Parte I
Parte II
Parte III
Parte IV
Parte V
Parte VI
Parte VII
Parte VIII
Parte IX
Parte X
O gosto amargo de "ponha - se no seu lugar!" que a vida trouxe com o episódio no qual nosso encontro foi desmarcado ha menos de 1h de acontecer, custou um pouquinho a passar.
Ficou aquele medo do perigo, aquela sensação de ter chegado muito, muito perto do limite entre o certo e o errado.
Por isso, conversamos durante um tempo sem mencionar a saudade, a vontade de estar de frente aos olhos um do outro. Mas ela estava ali o tempo inteiro, contida, comprimida e esperando a deixa para se manifestar.
A ocasião faz o ladrão e, como teríamos mais uma quinta - feira livre nas nossas agendas, a saudade explodiu e mais uma vez nos encontramos.
Adivinha onde nos encontramos? O medo de errar, de abusar, ousar nos fez optar pelo "de sempre". Fran´s Café again!
Eu que estava crente que não sentiria o impacto da vez passada ao olhar pra ele, quebrei a cara. Mais uma vez, faltaram palavras nos primeiros 5 minutos, tanto quanto a percepção dos outros sentidos.
Sempre fico um pouco contrangida quando as pessoas me dizem que falo demais. Isso porque, é preciso que chegue a ponto de ser inconveniente para que as pessoas comentem. E elas comentam!
Lembro de uma vez, quando fui conhecer os amigos de um "peguete". As impressões eram: "Nossa, ela é linda...ela fala bastante né?" , ou então "gostosinha, engraçada, gente fina, fala bastante, não é que nem a sua ex mosca - morta" e, por último...silêncio precedido de um "achei que ela fala muito...não gostei!".
Enfim, o fato é que, quando estou nervosa, o que já é de mais, fica mais demais ainda!
Esse dia foi assim.
Estava com um nervoso "subliminar"! As mãos não suavam, a voz não estava trêmula, mas as palavras dele sobre o que era me beijar, o eu te amo dos dois e o medo de sentir tudo aquilo e ser errado martelavam o subconciente e me fizeram disparar sei lá eu quantas mil palavras por minuto.
Foi um ataque massivo meu sobre ele. Conversamos muito sobre o casamento dele, sobre as coisas que o incomodavam e eu falei muito sobre o que passei com o namorado problema que tive e cujas sequelas me assombram até hoje.
Há muita semelhança no que vivi nessa fase e no que o Vinícius me relata. Isso me deu um arrepio horrendo na espinha, uma vontade infindável de lavar - lhe o cérebro e, da maneira mais tosca, impedir que ele passasse pelo que eu passei.
Porém, Deus (ou qualquer que seja o nome dado à força maior que nos rege) sabe o que faz, e, se ele está lá, na mesma cartilha que eu, é porque precisa de tais lições. Preciso focar e me lembrar sempre que não tenho como garantir que o aprendizado será o mesmo, nem tampouco o intuito. Não posso garantir que o final desse filme seja igual ou sequer parecido com o que eu protagonizei.
Quando nos despedimos, me senti forte, me senti mais senhora de mim, sem tremer tanto os joelhos como no último abraço de tchau (os de oi não puderam ser registrados em minha memória...não havia espaço suficiente pro tamanho da emoção).
Olhei pra ele e o vi com uma ponta de tristeza.
No caminho pra casa, uma ressaca imensa me pegou.
Aquela tristeza, fui eu quem pintou... Minha verborréia (porque verborragia é bonitinho) o fez sentir - se pior do que já estava, mais fraco, mais indigno e humilhado. Dizer a ele que não podia e não devia tolerar aquela situação toda, que devia lutar quando simplesmente ele não conseguia o fez sentir - se impotente.
Eu, que o admiro, que o amo tanto, fiz com que ele se sentisse tomando bronca. Eu apontei o dedo em seu nariz e disse que, se ele quisesse definhar, sentir dor era só não lutar!
Que monstro!!!! Como pude ser tão insensível quando, na verdade, minha intenção era dizer: Meu Deus, essa mulher não te vê como eu vejo, larga ela e olha pra mim!!!
Se eu tivesse sorte, essa reflexão não chegaria até ele.
Mas, eu não estava com tanta sorte assim! Ele me disse exatamente isso, só que, obviamente, com palavras doces, sensíveis e gentis como eu não soube ser.
Disse que adora estar comigo, mas que não queria mais falar tanto sobre esse assunto, que queria aproveitar o que há de melhor na minha companhia, que queria simplesmente estar com quem eu sou e, não passar algumas horas sentado de frente ao problema dele.
Pedi desculpas incontáveis vezes, e, até que ele me acalmasse e, me fizesse acreditar que estava tudo bem, continuei pedindo (só de lembrar, tenho vontade de me desculpar mais uma vez!).
Os dias foram passando e, percebi que minha mancada tinha sido maior do que eu mesma podia mensurar. Fiz de tudo o que podia para contornar...mudei de assunto, falei piadinha, o fiz rir, passei vergonha contando - lhe alguns "causos" e, até permiti que ele me ouvisse falar enrolado num dia em que minha memória permitiu que eu misturasse cerveja com anti - alérgico.
Fiz com que ele tivesse certeza da minha admiração por ele, e, principalmente do carinho e cuidado que sempre tive e acho que sempre terei.
Isso teve um efeito colateral bem considerável...saudade! A vontade de revê-lo e, de fato fazer algo diferente me atormentava. Criar uma situação onde o cenário não fosse o mesmo de sempre, e, a gente pudesse conversar sobre amenidades, esquecer completamente dos problemas dele com a esposa e dos meus com minha vida era o objetivo.
A idéia de fazer isso, enforcar um dia no trabalho junto com a folga dele e, ir almoçar na praia, enchiam meus olhinhos negros de brilho, e nossas conversas de cuidado pra que não tomássemos mais um "ponha - se no seu lugar!".
Fiz tudo o que podia pra conseguir uma folga junto com a folga dele.
O que eu quero e não consigo???? hahahaha, excesso de otimismo típico de uma sexta - feira à tarde, vai?
Enquanto tentava garimpar essa folga, aconteceu algo muito curioso. No fim - de - semana antes da fatídica engambelada no trabalho, senti algo no ar. No Universo mesmo! Louco, eu sei, mas algo tinha mudado e eu podia sentir.
Não havia falado com ele, nem o visto, mas sabia que algo conspirava pra sermos mais felizes. Senti isso muito forte...
Enfim, combinamos que iríamos nos ver. Curiosamente, ele parecia quieto, introspectivo e mais leve, muito mais leve. Me disse que havia tido um fim - de - semana reflexivo e, que não sabia dizer o que estava pensando ou sentindo (por favor, atentem ao fato do "algo"que eu senti nesse mesmo período, e não se esqueçam desse "algo" porque ele reaparecerá em breve), mas que, definitivamente havia algo diferente dentro dele que o fazia estar mais otimista e feliz.
A coisa caminhava pra mais um Fran´s, mas eu me rebelei!!!! Mandei uma mensagem logo após falar com ele, dizendo algo como: escuta, aquelas coisas que imaginamos fazer juntos era só ficção mesmo? E, então ele me ligou na hora! Mudamos os planos e fomos a uma churrascaria.
Aqui cabe um belo adendo.
Há uns 2 ou 3 anos eu venho diminuindo muito o consumo de carne vermelha. Simplesmente porque não me cai muito bem. O negócio geralmente bate e volta.
Hoje em dia eu não como mais carne de vaca. Só se for moída e, mesmo assim, quando parte de um molho, recheio de pimentão, berinjela etc. Como carne de porco com muitas restrições, frango e peixe tranquilamente.
Voltando à churrascaria...agora cabe a pergunta...POR QUÊ?
Porque ele adora, e, ele vinha tão exausto dos últimos dias e acontecimentos e reflexões, que achei que isso seria ótimo pra fazê-lo espairecer e, de quebra me desculpar de uma vez por todas pelo ataque verbal da última vez.
Dessa vez, ao encontrá-lo, eu estava nervosa! Já esperava os tais 5 minutos de amnésia e, talvez por isso, eles não vieram e, lembro perfeitamente quando ele entrou no meu carro e eu, em silêncio, implorei a Murphy pra me deixar dirigir como de costume.
Ele estava lindo, sublime, leve e mais sorridente. Arranquei - lhe alguns sorrisos e adorei a sensação.
No caminho para a mesa, ele notou que eu estava sem salto e, me perguntou se era pela pergunta que ele fez outro dia pra mim (até comentei aqui). Respondi que não, mas morrendo de peso da consciência do tanto que escrevi aqui que ele seria perfeito com alguns cm a mais ainda que ele não tivesse lido, resolvi mostrar - lhe o que eu bem sabia: ele é maior que eu sim! E não é pouquinho não...Eu é que sou complexada.
O restaurante estava vazio, já passava das 15h e, não foi difícil escolher uma boa mesa.
Sabia que não demoraria muito pra que ele percebesse o excesso verde do meu prato. Um tanto constrangida, menti que comia carne sim...eu não queria admitir que estava lá única e exclusivamente por causa dele.
Muitos sorrisos, uma conversa bem gostosa, uma tarde tranquila e olhos que quase não se desgrudavam.
Quase 17h saímos de lá. Eu queria ficar um pouco mais e, então respirei fundo e perguntei: Você tem que ir embora, ou quer tomar um café?
Ele demorou intermináveis segundos para responder, mas percebi que não era hesitação, nem tampouco estava pensando no horário...era apenas a dificuldade de admitir: sim, Ana, eu quero tomar um café.
E lá fomos os dois pro Fran's café.
A conversa continuou uma delícia e, ele continuou sorridente, inclusive eu comentei.
Realmente algo havia acontecido dentro dele naquele fim - de - semana.
Ele me contou que havia decidido não ceder mais tanto com a Luciana e pontuar com mais firmeza o que lhe era importante.
Orgulhosa dele, pensei que talvez, a lavagem cerebral invasiva não tivesse sido tão ruim assim.
O tempo, mais uma vez passou voando, e era hora de nos despedirmos.
Essa foi sem dúvida a vez mais difícil de dizer tchau. Um aperto no coração, uma sensação de "te vejo daqui a 7 anos" percorreu o meu corpo.
Nós nos abraçamos e o tempo parou ali naquele momento.
Respirei, senti seu cheiro, o toque quente do seu corpo como quem se despede de um ente querido que vai seguir uma viagem longa.
Olhei bem pra ele, segurei seu braço e nos abraçamos novamente.
Entrei no carro e vim pra casa.
Estranhamente, chorei.
Havia sido um lindo encontro e, realmente o senti muito bem. Não podia entender porque aquelas lágrimas insistiam em escorrer...
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

2 comentários:
Amiga...isso foi pressentimento??? Não me fale uma coisa dessas! Se o Vinícius está mais forte para lutar pelo que ele realmente quer...talvez agora sim seja a tua grande chance! Ou melhor a grande chance dele...de não repetir o último erro.
beijooo
Parece um conto de fadas em 3d, pq a cada episodio eu me sinto mais la... como se eu pudesse visualisar tuuuudo....
como pode???
é o jeito que se conta....
e o amor a historia....
o pior é o vicio... fiko em casa me perguntando .... sera q tem novo episodio??!!
cada vez masi curioso eu me despeço esperando o proximo ardentemente!!!!
amo!!!
Postar um comentário