi um tanto constrangido... Me senti ridícula e fiz toda a força do mundo pra parecer natural...imagina? Uma mulher linda, incrível, poderosa não podia demonstrar que estava desconsertada pela presença inebriante dele. E, assim, dei o tal abraço sem encostar muito meu corpo no dele, meio atrapalhada e tratei logo de me sentar.
Durante os 5 primeiros minutos não ouvi uma palavra. Ele falava, eu só sorria, era só paisagem porque estava absorvida pela imagem daquela mão esquerda com uma aliança cujo nome escrito não era o meu. Justo aquela mão que eu adorava quando tocava a minha, ou de leve deslizava sobre meu rosto, minha cintura.
Esquece, volta, volta, Ana Paula....e, quando voltei ouvi: "...e haviam vários momentos e coisas alí na China que me lembravam você, e que eu guardava porque queria dividir com você e só com você, Ana. Isso é estranho!"
Conversamos por horas que mais pareceram minutos.
Na minha frente havia esse homem lindo, de um potencial tremendo pra ser feliz, de um coração gigante e um talento indiscutível me ouvindo admirado, encantado pelas minhas palavras que eram julgadas como sábias. Ouvia a minha visão de histórias diversas e, sempre era pego de surpresa por um ponto de vista inédito e totalmente coerente.
"Meu Deus, Ana, como você entende tudo e enxerga tudo sobre mim! Como me faz bem estar perto de você..."
E, aí caímos no assunto que protelamos por muito tempo.
À medida que ele me contava sobre o que o fez tentar resgatar o casamento, sobre o que estava vivendo, sobre as escolhas que tinha feito, um arrepio frio e dolorido percorreu cada célula do meu corpo. Eu conheço essa hitória, conheço muito, muito bem esse filme, e sei quanto de consequência carrego por ter sido protagonista do mesmo. A mesma história de humilhação, de falta de respeito, de incompatibilidade. O filme das duas pessoas que se amam e, ao mesmo tempo se odeiam muito por se amarem.
O que cede e o insaciável.
Acho que, qualquer mulher ao ouvir aquela história, perderia o respeito na hora, a admiração. Veria um Vinícius fraco, sem o menor amor próprio, indigno de ser amado por alguém que ame a si mesmo.
Mas não eu! Eu me amo muito sim, mas por ter vivido uma história igualzinha, senão pior, conheço de cor cada uma dessas sensações, e, sei que está muito longe da fraqueza a razão que nos prende a esse inferno.
Alguém há de duvidar da minha força? Essa mulher que venceu um câncer com um pé nas costas, sozinha sem deixar de sorrir? Essa mulher que enfrenta vários dramas mexicanos na família e continua achando graça em absolutamente todos eles?
Mas, ainda assim, essa fortaleza aqui não tinha armas para vencer aquele elo autodestrutivo, aquele amor envenenado que me prendeu e devastou tudo ao meu redor por 6 anos. Foram minhas as escolhas, claro, e admito - as! Porém, simplesmente não conseguia tomar rumos diferentes por mais claro que fosse meu suicídio, meu auto extermínio.
Só consegui me livrar disso (ainda guardo rastros, consequências e cicatrizes), no dia em que explodi, me enfureci e, cheia de crueldade quis machucar. Aquele homem é tão orgulhoso, tão amargo, que me expulsou de sua vida. Foi ele quem manteve essa decisão nos primeiros meses, impedindo sequer que eu pudesse pedir desculpas. Hoje, obviamente, agradeço, mas sei que, se dependesse de mim, talvez estivesse presa ainda...
Ver alguém que vc gosta, alguém que te importa, que te faz bem, e que vc quer bem passar por isso provoca ira, revolta!
Ele não conseguia olhar nos meus olhos por ter medo de eu concordar com ele (ele estava se sentindo um fraco, humilhado pelas próprias escolhas) e, fomos andar pelo bairro.
Foram várias voltas, 1h e pouco andando a pé (de salto!). Eu ouvia uma história que me comovia, que eu conhecia, que me fazia envolvê-lo com meu amor. Ao mesmo tempo, via todo o veneno de ter guardado pra si essa dor, da certeza de tê-la provocado por ser incapaz de fazer melhor saía pela boca e o fazia mais lindo, mais alto, mais brilhante.
Quando ele acabou de me contar, suas pernas bambearam tamanho o alívio, e então voltamos pro Fran´s. Naquele momento só podia ser amiga, e assim peguei sua mão, olhei nos olhos e prometi a ele que não o deixaria sozinho. Disse a ele que conhecia aquilo, e, que não sabia o fim da história, mas que tinha certeza de que nenhuma dor deve durar pra sempre.
Foi olhando nos meus olhos, nessa intensidade que ele me disse: Ana, você é a mulher mais maravilhosa que eu conheci, não sei como te agradecer e te fazer entender que por mais que tenha sido uma escolha minha estar com ela, foi com você que eu quis estar, era com você que eu queria ter começado de novo. Ana, eu tentei, e, não foi porque não senti por você, e sim porque não consegui me livrar dessa amarra.
Nesse momento me senti em paz.
Eu tinha feito tudo direitinho. Tinha o carinho, a admiração, o respeito daquele homem.
Nos despedimos num abraço mais longo, mais à vontade (eu já não estava mais com medo de mim), até que lhe dei um beijo no rosto e, ele no meu (foi o suficiente pra eu ter medo de novo...ai como eu queria que esse beijo tivesse sido diferente).
Não pude ir pra casa...não conseguia.
Eu andava nas nuvens, me sentia amada, mas, ao mesmo tempo sabia que não tinha nada! Não haveria uma pessoa no mundo que pudesse acreditar que isso havia sido sincero. As pessoas acham que ele quer a mulher, mas busca em mim suprir suas carências... Pode até ser sim, mas eu já fui ele...e, o que ele vê em mim é a palavra RESGATE bombando.
Mais uma vez, havia sido aquela mesma conhecida sensação deliciosa de encontrá-lo, ainda que, basicamente, a conversa tenha girado em torno da dor dele por amar uma mulher com quem não consegue ser feliz.
Cheguei na casa de uma amiga e disse: Dani, ele me conhece como nem eu conheço. Ele me toca, me faz um carinho na alma que não sinto com ninguém.
Mas eu estava consciente. Sabia que ele continuava com a aliança, sabia que ele continuava querendo resgatar o casamento enquanto eu estava ali, aproveitando os tiros desajustados do Santo Antônio e me divertindo por aí.
Tudo sob controle...Somos A-MI-GOS!

5 comentários:

Anônimo disse...

Ana, olha eu aqui outra vez. Puxa, que história.. mal posso esperar pelos próximos capítulos (eles virão, certo?). Sobre suas perguntas anteriores, aqui vai: 1) sou apenas um mero viajante da web, rumando para onde a maré virtual me empurra. 2) quem sou eu para achar se o Vinicius vai ficar com você ou com a maledeta (ou com nenhuma). eu fico só na torcida (por você, claro). mas algo me diz que ainda encontrará essa resposta dele mesmo, de seus olhos, talvez mesmo sem a necessidade de perguntar nada. Saudações mais uma vez, Ringo Starr.

Ana disse...

Puxa, Ringo...quanta honra tê-lo por aqui mais uma vez!!!! Seja muito benvindo viu???
Ainda não sei quantos capítulos mais caberão nesse conto, mas, não pretendo alongar, nem encurtar. Comecei no intuito de reviver momentos que foram fantásticos e que têm muita importância pra mim. Jamais imaginava que alguém além de mim, iria gostar de ler...
Obrigada mesmo pela sua gentileza!
Grande beijo

Anônimo disse...

Ohhh...e eu não conta?
Acompanho capítulo por capítulo! Adora seu jeito de escrever e de como vc nos transporta para dentro dos seus sentimentos. Acredite...senti acada sensação que vc descreve com riqueza de detalhes!
Grande Ana...
Parabéns
beijãoo

Ana disse...

Puxa, Ieda, se você soubesse o quanto me emociona saber que consigo passar em meia dúzia de palavras escritas as emoções lindas que essa hitória me causou, se soubesse como me sinto acarinhada pelos elogios que ouço em especial de vc e do Dan (que, até onde sei, são profissionais da área)...se soubesse que, por causa de vocês dois, por vocês terem insistido que eu escrevo de uma maneira legal é que eu realmente acreditei que alguém mais poderia gostar de ler, saberia como é importante ter vocês por aqui!!!
Muito obrigada sempre, tá????
Beijão

Aninha disse...

Estou amando ler esses capítulos, mal posso esperar para saber o que vai acontecer, espero que o Bendito Vinícius escolhe o que for melhor para o triângulo, pois desejo apenas uma coisa, que todos se encontrem e sejam realmente muito amados, pois todo mundo merece ser FELIZ !!!

 
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